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Quanto ao tratamento do Hipotireoidismo Congênito, assinale a alternativa CORRETA :
A. Pode se iniciar o tratamento medicamentoso com tri-iodotironina na dose de 5 - 10 mcg/kg/dia
INCORRETO: Essa alternativa está incorreta porque o tratamento padrão para o hipotireoidismo congênito é com levotiroxina, e não com tri-iodotironina. A levotiroxina é preferida porque é convertida em tri-iodotironina (a forma ativa do hormônio) no organismo de maneira controlada.
B. O tratamento deve ser realizado com levotiroxina o mais precoce possível, para evitar sequelas neurológicas e atrasos do desenvolvimento neuropsicomotor
CORRETO : É fundamental iniciar o tratamento com levotiroxina precocemente, de preferência nas primeiras semanas de vida, para prevenir sequelas permanentes e garantir um desenvolvimento neuropsicomotor adequado.
C. O uso de medicamentos pode ser suspenso aos 3 anos de idade para reavaliação etiológica nos casos de agenesia tireoidiana confirmada ao nascimento
INCORRETO : Nos casos de agenesia tireoidiana, a criança não tem a glândula tireoide ou parte dela, portanto, precisará de reposição hormonal permanente. Assim, a suspensão do tratamento aos 3 anos não é indicada nesses casos.
D. O uso de levotiroxina é mandatário no tratamento e a substância pode ser manipulada para facilitar a administração em gotas ao recém-nascido
INCORRETO : Enquanto o uso de levotiroxina é sim mandatório, geralmente não se recomenda a manipulação da forma em comprimido. A manipulação para a forma líquida pode ser feita em situações necessárias, mas a administração correta em comprimidos esmagados acompanhados de líquidos é o método preferido.
E. O jejum não é importante para a ingestão de levotiroxina.
INCORRETO : A absorção de levotiroxina pode ser afetada pela presença de alimentos no trato gastrointestinal, por isso, recomenda-se a administração do medicamento em jejum, geralmente 30 a 60 minutos antes da primeira refeição do dia.
Gabarito: B
Cite e explique o motivo para a realização, antes da alta hospitalar, de todos os testes de triagem neonatal, conforme recomendação do Ministério da Saúde.
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Cite e explique o motivo para a realização, antes da alta hospitalar, de todos os testes de triagem neonatal, conforme recomendação do Ministério da Saúde.
A recomendação do Ministério da Saúde é realizar, antes da alta da maternidade (0,01 p) , o conjunto da triagem neonatal:
Essas triagens são as ações obrigatórias do alojamento conjunto antes da alta (0,01 p).
O motivo central é garantir cobertura universal e impedir perda de seguimento (0,12 p).
A triagem existe para detectar doenças na fase pré-sintomática (0,08 p).
Detectar cedo permite intervenção precoce (dieta, hormônio, antibiótico, implante/AASI, cirurgia ocular, prostaglandina/cirurgia cardíaca) e, com isso (0,08 p),
Prevenir sequelas irreversíveis e óbito (deficiência intelectual, surdez, ambliopia/cegueira, choque ou morte no fechamento do canal arterial). (0,08 p)
Há ainda janela temporal biológica: o coraçãozinho deve ser feito entre 24 e 48 horas, ainda internado, porque a oximetria perde sentido se o canal já se fechou em casa; o pezinho só após 48 horas e ingestão proteica (evitar falso-negativo de fenilcetonúria e falso-positivo de TSH); olhinho e orelhinha são factíveis nos primeiros dias, no próprio serviço. (0,08 p)
FONTE:
Mulher de 36 anos, G2P2, 14 semanas após parto vaginal a termo, em amamentação exclusiva. Na gestação, anti-TPO positivo (320 UI/mL) com TSH e T4 livre normais; não usou levotiroxina. Há 4 semanas apresentou quadro viral de vias aéreas superiores (odinofagia, mialgia, febrícula), autolimitado. Há 10 dias surge dor intensa na face anterior do pescoço, com irradiação para a mandíbula e o ouvido direitos, pior à deglutição e à palpação, acompanhada de sudorese, palpitações, tremor fino e insônia. Nega diplopia, oftalmopatia, prurido ocular ou perda ponderal prévia à fase dolorosa.
