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A RESPONSABILIDADE MÉDICA EM RELAÇÃO AOS MAUS TRATOS DE CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E A LEGISLAÇÃO MENORISTA (ÁREA DE PEDIATRIA)

Um dos temas que tem proporcionado preocupação constante em relação à criança e ao adolescente refere-se à violência doméstica, ou como designa a lei, a ocorrência de maus tratos.
Esta situação não é nova e nem fruto da modernidade. Esta assentada em raízes culturais e na condição de criança e adolescente como objetos de direito. Diante desta constatação, o debate sobre o tema sempre é salutar. No presente artigo, a questão será analisada relacionando os maus tratos com a conduta médica em face da suspeita ou confirmação da ocorrência do fenômeno. Muitas vezes os profissionais da área da saúde desconhecem a forma de agir perante a constatação de maus tratos, impedindo uma ação protetiva em face da criança vitimizada. Quando não, tais profissionais ignoram a legislação a respeito, até mesmo no que se relaciona a sua responsabilidade penal e administrativa frente a omissão na denúncia de suspeita ou confirmação de maus tratos.
Sendo tais profissionais um dos responsáveis pelos bons tratos as crianças e adolescentes, mister se faz detalhar tal assunto com enfoque na legislação menorista.

OBJETIVA: (1214473 votos)..........99.09% das questões objetivas receberam votos.
Um menino de 14 meses com histórico medico desconhecido é trazido ao pediatra com um olho roxo. Ele teve a lesão por pelo menos uma semana, mas sua mãe não tem certeza de quando ou como se machucou. Ainda relata que o filho teve febre baixa e dormiu “o tempo todo” nos últimos 6 dias.
No exame físico, o bebê está bem pálido e com aparência de criança doente, a temperatura é de 38°C, pressão arterial 120/72 mmHg, frequência cardíaca 86/min e frequência respiratória 22/min. Ele está no 10º percentil para peso, o 10º percentil para altura, e o 50º percentil para perímetro cefálico. Há hematomas periorbitais e proptose de olho direito, petéquias nas pernas e linfadenopatia cervical. Não há hepatomegalia, esplenomegalia ou massas palpáveis. Solicitam-se testes de laboratório que mostram:
Nitrogênio da ureia no sangue........................7 mg/dL
Creatinina........................................................0,4 mg/dL
Contagem de leucócitos........................ 12.000/mm3
Hemoglobina.................................................. 8 g/dL
Contagem de plaquetas...................... 190.000/mm3
Tempo de tromboplastina parcial ativada........................25 segundos
Tempo de protrombina.................................. 23 segundos
Alanina aminotransferase............................. 16 U/L
Aspartato aminotransferase.......................... 14 U/L
Urina ácido vanililmandélico.......................... elevado
D-dímero........................ normal
Qual dos seguintes é o diagnóstico mais provável?
A. Leucemia linfoide aguda
B. Anemia aplástica
C. Abuso infantil
D. Neuroblastoma
E. Feocromocitoma

  RATING: 3.04

Um menino de 14 meses com histórico medico desconhecido é trazido ao pediatra com um olho roxo. Ele teve a lesão por pelo menos uma semana, mas sua mãe não tem certeza de quando ou como se machucou. Ainda relata que o filho teve febre baixa e dormiu “o tempo todo” nos últimos 6 dias.
No exame físico, o bebê está bem pálido e com aparência de criança doente, a temperatura é de 38°C, pressão arterial 120/72 mmHg, frequência cardíaca 86/min e frequência respiratória 22/min. Ele está no 10º percentil para peso, o 10º percentil para altura, e o 50º percentil para perímetro cefálico. Há hematomas periorbitais e proptose de olho direito, petéquias nas pernas e linfadenopatia cervical. Não há hepatomegalia, esplenomegalia ou massas palpáveis. Solicitam-se testes de laboratório que mostram:

Nitrogênio da ureia no sangue........................7 mg/dL
Creatinina........................................................0,4 mg/dL
Contagem de leucócitos........................ 12.000/mm3
Hemoglobina.................................................. 8 g/dL
Contagem de plaquetas...................... 190.000/mm3
Tempo de tromboplastina parcial ativada........................25 segundos
Tempo de protrombina.................................. 23 segundos
Alanina aminotransferase............................. 16 U/L
Aspartato aminotransferase.......................... 14 U/L
Urina ácido vanililmandélico.......................... elevado
D-dímero........................ normal
Qual dos seguintes é o diagnóstico mais provável?

