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A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA (ÁREA DE SAUDE PUBLICA)

Vigilância epidemiológica foi definida como "o conjunto de atividades que permite reunir a informação indispensável para conhecer, a qualquer momento, o comportamento ou história natural das doenças, bem como detectar ou prever alterações de seus fatores condicionantes, com o fim de recomendar oportunamente, sobre bases firmes, as medidas indicadas e eficientes que levem à prevenção e ao controle de determinadas doenças"


OBJETIVA: (1418073 votos)..........96.04% das questões objetivas receberam votos.
Um lactente de 2 meses é levado a uma Unidade Básica de Saúde por apresentar, de forma súbita, contrações do tronco e dos membros, flexionando-se sobre si mesmo repetidas vezes, principalmente ao acordar ou quando está prestes a dormir. O médico do posto orientou tratar-se de cólicas abdominais e receitou um antiespasmódico. Como não houve melhora, foi levado a um pronto-socorro. A respeito dessa patologia, assinale a alternativa CORRETA:
A. os achados eletroencefalográficos são inespecíficos e pouco ajudam no diagnóstico
B. a resposta a anticonvulsivantes comuns como o fenobarbital costuma ser boa
C. não há necessidade de avaliação de imagem do sistema nervoso central
D. a mãe da criança deve ser tranquilizada quanto à boa resposta ao tratamento e boa evolução neurológica e cognitiva da criança
E. a presença de manchas na pele, como hipocrômicas, pode ser importante para direcionar o diagnóstico etiológico dessa entidade

  RATING: 2.94

Um lactente de 2 meses é levado a uma Unidade Básica de Saúde por apresentar, de forma súbita, contrações do tronco e dos membros, flexionando-se sobre si mesmo repetidas vezes, principalmente ao acordar ou quando está prestes a dormir. O médico do posto orientou tratar-se de cólicas abdominais e receitou um antiespasmódico. Como não houve melhora, foi levado a um pronto-socorro. A respeito dessa patologia, assinale a alternativa CORRETA:

A. os achados eletroencefalográficos são inespecíficos e pouco ajudam no diagnóstico
INCORRETO: O eletroencefalograma (EEG) é fundamental no diagnóstico da síndrome de West, mostrando padrão característico de hipsarritmia (ondas lentas de alta amplitude com multifocais spikes e sharp waves caóticas), presente em >90% dos casos durante os espasmos ou interictal. Esse achado é altamente sugestivo e guia o tratamento precoce, evitando confusão com condições benignas; diretrizes da ILAE recomendam EEG vídeo-monitorado como exame de escolha em suspeita de espasmos infantis, não inespecífico.
B. a resposta a anticonvulsivantes comuns como o fenobarbital costuma ser boa
INCORRETO : A síndrome de West é refratária a anticonvulsivantes tradicionais como fenobarbital ou fenitoína, com taxas de resposta <20-30%. Os tratamentos de primeira linha são hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), vigabatrina ou prednisona em altas doses, com evidências de melhor controle dos espasmos e EEG (meta-análises em 'Epilepsia' mostram superioridade do ACTH em 60-80% dos casos). Usar fenobarbital empiricamente pode atrasar o controle e piorar o prognóstico cognitivo.
C. não há necessidade de avaliação de imagem do sistema nervoso central
INCORRETO : A imagem do SNC (preferencialmente RMN cerebral) é essencial para identificar etiologias subjacentes em >70% dos casos sintomáticos de síndrome de West, como malformações corticais, lesões isquêmicas perinatais, infecções congênitas ou tuberosclerose. Protocolos da American Academy of Neurology (AAN) e SBNI mandam imagem precoce para classificar como criptogênica ou sintomática, influenciando terapia e prognóstico; omiti-la pode perder janelas para intervenções etiológicas.
D. a mãe da criança deve ser tranquilizada quanto à boa resposta ao tratamento e boa evolução neurológica e cognitiva da criança
INCORRETO : A síndrome de West tem prognóstico reservado, com risco alto de atraso psicomotor, autismo ou epilepsia persistente em >70-80% dos casos, mesmo com tratamento precoce (estudos longitudinais mostram que apenas 10-20% evoluem com desenvolvimento normal). A resposta terapêutica varia (50-70% controlam espasmos, mas recidivas são comuns), e tranquilizar indevidamente pode gerar falsas expectativas; o aconselhamento deve ser realista, enfatizando monitoramento multidisciplinar e suporte familiar.
E. a presença de manchas na pele, como hipocrômicas, pode ser importante para direcionar o diagnóstico etiológico dessa entidade
CORRETO : O quadro clínico descreve espasmos infantis (ou síndrome de West), uma forma grave de epilepsia na infância caracterizada por espasmos em flexão do tronco e membros (salam spasms), tipicamente em clusters, com maior incidência ao acordar ou adormecer, iniciando entre 1-12 meses (pico aos 4-7 meses, mas possível aos 2 meses). Essa entidade é frequentemente sintomática (secundária a causas subjacentes), e a presença de manchas cutâneas hipocrômicas (como as manchas em ”folha de freix” ou ”ash-leaf” spots) é um achado clássico da esclerose tuberosa complexa (ETC), uma síndrome neurocutânea genética (mutações em TSC1/TSC2) que responde por até 10-30% dos casos de síndrome de West. Identificar esses sinais dermatológicos direciona a investigação etiológica para causas genéticas ou displásicas (ex.: sequenciamento genético, avaliação dermatológica), melhorando o manejo prognóstico e o aconselhamento familiar, conforme diretrizes da International League Against Epilepsy (ILAE) e Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI). Isso diferencia de cólicas abdominais (que não envolvem contrações clônicas e respondem a medidas como simeticona), enfatizando a necessidade de reavaliação neurológica urgente no pronto-socorro.

