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O PROCESSO EPIDEMICO (ÁREA DE SAUDE PUBLICA)

O estudo dos fenômenos envolvidos no processo epidêmico pressupõe a compreensão dos conceitos de estrutura e caracteres epidemiológicos e do que venha a ser o comportamento endêmico de uma doença transmissível.

Entende-se por estrutura epidemiológica de uma doença a forma de interação dos diferentes fatores relativos ao meio ambiente, hospedeiro e ao agente - seja ele químico, físico ou biológico - que determina o comportamento desse agravo no âmbito de uma população delimitada e num período de tempo estabelecido.

Os caracteres epidemiológicos constituem a resultante da estrutura epidemiológica em cada momento e se expressa pela freqüência e distribuição da doença na população em determinado instante, segundo as variáveis tempo, espaço e pessoa.

A estrutura epidemiológica se apresenta de forma dinâmica, modificando-se em cada ponto no tempo e no espaço, definido e redefinido continuamente, o que pode ser entendido como comportamento normal ou anormal de uma doença numa comunidade, fixado um ponto no tempo e no espaço.

Pode-se portanto, conceituar o comportamento normal ou endêmico de um agravo à sua ocorrência dentro de padrões regulares em agrupamentos humanos distribuídos em espaços delimitados e caracterizados, num determinado período de tempo, permitidas flutuações cíclicas ou sazonais.

Por outro lado, define-se o comportamento epidêmico de um agravo à saúde como a elevação brusca do número de casos caracterizando, de forma clara, um excesso em relação ao norrual esperado. O número de casos que indicam a presença de uma epidemia variará de acordo com o agente, tipo e tamanho da população exposta, experiência prévia ou ausência de exposição.

A epidemia não apresenta obrigatoriamente um grande número de casos, mas um claro excesso de casos quando comparada à freqüência habitual de uma doença em uma localidade.


OBJETIVA: (1422924 votos)..........96.14% das questões objetivas receberam votos.
Um menino de 6 meses de ascendência judia Ashkenazi se apresenta ao consultório de seu pediatra. Sua mãe está preocupada que 'ele não está desenvolvendo direito.' Aos 2 meses, estava seguindo objetos conforme eles se moveram através da linha média e levantando sua cabeça. No entanto, no último mês, ele esteve menos alerto, assusta-se facilmente com qualquer som e ainda não cosegue levantar a cabeça. O exame físico é normal, EXCETO o exame oftalmológico que mostrou uma mácula vermelha-brilhante rodeada por um anel esbranquiçado. Qual é o prognóstico clínico deste paciente?
A. Morte aos 4-5 anos
B. Organomegalia futura e hematomas fáceis
C. Hiperatividade se não tratada
D. Opistótono
E. Espasticidade e rigidez no tipo A desta condição

  RATING: 3.39

Um menino de 6 meses de ascendência judia Ashkenazi se apresenta ao consultório de seu pediatra. Sua mãe está preocupada que 'ele não está desenvolvendo direito.' Aos 2 meses, estava seguindo objetos conforme eles se moveram através da linha média e levantando sua cabeça. No entanto, no último mês, ele esteve menos alerto, assusta-se facilmente com qualquer som e ainda não cosegue levantar a cabeça. O exame físico é normal, EXCETO o exame oftalmológico que mostrou uma mácula vermelha-brilhante rodeada por um anel esbranquiçado. Qual é o prognóstico clínico deste paciente?

