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A ANATOMIA E FISIOLOGIA DO INTESTINO DELGADO (ÁREA DE CIRURGIA)

O intestino delgado é uma maravilha de complexidade e eficiênca. A sua função básica é a digestão e a absorção dos componentes dietéticos, uma vez que eles tenham deixado o estômago. Este processo depende de diversos fatores estruturais, fisiológicos, endócrinos e químicos. As secreções exócrinas provenientes do fígado e do pâncreas possibilitam a digestão de alimentos. A área superficial aumentada da mucosa do intestino delgado, então, absorve estes nutrientes.

Além da sua função na digestão e na absorção, o intestino delgado é o maior órgão endócrino no corpo e é um dos mais importantes órgãos da função imune. Dado este papel essencial e à sua complexidade, é de se surpreender que as doenças do intestino delgado não sejam mais freqüentes. Neste capítulo, a anatomia e a fisiologia normais do intestino delgado são descritas, assim como os processos patológicos que envolvem o intestino delgado, o que inclui a obstrução, as doenças inflamatórias, as neoplasias, a doença diverticular e outros problemas diversos.

OBJETIVA: (1146779 votos)..........99.38% das questões objetivas receberam votos.
Com relação à sepse bacteriana neonatal precoce, é CORRETO afirmar que:
A. o tratamento de criança estável hemodinamicamente poderá ser enteral
B. Streptococcus beta-hemolítico do grupo B é o principal agente etiológico e o esquema antibiótico inicial deve ser cefazolina e ampicilina
C. a profilaxia com penicilina intra parto reduz sua ocorrência e está indicada às mulheres colonizadas por Streptococcus do grupo B, mesmo na ausência de outro fator de risco
D. para diagnóstico, o hemograma possui elevado fator preditivo positivo, sendo a leucocitose a alteração mais frequentemente associada
E. recém-nascidos pré-termo têm risco aumentado para a sua ocorrência e agentes etiológicos diferentes, portanto a antibioticoterapia inicial não pode ser semelhante à de recém-nascidos a termo

  RATING: 3.31

Com relação à sepse bacteriana neonatal precoce, é CORRETO afirmar que:

A. o tratamento de criança estável hemodinamicamente poderá ser enteral
INCORRETO: O tratamento no período neonatal é sempre realizado com 2 drogas, ao menos até se ter o resultado das culturas, e exclusivamente intravenoso.
B. Streptococcus beta-hemolítico do grupo B é o principal agente etiológico e o esquema antibiótico inicial deve ser cefazolina e ampicilina
INCORRETO : A sepse neonatal precoce ocorre basicamente nas primeiras 48 horas de vida relacionada diretamente a fatores maternos gestacionais e periparto. o comprometimento é multissistêmico e o germe, quando identificável, é do trato genital materno. Isolamento do micro-organismo patogênico em qualquer líquido ou secreção do organismo é padrão-ouro e o método mais específico para o diagnóstico de sepse neonatal. E o principal causador dessa grave infecção é um agente bastante conhecido da comunidade médica: o Streptococcus agalactiae, também chamado Streptococcus do grupo B. As demais bactérias relacionadas com a sepse de início precoce são: Escherichia co/i, Listeria monocytogenes, Stophy/ococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Klebsiella, Pseudomonas, Enterobacter, entre outros. A prevenção de sepse neonatal precoce por Streptococcus agalactiae exige a pesquisa do agente bacteriano em mulheres grávidas e a antibioticoprofilaxia durante o parto. Recomenda-se a antibioticoprofilaxia sem necessidade de cultura para pacientes com históricos de bacteriúria por Streptococcus aga/actiae durante a gestação, antecedente de recém-nascido com a doença precoce,
C. a profilaxia com penicilina intra parto reduz sua ocorrência e está indicada às mulheres colonizadas por Streptococcus do grupo B, mesmo na ausência de outro fator de risco
CORRETO : A penicilina G deve começar a ser administrada no mínimo 4 horas antes do início do parto, o que na prática significa medicar a grávida desde sua admissão no centro obstétrico, uma vez que o tempo de trabalho de parto é indeterminado. A seleção empírica de antibióticos para a sepse de início precoce inclui ampicilina (100 a 300mg/kg/d) + gentamicina (5mg/kg/d) ou amicacina (20 mg/kg/d).
D. para diagnóstico, o hemograma possui elevado fator preditivo positivo, sendo a leucocitose a alteração mais frequentemente associada
INCORRETO : A liberação dos leucócitos é dinâmica; mesmo em condições normais, existe uma leucocitose nas primeiras 12 a 18 horas de vida. Há inúmeras outras condições em que a leucocitose está presente, como asfixia perinatal, febre materna, condições associadas ao estresse do trabalho de parto. Leucopenia (número < 5.000 leucócitos) também está associada asfixia, além de hipertensão materna, hemorragia peri-intraventricular e hemólise. A relação de neutrófilos imaturos (metamielócitos + mielócitos + bastonadas) e neutrófilos totais é conhecida como relação I/T, sendo considerada de valor preditivo para sepse quando seu índice for igual ou superior a 0,2 (I/T >0,2).
E. recém-nascidos pré-termo têm risco aumentado para a sua ocorrência e agentes etiológicos diferentes, portanto a antibioticoterapia inicial não pode ser semelhante à de recém-nascidos a termo
INCORRETO : Para os recém-nascidos pré-termo de muito baixo peso, que sobrevivem às causas precoces mais frequentes de óbito, como prematuridade extrema, malformações congênitas e doença da membrana hialina, a sepse de início tardio é a maior ameaça a sua sobrevivência.