Gabarito:  E

AVALIE ESSA QUESTÃO: (2.94)

DISCURSIVA: (198298 votos) ..........100% das questões discursivas receberam votos.

Discuta as lesões pré-malignas do epitélio vesical, a classificação das neoplasias uroteliais papilares malignas e o estadiamento TNM do câncer de bexiga urinária.

  1. Descreva a sequência evolutiva das lesões pré-malignas e as características histológicas e moleculares da displasia urotelial. (Subtotal da questão 1 = 0,12 p)
  2. Diferencie as neoplasias uroteliais de baixo potencial maligno (NUBPM), o carcinoma urotelial de baixo grau e o carcinoma papilar urotelial de alto grau quanto a aspectos histológicos, recidiva e progressão. (Subtotal da questão 2 = 0,09 p)
  3. Explique a classificação TNM com ênfase nos estágios T (Ta, Tis, T1, T2 e subestágios).  (Subtotal da questão 3 = 0,13 p)
  4. Indique os principais métodos diagnósticos de imagem e o papel da cistoscopia no diagnóstico e estadiamento. (Subtotal da questão 4 = 0,16 p)




RATING: 3.18

Discuta as lesões pré-malignas do epitélio vesical, a classificação das neoplasias uroteliais papilares malignas e o estadiamento TNM do câncer de bexiga urinária.

  1. Descreva a sequência evolutiva das lesões pré-malignas e as características histológicas e moleculares da displasia urotelial. (Subtotal da questão 1 = 0,12 p)
  2. Diferencie as neoplasias uroteliais de baixo potencial maligno (NUBPM), o carcinoma urotelial de baixo grau e o carcinoma papilar urotelial de alto grau quanto a aspectos histológicos, recidiva e progressão. (Subtotal da questão 2 = 0,09 p)
  3. Explique a classificação TNM com ênfase nos estágios T (Ta, Tis, T1, T2 e subestágios).  (Subtotal da questão 3 = 0,13 p)
  4. Indique os principais métodos diagnósticos de imagem e o papel da cistoscopia no diagnóstico e estadiamento. (Subtotal da questão 4 = 0,16 p)


1. Sequência evolutiva das lesões pré-malignas e características da displasia urotelial

  • As lesões pré-malignas surgem no epitélio de transição e seguem sequência bem definida: 1. hiperplasia → 2. atipia → 3. displasia → 4. câncer (0,03 p).
  • Hiperplasia urotelial: aumento do número de camadas epiteliais (>7 camadas normais) + desorganização da arquitetura celular; muito frequente ao redor de tumores de baixo grau já existentes e pode representar foco de futura recorrência em pacientes tratados (0,02 p).
  • Atipia urotelial: surge como resposta a fatores externos (inflamação crônica, infecções repetidas, irritação por cálculos, cateteres ou substâncias químicas); microscopicamente: núcleos aumentados, nucléolos proeminentes e, por vezes, mitoses (0,02 p).
  • Displasia urotelial: passo adiante na escala de malignidade; características: células coalescentes, núcleos alterados de tamanho e forma, nucléolos proeminentes, figuras mitóticas anormais; alterações restritas às camadas basais e intermediárias (preserva camadas superficiais mais maduras) – diferente do CIS que compromete toda a espessura (0,03 p).
  • Do ponto de vista molecular: pode apresentar perdas do cromossomo 9 e do braço 17p (0,01 p).
  • Risco de progressão: em média 20% das displasias evoluem para CIS; sobe para até 60% quando há história prévia de câncer urotelial (0,01 p).