A. Morte aos 4-5 anos
CORRETO: O “vermelho cereja” da lesão retiniana é característico para doença de Tay-Sachs infantil. Ausência de hexosaminidase A nos leucócitos é diagnóstica para doença de Tay-Sachs. Tay-Sachs tem uma herança autossômica recessiva. É mais prevalente entre os judeus Ashkenazi (1: 25-30 são portadores). Tay-Sachs infantil se apresenta aos 4-5 meses de idade com perda das habilidades motoras, aumento da reação de susto ao ruído e manchas vermelho-cereja na retina. As convulsões se desenvolvem por volta de 2 anos de idade, e as crianças geralmente não sobrevivem além dos 4–5 anos.
B. Organomegalia futura e hematomas fáceis
INCORRETO : A doença de Gaucher é diagnosticada pela presença de células de Gaucher na medula óssea. As células Gaucher têm uma aparência característica de “papel enrugado”. A deficiência de β-glicocerebrosídeo leva ao acúmulo de glicocerebrosídeo no sistema reticuloendotelial. Os pacientes geralmente se apresentam na adolescência com dor óssea, hepatoesplenomegalia, e anemia. A trombocitopenia freqüentemente causa sangramento fácil e hematomas. Na radiografia, uma deformidade ”em frasco Erlenmeyer” do fêmur distal é comumente observado.
C. Hiperatividade se não tratada
INCORRETO : A presença de fenilcetonas na urina é diagnóstico de fenilcetonúria (PKU). PKU apresenta pele clara, eczema e odor corporal de mofo. Como o passado da idade a criança desenvolve retardo mental, hiperatividade com movimentos involuntários, balanço rítmico e a atetose ficará evidente se não for tratada.
D. Opistótono
INCORRETO : A doença de Krabbe resulta da ausência de β-galactosidase e leva ao acúmulo de galactocerebrosídeo. Esta doença se apresenta durante o primeiro ano de vida com atrofia óptica, convulsões e espasticidade Opistótono, ou postura anormal caracterizada por rigidez e arqueamento das costas com o pescoço hiperestendido ocorre frequentemente, e a criança geralmente não sobrevive mais de 3 anos.
E. Espasticidade e rigidez no tipo A desta condição
INCORRETO : A doença de Niemann-Pick resulta da deficiência de esfingomielinase, levando a um cúmulo de esfingomielina e colesterol. O tipo A se apresenta com hepatoesplenomegalia, deficiência de crescimento e rapida regressão no neurodesenvolvimento progressiva levando à espasticidade e rigidez em estágios posteriores. O tipo B tem curso e envolvimento pulmonar mais variáveis.

Gabarito:  A

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.39)

DISCURSIVA: (199006 votos) ..........100% das questões discursivas receberam votos.
(I) Define e descreva o choque compensado. (0,091 pontos)
(II) Define e descreva o choque hiperdinâmico. (0,156 pontos)
(III) Classifique os choques segundo a etiologia.(0,078 pontos)
(IV) Cite 4 cardiopatias congênitas que são causas de choque cardiogênico em crianças. (0,097 pontos)
(V) Em caso de pneumotórax hipertensivo que tipo de choque que se encontra, frequentemente? (0,078 pontos)


RATING: 2.94

(I) Define e descreva o choque compensado. (0,091 pontos)
(II) Define e descreva o choque hiperdinâmico. (0,156 pontos)
(III) Classifique os choques segundo a etiologia.(0,078 pontos)
(IV) Cite 4 cardiopatias congênitas que são causas de choque cardiogênico em crianças. (0,097 pontos)
(V) Em caso de pneumotórax hipertensivo que tipo de choque que se encontra, frequentemente? (0,078 pontos)

(I) Define e descreva o choque compensado.

O choque é classificado como compensado ou descompensado (0,013 p) , de acordo com seu efeito na pressão arterial. (0,013 p)

O choque é definido como compensado (0,013 p) quando os mecanismos compensatórios (0,013 p) são capazes de manter a pressão arterial normal (0,013 p), ou seja, o paciente apresenta sinais e sintomas de perfusão tecidual inadequada (0,013 p), mas a pressão arterial sistólica é normal (0,013 p).

(II) Define e descreva o choque hiperdinâmico.

O choque é classificado segundo o débito cardíaco (0,013 p) em hipodinâmico ou frio (0,013 p) e hiperdinâmico ou quente (0,013 p).

O choque hiperdinâmico ou quente se associa a alto débito cardíaco (0,013 p) e baixa resistência vascular sistêmica (0,013 p). Caracteriza-se por extremidades quentes (0,013 p), avermelhadas (0,013 p), com alargamento da pressão de pulso (0,013 p) e perfusão periférica rápida (0,013 p). O fluxo sanguíneo é distribuído inadequadamente (0,013 p). Alguns tecidos recebem fluxo sanguíneo insuficiente (p.ex., a circulação esplâncnica) (0,013 p), enquanto outros (p.ex., pele e músculos) recebem fluxo sanguíneo excessivo em relação às suas demandas metabólicas (0,013 p).

(III) Classifique os choques segundo a etiologia.

O choque é classificado segundo a etiologia (0,013 p) em hipovolêmico (0,013 p), cardiogênico (0,013 p), distributivo (0,013 p), obstrutivo (0,013 p) e séptico (0,013 p).

(IV) Cite 3 cardiopatias congênitas que são causas de choque cardiogênico em crianças.

São as cardiopatias congênitas que evoluem com obstruções da via de saída do ventrículo esquerdo (0,013 p) - Interrupção do arco aórtico (0,021 p), coarctação da aorta (0,021 p), estenose aórtica crítica (0,021 p), síndrome do coração esquerdo hipoplásico (0,021p).

(V) Em caso de pneumotórax hipertensivo que tipo de choque que se encontra, frequentemente?

