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MEGACÓLON CHAGÁSICO (ÁREA DE CIRURGIA)

A doença de Chagas representa uma infecção tropical provocada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Uma das manifestações clínicas da doença de Chagas em sua fase crônica é a forma digestiva.

O megacólon, identificado como complicação tardia da doença de Chagas, foi inicialmente relatado por Koberle na década de 1950, e desde então tem sido proposto o papel do sistema nervoso entérico intrínseco na regulação da função muscular da parede intestinal como mecanismo patogênico central.

A doença de Chagas representa uma infecção tropical de ampla distribuição, afetando cerca de 5,7 milhões de indivíduos em 21 nações, o que a classifica como uma das dez doenças tropicais prioritárias para controle e eliminação.

A infecção no hospedeiro ocorre quando formas tripomastigotas do Trypanosoma cruzi, presentes nas fezes do inseto vetor conhecido como barbeiro, penetram em lesões cutâneas ou mucosas acidentalmente após a alimentação sanguínea do triatomíneo, alcançando assim a circulação sistêmica.


OBJETIVA: (1038520 votos)..........97.79% das questões objetivas receberam votos.
A tuberculose e a hanseníase são as principais doenças infectocontagiosas manejadas na atenção primária em saúde (APS). Sobre seu manejo, é CORRETO afirmar:
A. A cultura + TS (teste de sensibilidade) atualmente é rotina na APS devido aos novos casos de resistência aos tuberculostáticos do esquema básico
B. A vantagem do TRM-TB (teste rápido molecular para tuberculose) do escarro, além do diagnóstico, é a sensibilidade ou resistência à rifampicina, que auxilia bastante o clínico
C. Hoje, tem-se o TPT (tratamento preventivo da tuberculose) nos casos de ILTB (infecção latente por tuberculose), cuja primeira escolha é o esquema 9H (Isoniazida)
D. Na hanseníase, o esquema PQT-U (polioquimioterapia única) é utilizado para os casos multibacilares e de resistência à clofazimina
E. As formas indeterminadas e dimorfas da hanseníase são consideradas multibacilares, diferentemente das formas tuberculoide e virchowiana, que são paucibacilares.

  RATING: 3.24

A tuberculose e a hanseníase são as principais doenças infectocontagiosas manejadas na atenção primária em saúde (APS). Sobre seu manejo, é CORRETO afirmar:

A. A cultura + TS (teste de sensibilidade) atualmente é rotina na APS devido aos novos casos de resistência aos tuberculostáticos do esquema básico
INCORRETO: Embora a cultura e o TS sejam o padrão-ouro para confirmação etiológica, identificação de espécies e avaliação de resistência (incluindo a esquemas básicos como RHZE), eles não são procedimentos rotineiros realizados diretamente na APS. De acordo com as diretrizes, a APS prioriza métodos descentralizados como baciloscopia e TRM-TB para triagem inicial, enquanto a cultura + TS é indicada em casos específicos (ex.: TRM-TB positivo, suspeita de resistência, falha terapêutica, re-tratamento ou populações vulneráveis) e realizada em laboratórios de referência (como Lacen ou LRE), com tempo de resultado de 5-42 dias. O aumento de resistência justifica seu uso seletivo, mas não o torna 'rotina na APS', evitando sobrecarga no nível primário.
B. A vantagem do TRM-TB (teste rápido molecular para tuberculose) do escarro, além do diagnóstico, é a sensibilidade ou resistência à rifampicina, que auxilia bastante o clínico
CORRETO : Isso está alinhado com as recomendações do Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil (2ª edição), onde o TRM-TB (como o GeneXpert) é destacado como método rápido para detecção do Mycobacterium tuberculosis e triagem de resistência à rifampicina (RR) em cerca de 2 horas, com sensibilidade de cerca de 90% em adultos para casos pulmonares. Essa detecção de RR é crucial para identificar potenciais casos de TB multirresistente (MDR), permitindo ajustes imediatos no esquema terapêutico e referência para unidades especializadas, o que efetivamente auxilia o clínico na APS a otimizar o manejo precoce e reduzir a transmissão. Essa abordagem é rotina em novos casos pulmonares na APS, integrando diagnóstico e avaliação de resistência para decisões clínicas ágeis.
C. Hoje, tem-se o TPT (tratamento preventivo da tuberculose) nos casos de ILTB (infecção latente por tuberculose), cuja primeira escolha é o esquema 9H (Isoniazida)
INCORRETO : Embora o TPT (ou TPI) seja sim recomendado para ILTB em populações de risco (ex.: contatos de casos bacilíferos, PVHIV, imunossuprimidos), após exclusão de TB ativa, a primeira escolha não é mais o esquema 9H (isoniazida por 9 meses). Atualizações recentes do Ministério da Saúde, incorporadas no PCDT de 2024 e notas informativas de 2025, priorizam esquemas mais curtos e com melhor adesão, como o 3HP (isoniazida + rifapentina semanal por 12 semanas, dose fixa combinada 300/300mg), disponível via SUS desde 2023-2024. O 9H (ou 6H) era preferencial até 2021, mas agora é alternativo para casos específicos (ex.: crianças <10 anos, contraindicações ao 3HP), priorizando opções como 3HP ou 4R (rifampicina 4 meses) para reduzir abandono.
D. Na hanseníase, o esquema PQT-U (polioquimioterapia única) é utilizado para os casos multibacilares e de resistência à clofazimina
INCORRETO : O PQT-U (esquema uniforme com rifampicina, dapsona e clofazimina) é o tratamento padrão de primeira linha para todos os casos de hanseníase desde 2021 no Brasil (adotado da OMS 2018), independentemente de PB ou MB, com duração de 6 meses para PB e 12 meses para MB. Não é específico para multibacilares ou resistência à clofazimina; para resistência (rara, mas investigada em recidivas ou falhas), usam-se esquemas de segunda linha, substituindo a clofazimina por alternativas como ofloxacino + minociclina + claritromicina, com duração de 6-24 meses, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase.
E. As formas indeterminadas e dimorfas da hanseníase são consideradas multibacilares, diferentemente das formas tuberculoide e virchowiana, que são paucibacilares.
INCORRETO : Essa classificação está errada em múltiplos pontos. De acordo com as diretrizes, a forma indeterminada é paucibacilar (PB: baixa carga bacilar, baciloscopia negativa, 1-5 lesões), assim como a tuberculóide (PB: resposta imune forte, lesões restritas). Já a dimorfa (borderline) é multibacilar (MB: carga moderada, >5 lesões, maior risco de reações), e a virchowiana (lepromatosa) também é MB (alta carga, lesões difusas, baciloscopia positiva). A operacional (PB/MB) guia o tratamento, mas a afirmativa inverte: indeterminada não é MB, e virchowiana não é PB.

Gabarito:  B

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.24)

DISCURSIVA: (178155 votos) ..........100% das questões discursivas receberam votos.
A criança é particularmente suscetível a desenvolver insuficiência respiratória, pois existem diversos fatores interrelacionados, que vão desde peculiaridades anatômicas a características fisiológicas e imunológicas. Enumeram pelo menos 5 (cinco) fatores que favorecem essa evolução:


RATING: 2.98

A criança é particularmente suscetível a desenvolver insuficiência respiratória, pois existem diversos fatores interrelacionados, que vão desde peculiaridades anatômicas a características fisiológicas e imunológicas. Enumeram pelo menos 5 (cinco) fatores que favorecem essa evolução:

Fatores que favorecem essa evolução (0,1 p para cada um):

  1. pequeno diâmetro das vias aéreas que produz uma maior tendência à obstrução; a
  2. função muscular intercostal e a diafragmática menos maduras favorecendo à exaustão;
  3. poros de ventilação colateral (Canais de Lampert e Poros de Kohn) pobremente desenvolvidos favorecendo à formação de atelectasias;
  4. caixa torácica mais complacente;
  5. incoordenação tóraco-abdominal durante o sono REM que prejudica a higiene brônquica;
  6. pulmões com menos elastina nas crianças pequenas levando à diminuição na propriedade de recolhimento elástico com conseqüente diminuição na complacência pulmonar;
  7. o sistema imunológico em desenvolvimento favorecendo às infecções
  8. taxas metabólicas são mais altas, enquanto que a capacidade residual funcional (CRF) e a reserva de oxigênio são mais baixas. Assim, em razão de disfunção respiratória, as crianças tornam-se rapidamente hipoxêmicas.

FONTE:

AVALIE ESSA QUESTÃO: (2.98)

CASO CLINICO: (207651 votos)..........100% dos casos clinicos receberam votos.

