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Leia atentamente as assertivas abaixo a respeito das doenças da mama e classifique-as em verdadeiro (V) ou falso (F):
(I) No tratamento do câncer de mama, a linfadenectomia Nível I inclui os grupos axilar central, escapular e mamário externo
(II) São fatores de risco para neoplasia de mama a hiperplasia atípica, a primiparidade tardia, a mutação no gene BRCA 2 e o carcinoma lobular in situ
(III) O tamoxifeno é um antagonista parcial do estrogênio que como efeitos colaterais pode levar a aumento do risco de osteoporose e secura vaginal e diminuição da libido
(IV) O linfonodo sentinela pode ser definido como o maior linfonodo axilar da drenagem linfática da área tumoral identificado após injeção local de um corante
(V) O achado ultra-sonográfico de nódulo hipoecóico, circunscrito com reforço acústico posterior é compatível com fibroadenoma
A sequência CORRETA é:
A. V, F, V, F, V
INCORRETO: veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
B. V, V, F, F, V
CORRETO : Para identificar o linfonodo sentinela, é aplicada uma injeção com uma substância radioativa (e não corante) na pele próxima ao tumor (e não direto no tumor). Após a aplicação, a substância entra na circulação linfática e se deposita nos gânglios. Depois, com um aparelho capaz de detectar a radiação, o médico localiza o linfonodo sentinela. O tamoxifeno é um agonista parcial do estrogênio, mas que na mama apresenta efeito antagonista. Como nos outros órgãos apresenta função primária de agonista, pode desencadear efeitos colaterais como aumento do risco de câncer de endométrio, indução da ovulação (ação similar ao clomifeno), fogachos de difícil controle, aumento do risco para trombose e aumento do risco para desenvolvimento de catarata. As outras opções são verdadeiras
C. F, F, V, V, V
INCORRETO : veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
D. F, V, F, V, F
INCORRETO : veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
E. F, V, V, F, F
INCORRETO : veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
Gabarito: B
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FONTE:
Homem de 67 anos, procedente do interior, refere “papo” há mais de 20 anos, de crescimento lento. Há 10 meses passou a ter dispneia progressiva, pior ao deitar (ortopneia), tosse seca e engasgos com sólidos. Relata plenitude facial e “aperto no pescoço” ao erguer os braços para pentear o cabelo. Nega palpitação, emagrecimento febril ou rouquidão fixa. Nega cirurgia cervical prévia.
Exame. Tireoide multinodular, endurecida, com o polo inferior direito não palpável (parece “mergulhar” atrás da fúrcula). Desvio traqueal à esquerda. Ao elevar ambos os membros superiores por 30–60 s: pletora facial, turgência jugular e piora da dispneia (sinal de Pemberton positivo). Sem linfonodos cervicais dominantes. Ausculta pulmonar com estridor discreto em decúbito. Ginecomastia bilateral.
Exames iniciais. TSH 1,8 mUI/L; T4 livre normal. Ultrassonografia cervical: bócio multinodular; o lobo direito não é delimitado inferiormente — o transdutor “perde” o polo no estreito torácico superior. Radiografia de tórax: alargamento do mediastino superior e desvio/estreitamento traqueal.


Sinal de Pemberton (congestão ao elevar os braços) positivo e radiografia com massa mediastinal superior + desvio traqueal.
Bócio substernal / retrosternal / mergulhante (extensão de tecido tireoidiano abaixo do estreito torácico superior; definição operacional frequente: >50% da glândula no tórax ou descida >3 cm abaixo da fúrcula / além de T4). (0,04 p)
Apoiam a hipótese:
Lembrete de prova: a maioria é eutireóidea; função normal não exclui o diagnóstico.
Na vasta maioria trata-se de bócio secundário (mergulhante): crescimento caudal de um bócio multinodular crônico cervical, e não de um tumor mediastinal “nascido” no tórax. (0,04 p)
Mecanismo anatômico clássico: a glândula encontra teto ósseo-muscular (esterno, músculos pré-tireoidianos, fáscia) e é “puxada” para o mediastino pela gravidade e pela pressão negativa intratorácica. (0,03 p)
Contexto epidemiológico: mulher idosa, bócio de décadas; historicamente associado a deficiência de iodo (bócio colóide multinodular). (0,02 p)
O bócio primário mediastinal (tecido tireoidiano ectópico com vascularização própria, independente das artérias tireóideas inferiores) é raro (~1%). (0,01 p)
Tomografia computadorizada de pescoço e tórax (com contraste, se a função e o plano cirúrgico permitirem): é o exame que confirma a origem tireoidiana da massa, mede quanto da glândula está abaixo da fúrcula e mapeia traqueia, esôfago e grandes vasos. (0,05 p)
A TC também define a via operatória (cervicotomia isolada vs. necessidade de esternotomia) — extensão além do arco aórtico, componente posterior, vascularização anômala ou perda de plano com estruturas vitais. (0,03 p)
TSH e T4 livre avaliam o estado funcional (tóxico vs. atóxico), mas não comprovam a topografia substernal. US e cintilografia são adjuvantes; o US não substitui a TC no mediastino. (0,02 p)
(IV) Principal diagnóstico diferencial:
Diante de massa do mediastino anterior, o diferencial clássico de banca é o timoma (um dos “4 T’s”). (0,05 p)
Os demais T’s e vizinhos: teratoma / tumor de células germinativas, “terrible lymphoma”, além de linfonodomegalia e aneurisma/ectasia da aorta. (0,03 p)
O que pende para bócio (e afasta timoma “puro”): continuidade direta com a tireoide cervical, densidade/nódulos semelhantes aos lobos cervicais e vascularização a partir das artérias tireóideas inferiores. (0,02 p)
O tratamento definitivo é cirúrgico: tireoidectomia (em geral total ou quase-total no bócio multinodular bilateral), porque o bócio mergulhante tende a crescer, comprime via aérea e pode ocultar neoplasia (risco de malignidade da ordem de 3–21% nas séries). (0,04 p)
Na grande maioria a peça sai por cervicotomia (incisão de Kocher), inclusive com componente mediastinal volumoso, desde que haja pedículo cervical. (0,03 p)
Esternotomia (ou toracotomia) fica para a minoria (~2–10%): bócio primário, extensão abaixo do arco aórtico, recidiva, invasão por câncer ou vascularização mediastinal independente. (0,02 p)
Iodo radioativo (e drogas antitireoidianas) não descomprimem de forma confiável um mergulhante volumoso; reservam-se ao paciente inoperável ou ao componente tóxico associado. (0,01 p)
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