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RATING: 2.95 ![]()
Uma menina de 4 anos chega ao hospital, trazida pelo SAMU, intubada e sedada após atropelamento. A cânula traqueal é de número 5 e está fixada no número 15. A saturação de oxigênio está em 80% e em queda, e a ausculta respiratória está abolida no hemitórax direito com som timpânico à percussão. A PA está em 70 x 40 mmHg. A causa mais provável para essa descompensação é:
A. hemotórax à direita
INCORRETO: O hemotórax (acúmulo de sangue na pleura) causaria percussão maciça (hiporessonante, devido ao líquido), não timpânica (hiperressonante, típica de ar). Embora comum em traumas, os achados de percussão e a ausência de sinais de perda volêmica pura (a hipotensão aqui sugere componente obstrutivo) não se encaixam; o hemotórax também não explicaria a saturação caindo tão rapidamente sem outros sinais hemorrágicos.
B. intubação seletiva
INCORRETO : A intubação seletiva (geralmente no brônquio direito, por anatomia) ventilaria preferencialmente o pulmão direito, causando ausculta abolida no esquerdo, não no direito como descrito. Além disso, a profundidade de 15 cm é apropriada para uma criança de 4 anos (não sugere avanço excessivo), e os sinais de percussão timpânica e hipotensão não seriam explicados apenas por intubação errada, que tipicamente causa hipoxemia sem o componente de choque obstrutivo.
C. pneumotórax à direita
CORRETO : Esse caso descreve uma criança de 4 anos vítima de atropelamento (trauma torácico de alto impacto), chegando intubada e sedada, com descompensação aguda: saturação de O2 em 80% e caindo, ausculta abolida no hemitórax direito, percussão timpânica (hiperressonante, indicando presença de ar livre na cavidade pleural) e hipotensão (PA 70 x 40 mmHg). Esses achados são clássicos de pneumotórax hipertensivo à direita, uma emergência traumática comum em atropelamentos, onde o ar entra na pleura sem saída, colapsando o pulmão direito, desviando o mediastino para o lado esquerdo (reduzindo retorno venoso e causando choque obstrutivo) e comprometendo a ventilação/oxigenação. A cânula traqueal n° 5 fixada em 15 cm é adequada para a idade (profundidade esperada ≈ idade + 10 - 12 cm), mas o trauma pode ter causado ruptura pleural/alveolar. Protocolos como ATLS (Advanced Trauma Life Support) enfatizam o reconhecimento imediato desses sinais e descompressão com agulha/tubo torácico, confirmando que o pneumotórax é a causa mais provável e urgente dessa descompensação.
D. pneumonia aspirativa
INCORRETO : A pneumonia aspirativa (devido a aspiração de conteúdo gástrico ou secreções) é uma complicação subaguda/crônica, não aguda como essa (apenas horas após o trauma), e geralmente bilateral ou lobar, sem ausculta abolida unilateral e percussão timpânica. Não causaria hipotensão imediata nem seria a causa primária em um contexto traumático claro.
E. síndrome do desconforto respiratório agudo
INCORRETO : A SDRA (ou ARDS) é uma condição bilateral difusa, com infiltrados pulmonares não cardiogênicos, tipicamente evoluindo em horas/dias após insulto (como trauma), mas não apresenta ausculta abolida unilateral nem percussão timpânica (seria mais crepitações bilaterais e hiporressonância). Além disso, requer critérios como PaO2/FiO2 baixo, mas aqui o quadro é assimétrico e sugere causa mecânica traumática, não inflamatória difusa.
Gabarito: C
RATING: 2.88 ![]()
(I) A hipertensão intracraniana é uma das causas mais comuns de lesão cerebral secundária em crianças e há alta morbimortalidade nos pacientes pediátricos. Quais são as principais lesões secundarias (enumeram pelo menos quatro)?
(II) Qual é o significado do termo 'segundo insulto'?
(III) Quais são os principais componentes do conteúdo intracraniano e o percentil de cada um deles?
(II) O segundo insulto é considerado como o evento (ex. hipotensão, hipóxia) ao qual o paciente pode ser submetido após a lesão primária e que determinaria o aumento na gravidade da lesão cerebral secundária, e seria responsável por pior prognóstico. (0,15 p) Como exemplo - a hipotensão e a hipóxia quase dobram a taxa de mortalidade em pacientes pediátricos com Glasgow 3, após trauma craniencefálico.
