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O PROCESSO EPIDEMICO (ÁREA DE SAUDE PUBLICA)

O estudo dos fenômenos envolvidos no processo epidêmico pressupõe a compreensão dos conceitos de estrutura e caracteres epidemiológicos e do que venha a ser o comportamento endêmico de uma doença transmissível.

Entende-se por estrutura epidemiológica de uma doença a forma de interação dos diferentes fatores relativos ao meio ambiente, hospedeiro e ao agente - seja ele químico, físico ou biológico - que determina o comportamento desse agravo no âmbito de uma população delimitada e num período de tempo estabelecido.

Os caracteres epidemiológicos constituem a resultante da estrutura epidemiológica em cada momento e se expressa pela freqüência e distribuição da doença na população em determinado instante, segundo as variáveis tempo, espaço e pessoa.

A estrutura epidemiológica se apresenta de forma dinâmica, modificando-se em cada ponto no tempo e no espaço, definido e redefinido continuamente, o que pode ser entendido como comportamento normal ou anormal de uma doença numa comunidade, fixado um ponto no tempo e no espaço.

Pode-se portanto, conceituar o comportamento normal ou endêmico de um agravo à sua ocorrência dentro de padrões regulares em agrupamentos humanos distribuídos em espaços delimitados e caracterizados, num determinado período de tempo, permitidas flutuações cíclicas ou sazonais.

Por outro lado, define-se o comportamento epidêmico de um agravo à saúde como a elevação brusca do número de casos caracterizando, de forma clara, um excesso em relação ao norrual esperado. O número de casos que indicam a presença de uma epidemia variará de acordo com o agente, tipo e tamanho da população exposta, experiência prévia ou ausência de exposição.

A epidemia não apresenta obrigatoriamente um grande número de casos, mas um claro excesso de casos quando comparada à freqüência habitual de uma doença em uma localidade.


OBJETIVA: (1114384 votos)..........99.5% das questões objetivas receberam votos.
A equipe obstétrica relata a história gestacional de uma paciente em trabalhos de parto. Os swabs de investigação de estreptococo do grupo B, durante a gestação, foram positivos. Ela está em trabalho de parto há 6 horas e recebeu 2 doses de penicilina G cristalina. Em seguida, nasce o bebê, com Apgar 8 e 9, pesando 3.000 g e com idade gestacional de 39 semanas. A conduta para o recém-nascido é:
A. rastreamento para infecção e observação
B. observação de sinais de sepse por 1 semana
C. observação clínica por 48 horas e alta hospitalar
D. início imediato de antibioticoterapia
E. coleta de hemograma e proteína C reativa imediatamente após o nascimento, seguida de observação por 24 horas

  RATING: 3.15

A equipe obstétrica relata a história gestacional de uma paciente em trabalhos de parto. Os swabs de investigação de estreptococo do grupo B, durante a gestação, foram positivos. Ela está em trabalho de parto há 6 horas e recebeu 2 doses de penicilina G cristalina. Em seguida, nasce o bebê, com Apgar 8 e 9, pesando 3.000 g e com idade gestacional de 39 semanas. A conduta para o recém-nascido é:

A. rastreamento para infecção e observação
INCORRETO: Implica em investigações ativas (como hemocultura, hemograma ou PCR) em um recém-nascido assintomático com PAI adequada. De acordo com protocolos (ex.: UFRJ e SP), o rastreamento laboratorial não é justificado nesse cenário de baixo risco, pois o risco de sepse é minimizado pela PAI efetiva. Tal abordagem poderia levar a falsos positivos, intervenções desnecessárias e aumento de custos, sem benefício comprovado.
B. observação de sinais de sepse por 1 semana
INCORRETO : Embora a sepse por EGB possa se manifestar até 7 dias (sepse tardia), o foco aqui é na infecção precoce (primeiras 48-72 horas), e protocolos recomendam observação hospitalar por 48-60 horas no máximo para casos assintomáticos com PAI. Uma semana de observação seria excessiva, prolongando a internação sem evidências de maior proteção, e poderia expor o bebê a riscos nosocomiais.
C. observação clínica por 48 horas e alta hospitalar
CORRETO : A alternativa é a conduta apropriada com base nas diretrizes brasileiras e internacionais (como as do Ministério da Saúde, protocolos de instituições como UFRJ e prefeituras municipais, alinhados ao CDC e AAP), para um recém-nascido a termo (39 semanas), bem-apgarado (Apgar 8 e 9, indicando vitalidade adequada), assintomático e com peso normal (3.000g), nascido de mãe colonizada por EGB que recebeu profilaxia antibiótica intraparto (PAI) com penicilina G. Neste caso, a paciente esteve em trabalho de parto por 6 horas e recebeu 2 doses, o que sugere PAI adequada (iniciada pelo menos 4 horas antes do parto, considerando o protocolo padrão: dose inicial seguida de manutenção a cada 4 horas). Para recém-nascidos assintomáticos com PAI adequada, não há indicação para investigações laboratoriais rotineiras ou antibioticoterapia empírica, mas recomenda-se observação clínica por pelo menos 48 horas para monitorar sinais precoces de infecção, seguida de alta hospitalar se o bebê permanecer estável. Essa abordagem equilibra a prevenção de sepse precoce por EGB com a evitação de intervenções desnecessárias, reduzindo riscos como resistência antibiótica e prolongamento hospitalar indevido.
D. início imediato de antibioticoterapia
INCORRETO : É um tratamento empírico sem sinais clínicos de infecção. A antibioticoterapia (ex.: penicilina + aminoglicosídeo) é reservada para recém-nascidos sintomáticos, prematuros ou com PAI inadequada/fatores de risco adicionais (como corioamnionite ou ruptura prolongada de membranas, ausentes aqui). Iniciá-la rotineiramente aumentaria o risco de efeitos adversos, como disbiose intestinal e resistência bacteriana, contrariando diretrizes baseadas em evidências.
E. coleta de hemograma e proteína C reativa imediatamente após o nascimento, seguida de observação por 24 horas
INCORRETO : Os exames laboratoriais são desnecessários em um bebê assintomático com PAI adequada, onde o risco é baixo. Protocolos (como os do CDC adaptados no Brasil) não recomendam marcadores inflamatórios rotineiros nesse contexto, pois têm baixa especificidade e podem levar a tratamentos desnecessários. Além disso, 24 horas de observação é insuficiente, pois sinais de sepse precoce podem surgir até 48 horas; o período mínimo recomendado é de 48 horas para monitoramento adequado.

Gabarito:  C

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.15)

DISCURSIVA: (181101 votos) ..........100% das questões discursivas receberam votos.
Referente á ressuscitação neonatal na sala de parto responda ás seguintes questões abaixo:

(I) Qual é a frequência da massagem cardíaca na ressuscitação neonatal? (0,05 pontos)
(II) Como coordenar a massagem cardíaca com a ventilação com pressão positiva na ressuscitação neonatal? (0,1 pontos)
(III) Qual concentração de oxigênio deve ser utilizada na ventilação com pressão positiva durante a massagem cardíaca na ressuscitação neonatal? (0,1 pontos)
(IV) Quando verificar a evolução da frequência cardíaca do recém-nascido após o início da massagem cardíaca? (0,1 pontos)
(V) Quando interromper a massagem cardíaca? Qual o próximo passo depois de interromper a massagem cardíaca? (0,15 pontos)

RATING: 3

Referente á ressuscitação neonatal na sala de parto responda ás seguintes questões abaixo:

(I) Qual é a frequência da massagem cardíaca na ressuscitação neonatal? (0,05 pontos)
(II) Como coordenar a massagem cardíaca com a ventilação com pressão positiva na ressuscitação neonatal? (0,1 pontos)
(III) Qual concentração de oxigênio deve ser utilizada na ventilação com pressão positiva durante a massagem cardíaca na ressuscitação neonatal? (0,1 pontos)
(IV) Quando verificar a evolução da frequência cardíaca do recém-nascido após o início da massagem cardíaca? (0,1 pontos)
(V) Quando interromper a massagem cardíaca? Qual o próximo passo depois de interromper a massagem cardíaca? (0,15 pontos)

(I) Qual é a frequência da massagem cardíaca na ressuscitação neonatal?
R: A massagem deve ser feita na frequência de 90 compressões por minuto. (0,05 p)

(II) Como coordenar a massagem cardíaca com a ventilação com pressão positiva na ressuscitação neonatal?
Massagem Coordenada à Ventilação: 3 movimentos de massagem (0,05 p) + 1 ventilação (0,05 p)

(III) Qual concentração de oxigênio deve ser utilizada na ventilação com pressão positiva durante a massagem cardíaca na ressuscitação neonatal?
Ao iniciar a massagem cardíaca, aumentar (0,05 p) a concentração de oxigênio para 100% (0,05 p)

(IV) Quando verificar a evolução da frequência cardíaca do recém-nascido após o início da massagem cardíaca?
Esperar 60 segundos depois do início da massagem cardíaca coordenada à ventilação (0,05 p) , antes de pausar brevemente (0,05 p) os procedimentos para reavaliar a frequência cardíaca.