2. Diferenças entre NUBPM, carcinoma de baixo grau e carcinoma papilar de alto grau

  • NUBPM (antigamente tumor urotelial papilífero grau I): alterações mínimas (discreto aumento de camadas epiteliais, polaridade celular praticamente normal, lesão única); mais frequente em homens (proporção 5:1); mitoses raras; taxa de recidiva 20% a 40%, progressão rara (0% a 8%) – comportamento de baixo potencial maligno (0,03 p).
  • Carcinoma urotelial de baixo grau (antigamente grau II): tramas fibrovasculares bem formadas, ramificações papilares mais complexas, aumento do volume celular, atipia celular mais evidente e frequente, geralmente multifocal; taxa de recidiva até 60%, risco de progressão até 13% (0,03 p).
  • Carcinoma papilar urotelial de alto grau: forma mais agressiva; pilares papilares fusionados, crescimento desordenado, numerosas figuras de mitose, células pleomórficas com núcleos aumentados e hipercromáticos; recidiva em 76,5% dos pacientes (36,5% nova recorrência + 40% progressão), metástases sistêmicas em 20%, cerca de 15% dos pacientes morrem (todos os óbitos no grupo com progressão) (0,03 p).

3. Classificação TNM – ênfase nos estágios T

  • Estadiamento segue critérios da UICC (2009) e AJCC utilizando sistema TNM (T = extensão do tumor primário; N = linfonodos regionais; M = metástases) (0,02 p).
  • Camadas da parede vesical: epitélio de transição → lâmina própria (submucosa) → muscular própria (detrusor) → gordura perivesical (0,02 p).
  • Ta: tumor papilar não invasivo (0,02 p).
  • Tis: carcinoma in situ (lesão plana, não invasiva, alto grau) (0,02 p).
  • T1: invasão da lâmina própria (subdividido em T1a – superficial, sem atingir muscular da mucosa; T1b – até muscular da mucosa) (0,02 p).
  • T2: invasão da muscular própria (T2a – metade superficial/interna; T2b – metade profunda) (0,02 p).
  • Tumores Tis e Ta de alto grau são lesões precursoras que tendem a progredir para T2 (0,01 p).

4. Principais métodos diagnósticos de imagem e papel da cistoscopia

  • Hematúria indolor (macroscópica ou microscópica) é a manifestação mais frequente (até 80% dos pacientes) (0,03 p).
  • Ultrassonografia: método inicial mais empregado (baixo custo, boa acurácia para lesões >5 mm, ausência de complicações, fácil disponibilidade); mostra massa papilar hipoecoica ou espessamento focal; Doppler colorido demonstra vascularização (diferencia de coágulos); detecção de hidronefrose = marcador de pior prognóstico (invasão muscular provável); limitação: não define profundidade de infiltração (0,03 p).
  • Urografia excretora (UGE): revela tumor como bexiga de pequena capacidade com paredes espessadas/irregulares ou defeito de enchimento; importante para trato urinário superior (defeito de enchimento, estenose, hidronefrose); limitações: exige rim funcionante, difícil para tumores < 3 cm ou superficiais (0,04 p).
  • Cistoscopia rígida + ressecção transuretral + biópsia tecidual = método padrão-ouro para diagnóstico definitivo e estadiamento; permite inspeção detalhada de trígono, meatos ureterais e colo; indicada em regime ambulatorial nas mulheres; nos homens, com anestesia (0,05 p).


FONTE:

CÂNCER DE VESICA URINARIA (PLATAFORMA MISODOR)


AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.18)

CASO CLINICO: (230489 votos)..........100% dos casos clinicos receberam votos.
Paciente do sexo masculino, 50 anos de idade, portador de hérnia inguinal direita, apresentando, como comorbidades, IMC 31 e hipertensão arterial leve controlada com inibidores da ECA, será submetido à cirurgia eletiva (herniorrafia), cujo ato anestésico planejado será um bloqueio peridural.
1) Esse quadro sugere risco de trombose venosa profunda (TVP)? Justifique. (0,1 pontos)
2) Como deve ser realizada a profilaxia desse paciente, se houver risco de TVP? (0,4 pontos)


RATING: 2.46

1) Esse quadro sugere risco de trombose venosa profunda (TVP)? Justifique.
Esse paciente apresenta risco intermediário para tromboembolismo venoso profundo por ter mais de 40 anos de idade e por ter de se submeter à cirurgia que pode ter duração igual ou superior a 60 minutos. (0,1 p)
2) Como deve ser realizada a profilaxia desse paciente, se houver risco de TVP?
Deverá ser submetido à quimioprofilaxia para TVP (0,05 p) com heparina de baixo peso molecular (HBPM) (0,05 p) ou heparina não fracionada (HNF) subcutânea (0,05 p), nas doses profiláticas baixas: HNF 5.000 UI a cada 12 h (0,05 p), enoxaparina 20 mg 1x ao dia (0,05 p), dalteparina 2.500 UI 1x ao dia (0,05 p) ou nadroparina (1.900 U se < 70 Kg ou 5.700 se > que 70 Kg) 1x ao dia, com duração de 7 a 10 dias (0,05 p). A primeira dose deverá ser administrada duas horas após a realização do bloqueio peridural (0,05 p).

AVALIE ESSE CASO CLINICO: (2.46)




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