A. Leucemia linfoide aguda
INCORRETO: Leucemia Linfóide Aguda (LLA) é a forma mais comum de câncer em crianças podendo causar pancitopenia, linfadenopatia, febre, deficiência de crescimento, petéquias e palidez. A doença, porém, não causa equimoses periorbitais, proptose, hipertensão e nem catecolaminas urinárias elevadas.
B. Anemia aplástica
INCORRETO : Anemia aplástica, caracterizada por pancitopenia e medula hipocelular geralmente é devida a lesão da célula-tronco pluripotente. O insulto inicial pode ser congênito ou adquirido. Causas congênitas são incomuns, incluindo anemia de Fanconi e Síndrome de Shwachman-Diamond. Adquirido as causas são mais comuns, incluindo uma ampla variedade de drogas e produtos químicos, radiação ionizante e vírus. Petéquias, palidez, fadiga, e febre são compatíveis com este diagnóstico. No entanto, a anemia aplástica não causaria hipertensão, linfadenopatia, hematomas periorbitais, proptose ou catecolaminas urinárias elevadas.
C. Abuso infantil
INCORRETO : O abuso infantil deve ser considerado se uma criança sofre lesões incompatíveis com as atividades normais. Um hematoma periorbital pode se assemelhar a um hematoma de um olho que foi socado por um punho. No entanto, proptose não ocorreria nesta situação. Abuso infantil poderia explicar o fracasso em se desenvolver em caso de abuso físico foi acompanhado de negligência. no entanto não explicaria nenhum de seus outros sintomas, sua hipertensão ou seus valores laboratoriais.
D. Neuroblastoma
CORRETO : Esta criança tem neuroblastoma metastático, que é comum em crianças < 2 anos. O neuroblastoma primário mais comumente se apresenta como uma massa abdominal indolor, hipertensão, dificuldade respiratória, síndrome de Horner ou compressão medular. Frequentemente, entretanto, o neuroblastoma não é diagnosticado até que haja metástase. A infiltração tumoral da medula óssea causa pancitopenia. Infiltração tumoral do osso periorbital causa equimoses periorbitais e proptose, uma aparência frequentemente referida como 'olhos de guaxinim'. Febre baixa, fadiga e falta de crescimento (o que é evidenciado por seu pequeno tamanho) ocorrem junto com a doença metastática. Urinário as catecolaminas são elevadas no neuroblastoma, mas o diagnóstico definitivo requer biópsia. O tratamento envolve quimioterapia e excisão cirúrgica da doença local. O prognóstico varia com a idade na apresentação: bebês com doença metastática respondem favoravelmente ao tratamento, enquanto a maioria crianças com mais de 1 ano com neuroblastoma avançado morrerão de doença progressiva, apesar da terapia multimodal intensiva
E. Feocromocitoma
INCORRETO : Feocromocitoma é uma neoplasia secretora de catecolaminas de células cromafinas que causa hipertensão intermitente e pode resultar em catecolaminas urinárias elevadas. Outros sintomas de um feocromocitoma incluem cefaleia, transpiração, palpitações, palidez e sudorese. O feocromocitoma não causa letargia, hemograma completo anormal, febre, linfadenopatia ou hematoma periorbital e é portanto, improvável nesta criança.

Gabarito:  D

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.04)

DISCURSIVA: (186785 votos) ..........99.43% das questões discursivas receberam votos.
(I) Citem as principais circunstâncias mandatórias para biopsia de uma adenomegalia.(0,34375 pontos)
(II) Citem cinco doenças infecciosas na prática clínica do pediatra que cursam com adenomegalia.(0,15625 pontos)


RATING: 3.02

(I) Citem as principais circunstâncias mandatórias para biopsia de uma adenomegalia.(0,34375 pontos)
(II) Citem cinco doenças infecciosas na prática clínica do pediatra que cursam com adenomegalia.(0,15625 pontos)

(I) Citem as principais circunstâncias mandatórias para biopsia de uma adenomegalia.
- Linfonodo maior que 2 cm; (0,03125 p)
- Aumento em 2 semanas; (0,03125 p)
- Sem diminuição em 4 semanas; (0,03125 p)
- Supraclavicular; (0,03125 p)
- Endurecido (0,03125 p) , aderido (0,03125 p), cartilaginoso; (0,03125 p)
- Padrão radiológico anormal, (0,03125 p)
- Sintomas como febre (0,03125 p) , perda ponderal (0,03125 p) , hepatoesplenomegalia (0,03125 p)

