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Com relação ao metabolismo da glicose nos recém-nascidos, é CORRETO afirmar que:
A. recém-nascidos Pequenos para a Idade Gestacional (PIGs) ou prematuros devem ter os níveis de glicose do
sangue monitorizados durante os primeiros 3 ou 4 dias·de vida
CORRETO: Ao nascimento, o contínuo fluxo de nutrientes por meio da placenta é interrompido e o Recém-Nascido (RN) tem de se adaptar a uma nutrição intermitente, com produtos que requerem digestão e absorção, antes de entrarem em sua circulação e promover a homeostase da glicose. Esses mecanismos são integrados e, em parte, mediados pelo sistema neuroendócrino, que é um dos pontos mais importantes para o sucesso dessa adaptação. Ao nascer, com o corte de nutrientes, o neonato tem de mobilizar glicose e outros substratos para o seu metabolismo. Portanto, isso envolve um bem orquestrado número de eventos endócrinos e metabólicos, que resultam em respostas adaptativas para uma satisfatória existência independente. Ao nascimento, a glicemia do RN declina de 80 a 105 mg/dL para 40 a 60 mg/dL, atingindo o nadir ao redor de 2 horas. Após este período, aumenta espontaneamente, atingindo um platô em 2 a 4 horas. Essa queda da glicemia plasmática é mais acentuada em RN-s pré-termo ou pequenos para a idade gestacional. O neonato sadio, nas primeiras 6 horas de vida, mantém uma glicemia entre 40 e 80 mg/dL; esse nível aumenta paulatinamente, com o início da alimentação, situando-se entre 45 e 90 mg/dL após 24 horas de vida.
B. a hipoglicemia é mais comum de ocorrer nos recém-nascidos Grandes para a Idade Gestacional (GIG) do
que nos PIGs
INCORRETO : Os RNs prematuros, pequenos e grandes para a idade gestacional ou doentes são particularmente suscetíveis a alterações do metabolismo dos carboidratos, culminando em desequilíbrios da homeostase da glicose, provocando hipo ou hiperglicemia. Esses 2 distúrbios metabólicos são potencialmente graves, pois podem levar a alterações no sistema nervoso central, tanto por lesão primária da célula nervosa como por hemorragias intracranianas, também com consequente lesão celular. Por todas essas razões, é preconizado que os RNs de risco, prematuros, pequenos e grandes para a idade, devem ter a glicemia monitorizada periodicamente no decorrer das primeiras horas de vida.
C. um nível de glicose < 50 mg/dL a qualquer hora, em qualquer recém-nascido, merece avaliação e tratamento
INCORRETO : Glicemia <40mg/dL, em qualquer RN, com qualquer idade gestacional e cronológica, deve ser considerada como hipoglicemia, necessitando de tratamento adequado.
D. na policitemia, a explicação que se tem para a hiperglicemia é o excesso de glicose que é oferecida nos soros
usados para exsanguineotransfusão parcial
INCORRETO : A policitemia é definida por um hematócrito venoso maior ou igual 65% (o Ht capilar do RN geralmente é 10% mais elevado que o Ht venoso correspondente). Mãe diabética, retardo do crescimento intrauterino, transfusão gêmeo a gêmeo e grandes transfusões placentárias são fatores que identificam os RNs de risco. Dessa forma, o distúrbio da glicose que pode se associar à policitemia é a hipoglicemia e não a hiperglicemia.
E. a hipoglicemia, identificada com fita reagente (hemoglicoteste) < 40mg/dl, requer tratamento imediato com
administração de glicose intravenosa, independente da situação clínica do recém-nascido
INCORRETO : O diagnóstico ou tratamento da hipoglicemia não pode ser baseado só em screening de fita, uma vez que a concentração de glicose sanguínea é 10 a 15% inferior à plasmática e a glicemia capilar (Dextrostix®) pode fornecer resultados variáveis se não for realizada adequadamente (extremidades frias, sem arterialização prévia via aquecimento, gota não espessa) e/ou se fitas estiverem fora do prazo de validade.