No pneumotórax hipertensivo, a compressão do pulmão (0,013 p) causa falência respiratória (0,013 p), e a compressão das estruturas mediastinais (coração e grandes vasos) (0,013 p) leva à diminuição do retorno venoso (0,013 p) e do débito cardíaco (0,013 p). Em crianças, geralmente, ocorre choque obstrutivo (0,013 p).

FONTE:

AVALIE ESSA QUESTÃO: (2.94)

CASO CLINICO: (231249 votos)..........100% dos casos clinicos receberam votos.

Paciente do sexo feminino, 68 anos, natural e procedente de região de baixa iodação do interior de São Paulo, hipertensa controlada, sem história de tireoidopatia prévia. Há cerca de 12 anos notou aumento progressivo e assimétrico do volume cervical anterior, inicialmente indoloro. Nos últimos 18 meses evoluiu com disfagia intermitente a sólidos, dispneia aos esforços e sensação de “aperto” cervical, especialmente em decúbito dorsal. Nega tremores, palpitações, intolerância ao calor, perda ponderal ou diarreia. Ao exame físico: tireoide difusamente aumentada, irregular, multinodular, de consistência fibroelástica, móvel à deglutição, sem frêmito ou sopro, sem linfonodomegalias cervicais. Exame oftalmológico sem sinais de oftalmopatia. TSH 1,8 mUI/L (VR 0,4–4,0), T4 livre 1,1 ng/dL (VR 0,8–1,8), anticorpos anti-TPO e anti-Tg negativos. Ultrassonografia cervical: glândula de volume 78 mL, múltiplos nódulos isoeocoicos e hipoecoicos bilaterais, o maior de 3,2 cm no lobo direito, com calcificações grosseiras e vascularização periférica.


I. Qual a principal suspeita diagnóstica? (0,12 pontos)
II. Qual a possível causa da doença diagnosticada? (0,09 pontos)
III. Qual a melhor modalidade para confirmar o diagnóstico? (0,09 pontos)
IV. Qual o principal diagnóstico diferencial? (0,08 pontos)
V. Qual o tratamento da moléstia? (0,12 pontos)





RATING: 3.05

I – Suspeita diagnóstica


A hipótese principal é
bócio multinodular atóxico (bócio coloide multinodular eutireoideo). (0,05 p)
A apresentação clínica clássica de aumento tireoidiano irregular, crônico e assintomático do ponto de vista funcional, associada a TSH e T4 livre normais, exclui tireotoxicose e aponta para a forma atóxica. (0,04 p)
A ausência de autoanticorpos e de sinais de oftalmopatia reforça a natureza não autoimune do processo. (0,03 p)


II – Possível causa


A etiologia predominante é a
deficiência crônica de iodo associada a fatores de crescimento tireoidiano locais (TSH, IGF-1, EGF). (0,03 p)
Em áreas de baixa iodação, a hiperestimulação prolongada do tecido tireoidiano gera hiperplasia e hipertrofia folicular, com posterior formação de nódulos coloides. (0,03 p)
Fatores genéticos e a idade avançada contribuem para a multicentricidade e a transformação nodular. (0,03 p)


III – Melhor modalidade de confirmação diagnóstica


A
ultrassonografia cervical de alta resolução é o método de escolha para confirmar a natureza multinodular e avaliar características de risco. (0,05 p)
Ela permite mensurar o volume glandular, caracterizar os nódulos (ecogenicidade, margens, calcificações, vascularização) e orientar eventual punção aspirativa. (0,02 p)
A cintilografia com radioiodo ou tecnécio não é necessária na ausência de disfunção tireoidiana. (0,02 p)


IV – Principal diagnóstico diferencial

O principal diagnóstico diferencial é o bócio difuso simples (bócio endêmico difuso) em fase inicial de nodularização. (0,05 p)

Outros diferenciais relevantes incluem tireoidite de Hashimoto em fase atrófica/nodular e carcinoma tireoidiano multicêntrico, porém a eutiroidia, a negatividade de anticorpos e o aspecto ultrassonográfico de nódulos coloides favorecem o bócio multinodular atóxico. (0,03 p)


V – Tratamento da moléstia


O tratamento de escolha nos casos com sintomas compressivos ou volume significativo é a
tireoidectomia total ou quase-total. (0,05 p)
A cirurgia alivia a compressão traqueal/esofágica e previne crescimento progressivo. (0,03 p)
Supressão com levotiroxina após a cirurgia mantém o TSH em valores baixos-normais, reduzindo o risco de recidiva. (0,02 p)
Observação clínica e ultrassonográfica seriada pode ser adotada em pacientes assintomáticos e de baixo risco. (0,02 p)


AVALIE ESSE CASO CLINICO: (3.05)




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