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RATING: 3 ![]()
Mulher de 62 anos com doença renal crônica (DRC) G3b A3 por nefropatia diabética apresenta fósforo sérico ainda no limite superior da normalidade, cálcio iônico normal, 25-hidroxivitamina D insuficiente e paratormônio (PTH) já discretamente elevado. Sobre o eixo FGF23 (fator de crescimento fibroblástico 23)–klotho–calcitriol no distúrbio mineral e ósseo da DRC (CKD-MBD, Chronic Kidney Disease–Mineral and Bone Disorder), assinale a alternativa correta:
A. O FGF23 só se eleva após o fósforo ultrapassar 6,5 mg/dL e, portanto, não tem papel nas fases G3a–G3b
INCORRETO: O FGF23 sobe já em G2–G3, quando o fósforo sérico ainda é normal. Esperar hiperfosfatemia grave para atribuir papel ao FGF23 inverte a cronologia do CKD-MBD
B. O aumento precoce do FGF23 inibe a 1-α-hidroxilase renal, reduz o calcitriol e aumenta a fosfatúria, antecedendo a hiperfosfatemia franca
CORRETO : Na perda de néfrons, o osteócito aumenta a secreção de FGF23. Esse hormônio inibe o cotransportador NaPi-IIa no túbulo proximal (fosfatúria) e suprime a 1-α-hidroxilase (queda do calcitriol). A hiperfosfatemia sérica só aparece mais tarde, quando esse mecanismo se esgota
C. O FGF23 estimula diretamente a 1-α-hidroxilase e eleva o calcitriol, o que explica a hipercalcemia típica da DRC não dialítica
INCORRETO : O FGF23 inibe, e não estimula, a 1-α-hidroxilase. Hipercalcemia não é o fenótipo habitual da DRC não dialítica; o calcitriol tende a cair
D. A proteína klotho circulante aumenta proporcionalmente ao FGF23 e potencializa a reabsorção tubular de fosfato
INCORRETO : A expressão de klotho diminui na DRC. Menos klotho reduz a ação fosfatúrica eficiente do FGF23 e agrava a retenção de fosfato. Klotho não aumenta a reabsorção de fosfato
E. O PTH eleva-se antes do FGF23 e é o principal responsável pela fosfatúria nas fases iniciais da DRC
INCORRETO : O FGF23 eleva-se antes do PTH na história natural da DRC. O PTH contribui para a fosfatúria, mas não é o primeiro sinal humoral do eixo mineral
Gabarito: B
RATING: 3.08 ![]()
FONTE:
Lactente de quatro meses saudável, nascido de parto eutócico, de termo, sem complicações perinatais, com bom desenvolvimento psicomotor e desenvolvimento estaturo-ponderal no percentil 50. Fez aleitamento materno na primeira semana de vida.
Foi internado por quadro de bronquiolite com quatro dias de evolução, com agravamento progressivo apesar de estar medicado com broncodilatador inalado e corticóide oral. Esteve sempre apirético.
Na observação salientava-se cansaço, sinais de dificuldade respiratória moderada, hipoxemia ligeira e tosse emetizante, havendo na auscultação pulmonar, um tempo expiratório prolongado e fervores crepitantes em ambos os campos pulmonares. Não se evidenciavam outras alterações significativas no exame físico.
Ao quarto dia de internamento surgiu febre (38,5ºC de temperatura axilar) acompanhada de calafrio, gemido, prostração, recusa alimentar.
Foi detectado sopro cardíaco sistólico inconstante (grau dois em seis) no bordo esquerdo do esterno, descrito como sopro contínuo no segundo espaço intercostal esquerdo. Efectuou ecocardiograma bidimensional e com Doppler a cores observando-se PCA moderada com paredes espessadas que assim permitiu o diagnostico.
Sobre o caso acíma considera as seguintes questões:
1) Considerando as caracteristicas do sopro, a idade da criança e o aspecto ecocardiografico, qual é a suspeita diagnostica principal neste caso? (0,3 pontos)
2) Qual é o agente infeccioso causal mais frequente nesta faixa etária? (0,2 pontos)
1) Considerando as caracteristicas do sopro, a idade da criança e o aspecto ecocardiografico, qual é a suspeita diagnostica principal neste caso?
R: PCA moderada com endarterite infecciosa - 0,3 p
DISCUSSÃO: Uma complicação temida da persistência de canal arterial é a endarterite infecciosa:
- pode ser observada em qualquer idade
- ocorrer êmbolos pulmonares ou sistêmicos
É uma doença rara, potencialmente grave, com incidência crescente. Apesar dos avanços tecnológicos mantém-se difícil de diagnosticar e de tratar, particularmente abaixo dos dois anos. Na criança, as cardiopatias congénitas são o principal factor de risco para endarterite infecciosa, sendo a persistência do canal arterial clinicamente silencioso uma causa muito rara.
Os sintomas mais frequentes na EI são:
- febre persistente de origem desconhecida
- manifestações inespecíficas
- mal-estar geral
- anorexia
- perda ponderal
- presença de sopro cardíaco
- fenómenos embólicos sistémicos
2) Qual é o agente infeccioso causal mais frequente nesta faixa etária?
R: Acima dos dois meses de idade, os principais agentes são Streptococci spp (0,1 p) e Staphylococcus aureus (0,1 p).
Os bacilos Gram negativos, como a Klebsiella pneumoniae são pouco comuns.
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