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Oito semanas após herpes-zóster oftálmico, homem de 74 anos apresenta hemiparesia esquerda e disartria. A angio-TC (tomografia computadorizada) sugere estenose da artéria cerebral média direita. O mecanismo mais coerente é:
A. Embolia paradoxal por forame oval patente, sem relação com o VZV (vírus varicela-zóster)
INCORRETO: O forame oval não explica estenose arterial ipsilateral ao zóster oftálmico recente
B. Encefalite herpética temporal clássica por HSV-1 (vírus herpes simples tipo 1)
INCORRETO : A encefalite por HSV-1 é temporolímbica com crise e rebaixamento, não estenose de ACM semanas após zóster de V1
C. Vasculopatia cerebral pelo VZV, com arterite de médio calibre após zóster do território de V1 (primeira divisão do trigêmeo)
CORRETO : O VZV invade artérias intracranianas a partir do gânglio trigeminal e produz AVC isquêmico, classicamente contralateral ao zóster oftálmico, semanas a meses depois
D. Enxaqueca hemiplégica familiar como única hipótese possível
INCORRETO : Enxaqueca hemiplégica não gera estenose arterial documentada nesse contexto
E. Hematoma subdural crônico por compressão do gânglio de Gasser
INCORRETO : O gânglio de Gasser não “sangra” para o espaço subdural como mecanismo deste déficit focal
Gabarito: C
RATING: 2.91 ![]()
FONTE:
Homem de 68 anos, coronariopata, fibrilação atrial persistente e fração de ejeção 38%. Usa amiodarona 200 mg/dia há 18 meses, varfarina, carvedilol 6,25 mg 2×/dia e enalapril.
Há 6 semanas: emagrecimento de 5 kg, tremor, insônia, calor intolerável e piora das palpitações, com idas recorrentes à emergência por FA de alta resposta. Nega dor cervical, febre, pródromo viral, oftalmopatia, uso de contraste iodado recente e história pessoal de bócio.
Exame: emagrecido, sudoreico, FC 128 bpm irregulares, PA 108/64 mmHg. Tireoide de volume normal, indolor, sem nódulos palpáveis, sem sopro e sem sinais orbitários. Sem edema cervical nem flutuação.
Laboratório: TSH < 0,01 mUI/L; T4 livre 4,1 ng/dL (muito alto); T3 livre 4,9 pg/mL (aumento desproporcionalmente menor que o do T4); anti-TPO negativo; TRAb negativo; VHS 18 mm/h; IL-6 42 pg/mL (elevada); leucócitos 6.900/mm³. Ultrassonografia: glândula tópica, sem nódulos, ecoestrutura discretamente heterogênea, Doppler com fluxo reduzido. Cintilografia: captação muito baixa (interpretação limitada pela sobrecarga iodada da amiodarona). ECG: FA 120–140 bpm. Troponina negativa; BNP elevado no basal conhecido.
(I) Qual o diagnóstico mais provável da disfunção tireoidiana? (0,1 pontos)
(II) Como a amiodarona altera o perfil T4/T3/TSH e qual o mecanismo da tireotoxicose neste paciente? (0,1 pontos)
(III) Quais critérios separam AIT tipo 1, AIT tipo 2 e forma mista? (0,1 pontos)
(IV) Qual a conduta imediata sobre corticoide, tionamida, betabloqueador e manutenção da amiodarona? (0,1 pontos)
(V) Qual a evolução esperada e o que vigiar após a fase tireotóxica? (0,1 pontos)
(I) Diagnóstico
O diagnóstico mais provável é tireotoxicose induzida por amiodarona tipo 2 (tireoidite destrutiva) (0,04 p). Sustentam: glândula de volume normal e indolor (0,02 p); Doppler com fluxo reduzido (0,02 p); ausência de nódulos, anti-TPO e TRAb (0,02 p).
A amiodarona inibe a desiodase tipo 1, o que eleva o T4 e mantém o T3 relativamente mais baixo (0,03 p). No início do uso, o TSH pode cair mesmo sem tireotoxicose verdadeira (0,02 p). Neste caso, a tireotoxicose é destrutiva: liberação de hormônio pré-formado pela toxicidade lisossomal da amiodarona sobre o tireócito (0,03 p). A captação de iodo costuma ser baixa, também pela sobrecarga iodada do fármaco (0,02 p).
No tipo 2 puro, a base é glicocorticoide (prednisona em torno de 40 mg/dia, com desmame lento) (0,03 p). Tionamidas não são primeira linha no tipo 2 isolado, porque não há hiperprodução a bloquear (0,02 p). A suspensão da amiodarona não é automática: a meia-vida é de semanas a meses e a decisão é conjunta com a cardiologia (0,03 p). Betabloqueador deve ser otimizado se a função ventricular permitir, para controle da resposta ventricular (0,02 p).
A AIT tipo 2 é, em geral, autolimitada em semanas a meses (0,03 p). Após a fase destrutiva, o hipotireoidismo subsequente é comum e pode exigir levotiroxina — sobretudo se a amiodarona for mantida (0,03 p). O corticoide deve ser retirado lentamente; desmame precoce favorece recidiva da tireotoxicose (0,02 p). Reavaliar TSH e T4 livre de forma periódica mesmo após a aparente resolução (0,02 p).
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