Exame: T 37,8 °C; FC 112 bpm; PA 128/72 mmHg. Tireoide difusamente aumentada, consistência firme, extremamente dolorosa à palpação, sem eritema cutâneo, sem flutuação e sem linfonodomegalia cervical dominante. Sem oftalmopatia. Reflexos vivos. Sem sinais de compressão de via aérea.
Laboratório: TSH < 0,01 mUI/L; T4 livre 3,4 ng/dL (VR 0,8–1,8); T3 livre 6,8 pg/mL (VR 2,3–4,2); anti-TPO 410 UI/mL; TRAb negativo; VHS 82 mm/h; PCR 48 mg/L; leucócitos 11.200/mm³ sem desvio à esquerda; hemoglobina 11,8 g/dL. Ultrassonografia: glândula aumentada, heterogênea, hipoecoica, com vascularização reduzida ao Doppler. Cintilografia não realizada (amamentação).
(I) Qual o diagnóstico mais provável e quais elementos do caso o sustentam frente às demais tireoidites? (0,1 pontos)
(II) Como se explica o perfil hormonal atual e por que tionamidas não estão indicadas? (0,1 pontos)
(III) Quais achados separam este quadro da doença de Graves, da tireoidite pós-parto clássica e da tireoidite aguda supurativa? (0,1 pontos)
(IV) Qual a conduta terapêutica imediata, considerando dor, tireotoxicose e amamentação? (0,1 pontos)
(V) Qual a evolução natural esperada, o risco de hipotireoidismo permanente e o plano de seguimento? (0,1 pontos)
O diagnóstico mais provável é tireoidite subaguda granulomatosa de De Quervain (0,04 p). Sustentam essa hipótese: dor tireoidiana intensa com irradiação para mandíbula e ouvido (0,02 p); pródromo de infecção de vias aéreas superiores (0,01 p); VHS e PCR marcadamente elevadas (0,02 p); e o fato de a tireoidite pós-parto clássica ser indolor e cursar com VHS habitualmente normal (0,01 p).
Trata-se de tireotoxicose destrutiva (0,03 p): o TSH baixo com T4 livre elevado resulta da liberação de hormônio pré-formado pelos folículos lesionados, e não de síntese aumentada (0,03 p). Se a captação de iodo radioativo pudesse ser feita, estaria baixa na fase tireotóxica (0,02 p). Tionamidas (metimazol/PTU) são ineficazes, porque não há hiperprodução glandular a bloquear (0,02 p).
Dor leve a moderada: AINE (ibuprofeno ou equivalente) como primeira linha (0,02 p). Dor intensa ou falha do AINE em poucos dias: glicocorticoide (p. ex., prednisona 15–40 mg/dia, com desmame gradual) (0,03 p). Sintomas adrenérgicos: betabloqueador (propranolol ou equivalente compatível com amamentação) (0,02 p). Não iniciar tionamidas (0,01 p). Cintilografia com iodo/tecnécio está contraindicada na amamentação (0,02 p).
Curso clássico trifásico: tireotoxicose → hipotireoidismo transitório → recuperação (0,03 p). A maioria retorna ao eutireoidismo em até 12 meses (0,02 p). Hipotireoidismo permanente ocorre em cerca de 5–15% na De Quervain e em 15–50% na tireoidite pós-parto (0,03 p). Reavaliar TSH/T4 livre a cada 4–8 semanas; usar levotiroxina se houver hipotireoidismo sintomático, TSH > 10 mUI/L ou desejo de nova gestação (0,02 p).
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