(V) Quando interromper a massagem cardíaca? Qual o próximo passo depois de interromper a massagem cardíaca?
Interromper a massagem cardíaca quando a frequência cardíaca for 60 bpm ou mais. (0,05 p)
Uma vez interrompida a massagem cardíaca, continuar a ventilação com pressão positiva (0,05 p) na frequência de 40 a 60 respirações/minuto (0,05 p).

FONTE:
Manual de Reanimação Neonatal da Academia Americana de Pediatria - 7ª edição

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3)

CASO CLINICO: (211064 votos)..........100% dos casos clinicos receberam votos.
Paciente do sexo masculino, 3 anos de idade, sem histórico de internações prévias e com a vacinação em dia.
A mãe da criança procurou auxílio médico no Pronto-Socorro, queixando-se de “dor de garganta há uma semana”. Dizia que a criança iniciará quadro de febre intermitente medida (38,5º C) e dor ao deglutir há cerca de 7 dias, período em que fizera uso de dipirona para controle sintomático. Há 5 dias iniciara uso de diclofenaco, sem obtenção de melhora. Há 2 dias havia iniciado edema de face (inclusive com dificuldade de abertura dos olhos) e hematúria macroscópica.
A criança apresentava ao exame clínico taquicardia, dispneia, febre (39,0ºC), edema palpebral bilateral, hidratação adequada, orofaringe com placas purulentas em lojas amigdalianas e palato mole. O fígado era palpável a cerca de 6 centímetros do rebordo costal, apresentando-se indolor. Havia a presença de murmúrio vesicular fisiologicamente distribuído com estertores bolhosos em base pulmonar. Laboratório: Hemograma: série vermelha: eritrócitos 3.500.000/mm3, hemoglobina 9,70g/dl, hematócrito 28%, VCM 73 fl, leve microcitose; série branca: leucócitos 10.300/mm3 (2 – 2 – 47 – 40 – 5 – 0 – 2 – 0 – 2), vários neutrófilos apresentando granulações tóxicas finas, plaquetas: 184.000/mmmm3 (adequadas em lâmina).
A gasometria arterial apresentou: pH 7,31, pCO2 22,7 mmHg, pO2 54 mmHg, HCO3 11,4 mEq/l, CO2 total 12,1 mEq/l, Be 12,9 mEq/l, Sat O2 85,6%. Os eletrólitos mostraram: creatinina 1,1, uréia: 82, potássio 4,3, sódio 138. A urina I constatou-se turva, com pH 5,0, proteínas presentes, leucócitos 125.000/ml, eritrócitos 4.000/ml, Células 10.000/ml. A urocultura foi negativa com 24 horas de incubação.
1) Qual a principal suspeita diagnostica nesse caso? ......0,3 pontos
2) Utilizando os dados da gasometria, que tipo de distúrbio eletrolítico a criança apresenta? .........0,1 pontos
3) A criança apresenta critérios de gravidade? ..............0,1 pontos.


RATING: 3.83

1) Amigdalite Aguda (0,1 p), Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA)(0,1 p) e Pielonefrite (0,1 p).
2) Seguindo o algarismo antigo:
a) Normalmente, o pH do sangue e de 7,42, precisamente um intervalo de tolerância entre 7,38 e 7,42. Se o pH do sangue for < 7,38 temos uma acidemia. Se o pH do sangue for maior que 7,42 temos uma alcalemia. No caso acima, pH=7,31 ----> acidose.
b) É acidose metabólica ou respiratória? Usando os valores do bicarbonato sérico - se a mudança for predominantemente no bicarbonato, então provavelmente que o distúrbio e metabólico. isto e, o bicarbonato vai ser menor que 22. No caso, há uma baixa concentração de HCO3 mas também no pCO2. Ou seja, definição mais correta: ACIDEMIA por ACIDOSE METABÓLICA. E, como o organismo tenta compensar a acidemia diminuindo o CO2, eventualmente através da hiperventilação, o valor do mesmo é bem baixo. ANION GAP = 12.9 Como podemos ver o anion GAP é levemente acima de 12 mEq. E pCO2 esperado - pCO2 esp = 1,5 x Bic + 8 +/-2 = 1,5 x 11,4 + 8 +/- 2 = 17,1 + 8 +/- 2 = 23 - 27 mmHg.

Ou seja, é uma acidose metabólica pura. 0,1 p

3) A acidose metabólica já é um dos critérios de gravidade. Além disto, a saturação de O2 baixa e a PaO2 baixa indica iminência de insuficiência respiratória. Hepatomegalia e outro (6 cm abaixo da borda? Algo está errado!). A creatinina alta e a ureia alta também indicam comprometimento da função renal. Essa criança precisa ser encaminhada já para UTI pediátrica.

AVALIE ESSE CASO CLINICO: (3.83)




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