Sofia é uma menina de 7 anos que se apresenta ao pronto-socorro infantil com dificuldade respiratória. Sua mãe relata que ela tem histórico conhecido de asma desde os 4 anos de idade e está em tratamento contínuo com corticosteróides inalatórios (budesonida) e um broncodilatador de longa ação (formoterol). Apesar do tratamento regular, Sofia tem apresentado sintomas mais frequentes nas últimas duas semanas, com aumento no uso de seu inalador de resgate (salbutamol). Hoje, ela teve um episódio de tosse intensa e chiado no peito logo ao acordar, que não melhorou nada com o uso do broncodilatador. A mãe menciona que Sofia também tem se queixado de cansaço extremo nos últimos dias e acordado durante a noite com tosse.

Exame Físico: Sofia aparenta estar em desconforto respiratório, com retrações intercostais visíveis e uso de musculatura acessória.

Sinais Vitais:  Temperatura: 36,8°C Frequência Cardíaca: 130 bpm (taquicardia)  Frequência Respiratória: 36 irpm (taquipneia) Saturação de oxigênio: 88% em ar ambiente (hipoxemia). Pressão Arterial: 100/65 mmHg  Respiração:  Ausculta pulmonar revela sibilos difusos bilaterais, sendo mais proeminentes na expiração. Diminuição dos murmúrios vesiculares nas bases pulmonares.

Outros Exames: Observa-se cianose periungueal leve. Extremidades frias.

História Médica: Sofia não possui outras condições de saúde  elevantes. Está em tratamento contínuo para asma, conforme esquema prescrito. Histórico familiar positivo para doenças atópicas.

(I) Descreva o Plano de Tratamento Inicial desta crise. (0,15 pontos)

(II) Qual seria a estratégia ambulatorial para esse caso depois desta crise? (0,075 pontos)

(III) Como classificaria a gravidade desta crise? Justifique a sua resposta. (0,275 pontos)




RATING: 2.97

(I) Descreva o Plano de Tratamento Inicial desta crise.

1. Oxigenoterapia (0,0125 p) para melhorar a saturação de oxigênio (0,0125 p).
2. Nebulização com broncodilatador de curta ação (salbutamol) (0,0125 p) repetida a cada 20 minutos nas primeiras doses. (0,0125 p)
3. Corticosteróide sistêmico (0,0125 p) (prednisolona oral (0,0125 p) ou metilprednisolona intravenosa (0,0125 p)) para manejo de crise aguda.
4. Avaliação frequente dos sinais vitais (0,0125 p) e da saturação de oxigênio. (0,0125 p)
5. Preparar para possível admissão hospitalar (0,0125 p) para controle e monitoramento intensivo (0,0125 p), considerando a resposta ao tratamento inicial (0,0125 p)

(II) Qual seria a estratégia ambulatorial para esse caso depois desta crise?

A exacerbação sugere necessidade de reavaliação do tratamento de manutenção (0,0125 p). A adesão ao tratamento (0,0125 p), técnica do inalador (0,0125 p) e possíveis desencadeantes ambientais (0,0125 p) ou infecciosos (0,0125 p) devem ser revisitados após estabilização da condição aguda (0,0125 p).

(III) Como classificaria a gravidade desta crise? Justifique a sua resposta.

A crise apresentada por Sofia pode ser classificada como uma crise asmática grave. (0,0125 p)

A justificativa para essa classificação baseia-se nos seguintes sinais e sintomas:

1. Taquipneia (0,0125 p) e taquicardia (0,0125 p): Frequência respiratória de 36 irpm (0,0125 p) e frequência cardíaca de 130 bpm (0,0125 p) indicam esforço respiratório significativo (0,0125 p) e ativação do sistema simpático (0,0125 p).

2. Saturação de O2 baixa (0,0125 p): A saturação de oxigênio de 88% em ar ambiente (0,0125 p) indica hipoxemia significativa (0,0125 p), que é um sinal de gravidade (0,0125 p).

3. Uso de musculatura acessória (0,0125 p) e retrações (0,0125 p): Esses sinais indicam esforço respiratório elevado (0,0125 p) e são característicos de crises graves (0,0125 p).

4. Sibilos difusos (0,0125 p) e diminuição dos murmúrios vesiculares (0,0125 p): A presença de sibilos intensos  e redução dos sons respiratórios pode indicar obstrução significativa das vias aéreas (0,0125 p) e, em crises mais graves, fluxo de ar reduzido pode resultar em "ausência" de sibilos, o que é particularmente preocupante (0,0125 p).

5. Alteração do estado geral (0,0125 p) com cianose leve (0,0125 p): A cianose periungueal e o cansaço extremo são também indicativos de insuficiência respiratória iminente ou em curso, comuns em crises graves (0,0125 p)

AVALIE ESSE CASO CLINICO: (2.97)




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