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Uma menina de 10 anos chega ao serviço de saúde com história de 8 pneumonias, todas com tratamento hospitalar; 2 episódios de derrame pleural com necessidade de dreno de tórax; e várias amigdalites e otites, com otorreia crônica. Nega outras infecções. Ao exame físico, observam-se peso e altura no percentil 25 para a idade, membranas timpânicas perfuradas bilateralmente; alguns roncos à ausculta ilta pulmonar; restante sem alterações. A investigação complementar inicial mostrou todas as sorologias negativas, inclusive HIV, hemograma com número normal de leucócitos, neutrófilos e linfócitos, 8% de eosinófilos, 230.000 plaquetas, dosagem de complemento normal, IgE = 1.197 (<90), IgA <6 (33 a 308), IgG = 240 (630 a 2.000) e IgM = 69,2 (24 a 276). Em vista disso, assinale a alternativa CORRETA quanto à 1ª hipótese diagnóstica a ser considerada:
A. imunodeficiência primária; agamaglobulinemia ligada ao X
INCORRETO: Agamaglobulinemia ligada ao X, normalmente, afeta meninos e apresenta ausência de gamaglobulinas.
B. imunodeficiência primária; imunodeficiência comum variável
CORRETO : Para analisar a situação, devemos observar os achados clínicos e laboratoriais:
História de infecções recorrentes: A criança apresenta infecções respiratórias de repetição (pneumonias, otites, amigdalites) e otorreia crônica, sugerindo problemas no sistema imunológico.
Com base nesses dados, a melhor hipótese diagnóstica é uma imunodeficiência comum variável (CVID). Esta condição é caracterizada por baixos níveis de IgG, IgA e, ocasionalmente, IgM, combinados com um histórico de infecções recorrentes. O aumento de IgE é incomum, mas pode ocorrer em algumas variantes.
Achados laboratoriais:
Aumento significativo de IgE (1.197, normal <90).
IgA extremamente baixa (<6).
IgG muito abaixo do normal (240, normal 630 a 2.000).
Níveis de IgM na faixa normal.
C. imunodeficiência primária; deficiência seletiva de IgA
INCORRETO : Na deficiência seletiva de IgA a criança tem também baixo IgG, o que exclui essa condição como primeira hipótese.
D. hipogamaglobulinemia transitória da infância associada à atopia
INCORRETO : Hipogamaglobulinemia transitória da infância associada à atopia melhora com a idade e não é provável em uma criança de 10 anos.
E. síndrome de Wiskott-Aldrich
INCORRETO : Síndrome de Wiskott-Aldrich apresenta trombocitopenia, eczema e infecções recorrentes. Não se encaixa no padrão laboratorial observado.
Gabarito: B
RATING: 2.9 ![]()
FONTE:
A mãe, do lar, de pouca escolaridade, tem outros três filhos sendo 2 do mesmo pai. A avó materna é HIV positiva e moram em casa de alvenaria com água e esgoto. A criança nasceu de parto normal, com 2950 g e 50 cm ficando internada por cinco dias para fototerapia, não sendo realizado VDRL. O pré-natal foi realizado inadequadamente.
O exame físico mostrou criança ativa, em bom estado geral, corada, hidratada, acianótica, anictérica, eupnéica, sem déficit ponderal ou de estatura, desenvolvimento físico e psicomotor compatíveis com a idade. O exame dos sistemas neurológico, cardiovascular, respiratório, abdome e membros eram normais. A cavidade oral exibia os incisivos centrais e superiores, em serrilhado típico (dentes de Hutchinson) e molares em amora, sendo observado um mal estado dentário.
1) Trata-se de sifilis congênita neste caso? Quais são os pontos de apoio para esse diagnóstico? - 0,25 pontos;
2) Qual é a atitude terapêutica a ser tomada imediatamente? - 0,25 pontos;
1) Trata-se de sifilis congênita neste caso? Quais são os pontos de apoio para esse diagnóstico? - 0,25 pontos;
Caso confirmado: quando o T. pallidum ou seu material genético é constatado fisicamente em amostras de lesões, líquido amniótico, cordão umbilical ou de tecidos oriundos da necropsia
Caso presuntivo: quando pelo menos um dos seguintes parâmetros está presente:
I) RN ou criança cuja mãe contaminada não tenha sido tratada ou o foi de forma inadequada;
II) RN ou criança exibindo teste treponêmico positivo e algumas das seguintes alterações: evidência de sífilis congênita ao exame físico; alterações radiológicas; VDRL positivo no líquor; elevado conteúdo de proteínas ou leucocitose no líquor, na ausência de outras causas; IgM positiva para lues
III) Natimorto sifilítico – morte fetal ocorrida em gestação de mais de 20 semanas ou feto com peso superior a 500g, nascido de mãe com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada.
Os fatores de risco mais comumente associados a sífilis congênita:
- falta de atendimento pré-natal
- abuso de cocaína
- prostituição
- contato sexual desprotegido
- comercialização do sexo por drogas
- cuidados pré-natais inadequados
2) Qual é a atitude terapêutica a ser tomada imediatamente? - 0,25 pontos;
- Penicilina cristalina, em infusão venosa, na dose de 150.000 U/kg/dia divididos em 6 tomadas durante 14 dias.
- Penicilina benzatina 7.200.000UI, IM, em três doses semanais de 2.400.000 UI
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