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Escolar, nove anos, é trazido à emergência apresentando há três horas dor abdominal intensa epigástrica, vômitos incoercíveis e febre (38ºC). A criança assume posição antálgica com flexão de quadril e joelhos, deitando de lado. História patológica: asma brônquica; epilepsia (usa ácido valproico). Exame físico: irritado, desidratado; distensão abdominal, massa palpável em epigástrio. O exame laboratorial mais específico para o diagnóstico, neste caso, é:
A. lipase
CORRETO: Em um escolar com dor abdominal forte, vômitos incoercíveis e típica posição antálgica, com história de uso de ácido valpróico, a pancreatite deve ser sempre lembrada. Dentre os principais medicamentos causadores de pancreatite aguda na criança encontra-se o ácido valpróico. Considerando esta hipótese, a dosagem de lípase sérica é considerada atualmente como de escolha para seu diagnóstico laboratorial, sendo mais específica que a amilase já que aumenta em 4 a 8 horas com pico entre 24 e 48 horas, mantendo-se elevada por 8 a 14 dias a mais que a amilase (que se mantém elevada por cerca de 4 dias).
B. glicemia
INCORRETO : A hipertrigliceridemia pode ser causa de pancreatite, mas por si não ajuda no diagnóstico, assim como a hiperglicemia.
C. amilase
INCORRETO : veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
D. triglicérides
INCORRETO : veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
E. creatinfosfoquinase CPK
INCORRETO : A creatinofosfoquinase (CPK) é uma enzima que desempenha um importante papel regulador no metabolismo dos tecidos contráteis. Está presente principalmente nos músculos, tecido cardíaco e no cérebro. Na eletroforese, podem ser identificadas três isoenzimas: CPK-BB é a forma encontrada no cérebro; a CPK-MB é forma encontrada no miocárdio (músculo cardíaco), e a CPK-MM é forma encontrada no músculo estriado.
As duas maiores variantes conhecidas são denominadas macro-CPK, tipos 1 e 2. A macro-CPK do tipo 1 é comumente observada em idosos, especialmente em mulheres. A do tipo 2 está presente em pacientes que apresentam um quadro de metástases tumorais ou outras enfermidades de alta gravidade. A macro-CPK pode interferir na análise da CPK-MB, elevando os seus níveis.
Gabarito: A
Descreva a sequência de sintomas oculares decorrentes da hipovitaminose A. (0,5 pontos)
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Descreva a sequência de sintomas oculares decorrentes da hipovitaminose A. (0,5 pontos)
Sequência dos sintomas oculares:
O primeiro sintoma é a cegueira noturna / nictalopia (XN) (0,12 p): o paciente enxerga mal ao entardecer, a criança tropeça ou recusa-se a brincar no escuro. Segue-se a xerose conjuntival (X1A) (0,08 p): a conjuntiva perde o brilho, fica opaca, enrugada e seca pela perda de células de Goblet e de mucina. Sobre esse terreno surgem as manchas de Bitot (X1B) (0,10 p): placas branco-acinzentadas, espumosas, em geral na conjuntiva bulbar temporal junto ao limbo (células queratinizadas descamadas + Corynebacterium xerosis). Atingida a córnea, aparece a xerose corneana (X2) (0,08 p): superfície fosca, opaca, com erosões pontilhadas — último estágio em que a reposição em alta dose ainda pode preservar a visão basal. Sem tratamento, evolui para úlcera de córnea / ceratomalácia (X3A se < 1/3; X3B se ≥ 1/3) (0,08 p): necrose coliquativa, amolecimento e risco de perfuração (emergência). A sequela é a cicatriz corneana (XS) (0,04 p), com prejuízo visual estrutural. O fundus xeroftálmico (XF) é raro e de deficiência crônica.
FONTE:
A) Qual é o diagnóstico da urgência?
Anafilaxia. (0,0625 p)
Discussão: A anafilaxia é altamente provável quando qualquer um dos três critérios abaixo for preenchido:
1) Doença de início agudo (minutos a várias horas) com envolvimento da pele, tecido mucoso ou ambos (ex: urticária generalizada, prurido ou rubor facial, edema de lábios, língua e úvula) e pelo menos um dos seguintes:
a) comprometimento respiratório (ex: dispneia, sibilância, broncoespasmo, estridor, redução do pico de fluxo expiratório
[PFE], hipoxemia).
b) Redução da pressão arterial ou sintomas associados de disfunção terminal de órgão (ex: hipotonia [colapso], síncope, incontinência).
2) Dois ou mais dos seguintes que ocorrem rapidamente após a exposição a provável alérgeno para um determinado paciente (minutos ou várias horas):
a) envolvimento de pele-mucosa (urticária generalizada, prurido e rubor, edema de lábio-língua-úvula).
b) comprometimento respiratório (dispneia, sibilância-broncoespasmo, estridor, redução do PFE, hipoxemia).
c) Redução da pressão sanguínea ou sintomas associados (ex: hipotonia [colapso], síncope, incontinência).
d) Sintomas gastrintestinais persistentes (ex: cólicas abdominais, vômitos).
3) Redução da pressão sanguínea após exposição a alérgeno conhecido para determinado paciente (minutos ou várias horas):
a) Lactentes e crianças: pressão sistólica baixa (idade específica) ou maior do que 30% de queda na pressão sistólica
b) Adultos: pressão sistólica abaixo de 90 mmHg ou queda maior do que 30% do seu basal.
Na criança pressão sistólica baixa é definida como inferior a 70 mmHg para a idade de um mês a um ano, menor do que (70 mmHg + [2 x idade]) para os de um a dez anos e abaixo de 90 mmHg para os entre 11 e 17 anos.
B) Qual é a sequência correta de atendimento?
A imediata intervenção para o acesso às vias aéreas e à circulação, com o objetivo principal da manutenção adequada dos sinais vitais, é o primeiro passo na conduta emergencial. Desta forma, o médico deve necessariamente:
1. manter as vias aéreas pérvias (0,0625 p)
2. avaliar os sinais vitais (0,0625 p)
3. administrar adrenalina concentração 1/1000, na dose de 0,2 a 0,5 mL (0,01 mg/kg em crianças, máximo de 0,3 mg) por via intramuscular (preferencial, por apresentar nível sérico mais elevado e em maior rapidez que a aplicação subcutânea) na face ântero-lateral da coxa a cada cinco a dez minutos (0,0625 p)
4. oxigenioterapia (0,0625 p)
5. manter o paciente em posição supina com elevação dos pés. (0,0625 p)
C) Quanto tempo o paciente tem que ser mantido em observação, depois de ser estabilizado?
O paciente deve permanecer em observação por 2 a 24 horas ou até se estabelecer o controle da crise aguda. (0,0625 p)
D) Quais são as medidas que devem ser tomadas, no momento da alta?
Na alta da emergência deve receber prescrição de anti-histamínicos e corticosteroides por via oral pelo prazo de cinco a sete dias e ser orientado a procurar assistência medica especializada. (0,0625 p)
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