(II) Citem cinco doenças infecciosas na prática clínica do pediatra que cursam com adenomegalia:
- Adenite bacteriana (0,03125 p)
- Síndrome Mono-like (0,03125 p)
- Paracoccidiodomicose Juvenil (0,03125 p)
- Doença da Arranhadura do Gato (0,03125 p)
- Tuberculose ganglionar: (0,03125 p)

FONTE:

R3 PEDIATRIA MÓDULO ONLINE - SANAR FLIX - Beatriz Oliveira Leão Carneiro, Bruno Adelmo Ferreira Mendes Franco, Gabriel Benevides, Giovanna Gavros Palandri, Juliana Barbosa Brunelli, Kiara Oliveira Monteiro, Nathalia da Costa Sousa, Simone Sakura Ito Vergilius, José Furtado De Araujo Neto, Vinícius Côgo Destefani

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.02)

CASO CLINICO: (218899 votos)..........99.51% dos casos clinicos receberam votos.

Paciente masculino, 68 anos, branco, tabagista crônico (40 maços-ano), com história de abuso crônico de analgésicos contendo fenacetina e exposição ocupacional a derivados de petróleo. Apresenta hematúria macroscópica indolor intermitente há 4 meses, associada a dor no flanco direito de intensidade moderada (inicialmente crônica, com episódio agudo simulando cólica renal). Ultrassonografia evidencia hidronefrose direita; citologia urinária mostra células suspeitas de alto grau; TC revela falha de enchimento na pelve renal direita.

Referente á esse caso:

I. Qual a principal suspeita diagnóstica? ................ 0,10 pontos
II. Qual a possível causa etiológica mais relevante neste caso? ........... 0,10 pontos
III. Qual a melhor modalidade para confirmar o diagnóstico? ............. 0,10 pontos
IV. Qual o tratamento padrão-ouro? ............... 0,20 pontos 





RATING: 3.02

I. Suspeita diagnóstica principal

  • Hematúria (macroscópica franca ou total, ou microscópica) representa o sinal clínico mais frequente nos tumores uroteliais do trato urinário superior (0,04 p)
  • Dor no flanco constitui o segundo sintoma mais comum (pode ser crônica por hidronefrose gradual ou aguda por coágulos simulando cólica renal) (0,03 p)
  • Até 15% dos pacientes permanecem assintomáticos com diagnóstico incidental por imagem; aqui o quadro sintomático + hidronefrose + citologia alterada apontam para carcinoma urotelial do trato urinário superior (pelve renal) (0,03 p)

II. Possível causa etiológica mais relevante

  • Abuso crônico de analgésicos contendo fenacetina constitui fator de risco bem estabelecido para carcinomas uroteliais do trato urinário superior (0,05 p)
  • Nefropatia induzida por fenacetina associa-se a necrose papilar, insuficiência renal secundária e capilaroesclerose (alteração histológica patognomônica) (0,03 p)
  • Efeito combinado (necrose papilar + fenacetina) eleva de maneira importante o risco, com clara evidência de relação dose-resposta e apresentação em idade mais precoce (0,02 p)

III. Melhor modalidade para confirmar o diagnóstico

  • Tomografia computadorizada é atualmente o padrão-ouro para o diagnóstico, oferecendo sensibilidade de até 96% e especificidade de 99% para lesões papilíferas com 5-10 mm (0,05 p)
  • Quando o diagnóstico permanece incerto após imagem, ureteroscopia combinada à pielografia retrógrada torna-se necessária para refinamento da caracterização lesional (0,03 p)
  • Ureteroscopia com biópsia permite visualização direta, obtenção de material para histologia (correlação 78-92% com anatomopatológico definitivo) e eleva acurácia diagnóstica para 85-90% quando associada à urografia excretora (0,02 p)

IV. Tratamento padrão-ouro

  • Nefroureterectomia com ressecção de cuff vesical (retalho vesical) constitui o tratamento padrão-ouro para os tumores uroteliais do trato urinário superior (0,10 p)
  • Não existem diferenças significativas nos resultados oncológicos entre as técnicas aberta e laparoscópica (transperitoneal, retroperitoneal ou hand-assisted) (0,05 p)
  • Todas as variantes laparoscópicas oferecem benefícios consistentes de menor morbidade quando comparadas à aberta; o tempo entre diagnóstico e tratamento não deve exceder três meses (0,05 p)


AVALIE ESSE CASO CLINICO: (3.02)




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