- efeito de massa
- elevação da Pressão Intracraniana (PIC)
- movimentação mecânica do cérebro (herniação)
- hipóxia (pela oxigenação inadequada do cérebro)
- hipotensão
- fluxo sanguíneo cerebral (FSC) inadequado;
- mecanismos celulares, incluindo insuficiência de energia. (0,05 p para cada uma dos quatro enumeradas)
Homem de 54 anos, previamente hígido, procura o ambulatório por aumento progressivo e indolor da região anterior do pescoço há 8 meses, agora com disfagia a sólidos, rouquidão e dispneia aos médios esforços. Relata “pescoço de pedra”. Nega febre, odinofagia recente, pródromo viral, palpitações, intolerância ao calor, oftalmopatia ou perda ponderal acelerada. Não usa amiodarona, lítio, interferona nem inibidores de checkpoint. Sem irradiação cervical prévia.
Exame: eutireoidiano clinicamente. Tireoide difusamente aumentada, extremamente dura, fixa aos planos profundos, indolor, sem eritema e sem flutuação. Lobo esquerdo parece “fundir-se” com a musculatura pré-tireoidiana. Prega vocal esquerda com hipomotilidade à laringoscopia. Sem linfonodomegalia cervical dominante. Sem sinais de oftalmopatia.
Laboratório: TSH 6,8 mUI/L; T4 livre 0,92 ng/dL (limítrofe-baixo); anti-TPO 48 UI/mL (limítrofe); TRAb negativo; VHS 28 mm/h; PCR 6 mg/L; leucócitos 7.400/mm³; cálcio iônico 1,05 mmol/L (baixo); PTH 12 pg/mL (inapropriadamente baixo); IgG4 sérica 198 mg/dL (elevada). Ultrassonografia: glândula hipoecoica, mal delimitada, vascularização pobre, sem nódulo dominante. TC cervical: massa tireoidiana que ultrapassa a cápsula e envolve traqueia e musculatura, sem plano de clivagem nítido. PAAF: material hipocelular, fibrose, sem atipias suficientes para carcinoma.
(I) Qual o diagnóstico mais provável e quais elementos do caso o sustentam? (0,1 pontos)
(II) Como diferenciar este quadro do carcinoma anaplásico e da tireoidite de Hashimoto com fibrose avançada? (0,1 pontos)
(III) Quais exames confirmam o diagnóstico e avaliam complicações locais? (0,1 pontos)
(IV) Qual a conduta terapêutica inicial e o papel da cirurgia? (0,1 pontos)
(V) Quais desfechos endócrinos e sistêmicos devem ser antecipados no seguimento? (0,1 pontos)
O diagnóstico mais provável é tireoidite de Riedel (fibroinvasiva) (0,04 p). Sustentam: bócio pétreo (“duro como pedra”) e indolor (0,02 p); sintomas compressivos (disfagia, dispneia, rouquidão) (0,02 p); e extensão extratireoidiana para músculos, traqueia e, neste caso, possível acometimento paratireoidiano (0,02 p).
A maioria dos pacientes com Riedel está eutireoidiana; cerca de 30% evoluem com hipotireoidismo (0,02 p). Pode haver hipocalcemia por fibrose das paratireoides (0,02 p). A PAAF é frequentemente insuficiente (material fibroso hipocelular) (0,02 p). O diagnóstico definitivo exige biópsia cirúrgica/aberta, com fibrose densa e inflamação linfoplasmocitária (0,02 p). A imunohistoquímica IgG4/IgG apoia o vínculo com doença IgG4 (0,02 p).
Não há protocolo único, pela raridade da doença (0,01 p). Glicocorticoides são a primeira linha para reduzir inflamação e compressão (0,03 p). Tamoxifeno (em geral 20 mg 1–2×/dia) entra se houver refratariedade ou como adjuvante (0,03 p). Cirurgia, quando necessária, deve ser limitada à descompressão (istmectomia/debulking); tireoidectomia total de rotina aumenta lesão de nervo e paratireoide sem curar a fibrose (0,03 p).
Antecipar hipotireoidismo em cerca de 30% e repor levotiroxina se indicado (0,03 p). Monitorar cálcio e PTH pelo risco de hipoparatireoidismo fibrótico (0,02 p). Procurar fibrose extracervical (mediastino, retroperitônio, órbita, vias biliares) — a Riedel pode ser manifestação sistêmica IgG4 (0,03 p). A doença não se extingue de forma definitiva; o seguimento é clínico, laboratorial e por imagem (0,02 p).
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