Gabarito: A
RATING: 3 ![]()
FONTE:
Um menino de 16 anos de idade é levado ao pronto-socorro
pelo EMS com uma temperatura de 42°C e atividade convulsiva. Ele foi transferido de um centro cirúrgico às 9 da manhã
após extrações dentárias, para qual ele recebeu um breve anestésico geral e estava da sala de recuperação quando se tornou
febril e hemodinamicamente instável. O paciente apresenta ritmo cardíaco e pulso, porém mínimo esforço respiratório. Antes
de sua chegada, ele estava entubado, e o acesso IV foi estabelecido. Uma dose de lorazepam foi administrada no menino antes
do transporte. Ele apresenta um histórico de depressão, para a
qual ele toma fenelzina, um inibidor da monoamina oxidase
(MAO). Uso de drogas foi negado pelos seus pais.
O menino é irresponsivo no exame físico. Seus sinais vitais são: pressão sanguínea de 150/86, pulso de 140, frequência respiratória de 22 (ventilação manual), temperatura de 42,5°C. A auscultação do tórax revela sons respiratórios normais. O ritmo é de taquicardia sinusal, com ondas T apiculadas. Não há sopros cardíacos. Outra parte do exame físico que se mostra anormal é o exame neurológico. O menino permanece irresponsivo à dor ou voz. Ambas as pupilas apresentam um diâmetro de 4 mm, são simétricas e reativas à luz. O tônus muscular está aumentado com hiperreflexia generalizada e mioclonia. Os resultados da gasometria são: pH de 7,07, PCO2 de 74, P02 de 98, excesso de base (BE) de -8.
1) Apontem a principal suspeita diagnostica. (0,25 pontos)
2) Julgando pela gasometria, que disturbio hidroeletrolitico é mais provável? (0,25 pontos)
1) Apontem a principal suspeita diagnostica. (0,25 pontos)
Hipertermia é definida como uma elevação da temperatura corporal central acima de 37,5°C Ao contrário da febre, que é uma resposta inflamatória ativada por citocinas, a hipertermia é uma falha da termorregulação. Obviamente, na criança que apresenta uma temperatura elevada, frequentemente não é claro se você está lidando com uma febre inflamatória ou com um estado hipertérmico. Dada a ausência e um histórico de características inflamatórias ou clínicas de uma doença infecciosa, deve-se assumir que a criança descrita neste caso possui um estado hipertérmico associado a uma das medicações recebidas durante seu tratamento médico ou, talvez, a uma medicação ingerida por ele mesmo.
Dada a proximidade deste evento a um anestésico geral, a primeira causa de hipertermia a ser considerada é hipertermia maligna (MH). Os achados clínicos iniciais na MH incluem espasmos do músculo masseter, rigidez muscular generalizada, taquicardia sinusal, aumento na produção de CO2, resultando em hipercarbia e elevação na temperatura corporal. Instabilidade hemodinâmica, anormalidades eletrolíticas e coagulação intravascular disseminada ocorrem posteriormente. Apropriadamente tratada, a MH apresenta uma mortalidade inferior a 5%.2) Julgando pela gasometria, que disturbio hidroeletrolitico é mais provável? (0,25 pontos)
Quando há uma alteração aguda na PCO2 de 10 mmHg, haverá um deslocamento de 0,08 unidade de pH na direção oposta. Em outras palavras, ocorre queda no pH conforme a PCO2 aumenta. A acidose ou alcalose presente é puramente respiratória, quando todas as alterações são explicadas por alterações na PCO2. Quando há uma alteração no BE de 10 mEq/L, ocorre um deslocamento de 0,15 unidade de pH na mesma direção. O processo é inteiramente metabólico, quando todas as alterações são explicadas por uma alteração no BE. Assumindo uma gasometria normal de 7,40; PCO2 de 40; PO2 de 100; BE de 0, no caso apresentado, a PCO2 está aproximadamente 35 mmHg acima da PCO2 normal. Dividido por 10 e multiplicado por 0,08, é de se esperar que o pH seja 0,28 menor que o pH normal de 7,40, ou seja 7,12. Neste caso, o pH é de 7,07 com um déficit de base de -10, e uma acidose metabólica também está presente.
Em todos os estados hipertérmicos, é provável que o paciente apresente uma acidose mista. Uma elevação das enzimas musculares significativa o bastante para causar insuficiência renal, e elevação das concentrações séricas de potássio e fosfato também está provavelmente presente. Estas aberrações resultam em grande parte da lesão na membrana muscular, da subsequente liberação de conteúdos intracelulares, e do desafio hemodinâmico de uma hipertermia significativa.
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