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Em relação às contraindicações ao aleitamento materno no Brasil, segundo as orientações vigentes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria, é correto afirmar que:
A. A infecção materna pelo HIV constitui contraindicação permanente ao aleitamento, independentemente da carga viral e do uso de terapia antirretroviral
CORRETO: No Brasil, o PCDT de HIV mantém a contraindicação do aleitamento materno em mulheres vivendo com HIV, mesmo com TARV e carga viral indetectável, devido ao risco residual de transmissão vertical pelo leite; o SUS prevê fórmula infantil nesses casos
B. A hepatite B materna com HBsAg positivo contraindica de forma absoluta o aleitamento mesmo após imunoprofilaxia adequada do recém-nascido
INCORRETO : A hepatite B materna não contraindica o aleitamento quando o recém-nascido recebe imunoglobulina específica e vacina nas primeiras horas de vida
C. A tuberculose pulmonar materna em tratamento há mais de duas semanas constitui contraindicação permanente ao aleitamento
INCORRETO : Após o início efetivo do tratamento e quando a mãe deixa de ser bacilífera, a amamentação pode ser mantida, com medidas de proteção respiratória enquanto indicado; não é contraindicação permanente
D. O hipotireoidismo materno não tratado é contraindicação absoluta pela passagem excessiva de TSH ao leite
INCORRETO : O hipotireoidismo materno não é contraindicação ao aleitamento; o TSH não passa em quantidade clinicamente relevante e o tratamento com levotiroxina é compatível com a amamentação
E. A mastite puerperal bacteriana exige interrupção definitiva do aleitamento no seio acometido
INCORRETO : A mastite não contraindica o aleitamento; o esvaziamento do seio acometido faz parte do tratamento e o leite não é prejudicial ao lactente
Gabarito: A
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FONTE:
Homem de 54 anos, previamente hígido, procura o ambulatório por aumento progressivo e indolor da região anterior do pescoço há 8 meses, agora com disfagia a sólidos, rouquidão e dispneia aos médios esforços. Relata “pescoço de pedra”. Nega febre, odinofagia recente, pródromo viral, palpitações, intolerância ao calor, oftalmopatia ou perda ponderal acelerada. Não usa amiodarona, lítio, interferona nem inibidores de checkpoint. Sem irradiação cervical prévia.
Exame: eutireoidiano clinicamente. Tireoide difusamente aumentada, extremamente dura, fixa aos planos profundos, indolor, sem eritema e sem flutuação. Lobo esquerdo parece “fundir-se” com a musculatura pré-tireoidiana. Prega vocal esquerda com hipomotilidade à laringoscopia. Sem linfonodomegalia cervical dominante. Sem sinais de oftalmopatia.
Laboratório: TSH 6,8 mUI/L; T4 livre 0,92 ng/dL (limítrofe-baixo); anti-TPO 48 UI/mL (limítrofe); TRAb negativo; VHS 28 mm/h; PCR 6 mg/L; leucócitos 7.400/mm³; cálcio iônico 1,05 mmol/L (baixo); PTH 12 pg/mL (inapropriadamente baixo); IgG4 sérica 198 mg/dL (elevada). Ultrassonografia: glândula hipoecoica, mal delimitada, vascularização pobre, sem nódulo dominante. TC cervical: massa tireoidiana que ultrapassa a cápsula e envolve traqueia e musculatura, sem plano de clivagem nítido. PAAF: material hipocelular, fibrose, sem atipias suficientes para carcinoma.
(I) Qual o diagnóstico mais provável e quais elementos do caso o sustentam? (0,1 pontos)
(II) Como diferenciar este quadro do carcinoma anaplásico e da tireoidite de Hashimoto com fibrose avançada? (0,1 pontos)
(III) Quais exames confirmam o diagnóstico e avaliam complicações locais? (0,1 pontos)
(IV) Qual a conduta terapêutica inicial e o papel da cirurgia? (0,1 pontos)
(V) Quais desfechos endócrinos e sistêmicos devem ser antecipados no seguimento? (0,1 pontos)
O diagnóstico mais provável é tireoidite de Riedel (fibroinvasiva) (0,04 p). Sustentam: bócio pétreo (“duro como pedra”) e indolor (0,02 p); sintomas compressivos (disfagia, dispneia, rouquidão) (0,02 p); e extensão extratireoidiana para músculos, traqueia e, neste caso, possível acometimento paratireoidiano (0,02 p).
A maioria dos pacientes com Riedel está eutireoidiana; cerca de 30% evoluem com hipotireoidismo (0,02 p). Pode haver hipocalcemia por fibrose das paratireoides (0,02 p). A PAAF é frequentemente insuficiente (material fibroso hipocelular) (0,02 p). O diagnóstico definitivo exige biópsia cirúrgica/aberta, com fibrose densa e inflamação linfoplasmocitária (0,02 p). A imunohistoquímica IgG4/IgG apoia o vínculo com doença IgG4 (0,02 p).
Não há protocolo único, pela raridade da doença (0,01 p). Glicocorticoides são a primeira linha para reduzir inflamação e compressão (0,03 p). Tamoxifeno (em geral 20 mg 1–2×/dia) entra se houver refratariedade ou como adjuvante (0,03 p). Cirurgia, quando necessária, deve ser limitada à descompressão (istmectomia/debulking); tireoidectomia total de rotina aumenta lesão de nervo e paratireoide sem curar a fibrose (0,03 p).
Antecipar hipotireoidismo em cerca de 30% e repor levotiroxina se indicado (0,03 p). Monitorar cálcio e PTH pelo risco de hipoparatireoidismo fibrótico (0,02 p). Procurar fibrose extracervical (mediastino, retroperitônio, órbita, vias biliares) — a Riedel pode ser manifestação sistêmica IgG4 (0,03 p). A doença não se extingue de forma definitiva; o seguimento é clínico, laboratorial e por imagem (0,02 p).
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