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Um recém-nascido pré-termo, com 27 semanas de idade gestacional e peso de nascimento = 840 g, encontra-se em incubadora de dupla parede, umidificada, e apresenta perda de peso = 25 g no 2º dia de vida, com débito urinário = 0,8 mL/kg/h. O sódio plasmático é de 150 mEq/L e a oferta hídrica prescrita, de 80 mL/kg/d. Nesse momento, considerando as peculiaridades hidroeletrolíticas do recém-nascido de extremo baixo peso, é CORRETO adotar a seguinte conduta:
A. manter a mesma oferta hídrica e não iniciar sódio
INCORRETO: Manter a mesma oferta hídrica pode perpetuar o estado de desidratação e hipernatremia.
B. prescrever inicialmente uma expansão de volume com SF a 0,9%, pois se trata de desidratação por perdas insensíveis e posteriormente aumentar a oferta hídrica
INCORRETO : Expansão de volume com SF 0,9% não é apropriada neste caso, pois a hipernatremia é mais provavelmente devido a uma oferta hídrica insuficiente, não a hipovolemia aguda ou choque.
C. prescrever uma expansão de volume com SF a 0,9%, devido a uma desidratação hipernatrêmica com risco de choque hipovolêmico e convulsão, e posteriormente aumentar a oferta hídrica
INCORRETO : veja o comentário da alternativa indicada pelo gabarito correto
D. aumentar a oferta hídrica e não iniciar sódio, pois nesse caso a hipernatremia pode ser causada pela oferta hídrica insuficiente
CORRETO : Para analisar a conduta correta, precisamos considerar algumas peculiaridades dos recém-nascidos pré-termo de extremo baixo peso:
Perda de peso: É comum em recém-nascidos pré-termo devido a perdas de água insensíveis mais altas e à transição de fluidos entre compartimentos corporais.
Hidratação: A hipernatremia (sódio plasmático de 150 mEq/L) sugere que a oferta hídrica de 80 mL/kg/d pode estar insuficiente.
Débito urinário: O débito de 0,8 mL/kg/h é um pouco baixo e sugere que o bebê pode estar levemente desidratado.
Com base nisso, a conduta mais adequada seria aumentar a oferta hídrica e não iniciar sódio.
E. prescrever uma dieta com leite de aminoácidos via sonda gastroenteral e hidratação endovenosa com 5 ml/kg/24 h, solução hipernatrêmica
INCORRETO : Administrar uma dieta de aminoácidos e solução hipernatrêmica não é indicado, pois a abordagem deve se concentrar no aumento da oferta hídrica para corrigir a hipernatremia.
Gabarito: D
RATING: 3.06 ![]()
FONTE:
Exame: toxemiado, T 39,1 °C, FC 142 bpm, FR 28 irpm, SatO₂ 97% em ar. Assimetria cervical esquerda com eritema cutâneo, calor local, dor extrema à palpação e área de flutuação sobre o lobo esquerdo. Desvio contralateral da traqueia à palpação. Sem oftalmopatia. Pregas vocais móveis à nasofibroscopia de urgência; edema da parede faríngea esquerda.
Laboratório: leucócitos 21.800/mm³ com 18% de bastões; PCR 186 mg/L; VHS 94 mm/h; TSH 1,9 mUI/L; T4 livre 1,2 ng/dL; anti-TPO negativo; TRAb negativo. Hemocultura colhida. Ultrassonografia: lobo esquerdo aumentado, coleção heterogênea de 2,8 cm com debris e reforço posterior, fluxo periférico. TC com contraste: abscesso do lobo esquerdo com extensão peritireoidiana, sem compressão crítica da via aérea. PAAF guiada: pus amarelo-esverdeado; Gram com cocos Gram-positivos e flora mista; cultura posteriormente positiva para Streptococcus anginosus e anaeróbios.
(I) Qual o diagnóstico etiológico mais provável e por que o lado esquerdo importa? (0,1 pontos)
(II) Por que este quadro não é De Quervain e por que a tireoide “resiste” à infecção? (0,1 pontos)
(III) Qual a sequência racional de exames para confirmar abscesso e fístula? (0,1 pontos)
(IV) Qual a conduta da fase aguda (antibiótico, drenagem, o que não fazer)? (0,1 pontos)
(V) Como se trata a fístula para impedir nova recidiva? (0,1 pontos)
(I) Diagnóstico
O diagnóstico é tireoidite aguda supurativa com abscesso do lobo esquerdo (0,03 p), secundária a fístula do seio piriforme (remanescente do 3º ou 4º arco/bolsa branquial) (0,04 p). Essa anomalia desemboca quase sempre no lobo esquerdo (cerca de 90–94% dos casos) (0,02 p). A recidiva após corticoide e sem fechamento do trajeto é a pista clássica da fístula persistente (0,01 p).
A De Quervain cursa com dor e VHS alta, mas sem eritema, flutuação ou pus, e em geral com tireotoxicose destrutiva — aqui a criança está eutireoidiana e tóxica, com leucocitose e desvio (0,04 p).
A glândula é naturalmente resistente à infecção por cápsula fibrosa, rica vascularização e alto teor de iodo (0,03 p). Por isso, na criança imunocompetente, a TAS praticamente exige porta de entrada congênita; a função tireoidiana costuma permanecer preservada (0,03 p).
A ultrassonografia é o exame inicial: coleção hipoecoica no lobo esquerdo (0,02 p). A PAAF confirma pus e permite Gram/cultura (0,03 p).
A TC delimita extensão, via aérea e espaços profundos (0,02 p).
Esofagograma baritado e laringoscopia/hipofaringoscopia devem ser feitos na fase fria (em geral 4–8 semanas), porque o edema agudo oblitera o trajeto e gera falso-negativo (0,03 p).
Iniciar antibiótico intravenoso de amplo espectro (0,02 p) cobrindo aeróbios e anaeróbios da flora orofaríngea (amoxicilina-clavulanato, ceftriaxona + clindamicina, ou equivalente), depois desescalonar pela cultura (0,03 p) . Abscesso: drenagem por PAAF guiada (repetida se preciso) ou incisão se houver coleção grande, sepse ou ameaça de via aérea (0,03 p). Não usar glicocorticoide como se fosse De Quervain — piora a infecção (0,02 p).
O tratamento da fase aguda não fecha o trajeto; a correção é na fase fria, para impedir recidiva (0,03 p). Em crianças menores (em especial < 8 anos), prefere-se cauterização endoscópica do óstio no seio piriforme (0,03 p). Alternativa definitiva: cirurgia aberta com fistulectomia ± hemitireoidectomia esquerda (0,02 p). Incisão e drenagem isoladas têm alta taxa de recidiva (próxima de 90% em séries de anomalia do 4º arco) (0,02 p).
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