Gabarito:  C

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.31)

DISCURSIVA: (183085 votos) ..........100% das questões discursivas receberam votos.
(I) Quando está imperativo o uso de adrenalina na reanimação neonatal? (0,175 pontos)
(II) Definam as recomendações em relação ao emprego da adrenalina na reanimação neonatal. (0,2 pontos)
(III) Quando está imperativo o uso de expansores de volume na reanimação neonatal? (0,075 pontos)
(IV) Quais são os critérios utilizados para interromper a ressuscitação/reanimação neonatal? (0,05 pontos)


RATING: 3.03

(I) Quando está imperativo o uso de adrenalina na reanimação neonatal? (0,175 pontos)
(II) Definam as recomendações em relação ao emprego da adrenalina na reanimação neonatal. (0,2 pontos)
(III) Quando está imperativo o uso de expansores de volume na reanimação neonatal? (0,075 pontos)
(IV) Quais são os critérios utilizados para interromper a ressuscitação/reanimação neonatal? (0,05 pontos)

(I) Quando está imperativo o uso de adrenalina na reanimação neonatal?
A adrenalina é indicada se a frequência cardíaca do bebê permanecer abaixo de 60 bpm (0,025 p) após:
• Pelo menos 30 segundos de ventilação (0,025 p) com pressão positiva (VPP) (0,025 p) que infla os pulmões (0,025 p) , o que é evidenciado por movimento do tórax (0,025 p) ;
• Outros 60 segundos de massagem cardíaca (0,025 p) acompanhada de VPP (0,025 p) com oxigênio a 100%. (0,025 p)

(II) Definam as recomendações em relação ao emprego da adrenalina na reanimação neonatal.
Recomendações em relação ao emprego da adrenalina:
a. Concentração: 1:10.000 (0,1 mg/mL) (0,025 p)
b. Via:
Endovenosa (preferível) (0,025 p) ou intraóssea (0,025 p)
c. Dose: Endovenosa/Intraóssea = 0,1 - 0,3 mL/kg (0,025 p) . Pode ser repetida a cada 3-5 minutos. (0,025 p)
Considerar uma dose mais elevada (0,5 - 1,0 mL/kg) SOMENTE para a via endotraqueal. (0,025 p)
d. Velocidade: rapidamente (0,025 p)

(III) Quando está imperativo o uso de expansores de volume na reanimação neonatal?
A administração de expansor de volume está indicada se o recém-nascido não está respondendo aos passos da reanimação (0,025 p) E existem sinais de choque (0,025 p) ou história de perda aguda de volume sanguíneo (0,025 p) .

(IV) Quais são os critérios utilizados para interromper a ressuscitação/reanimação neonatal?
Se a ausência de frequência cardíaca é confirmada depois de 10 minutos de reanimação (0,025 p) , é razoável interromper os esforços de reanimação. Entretanto, a decisão de prosseguir com a reanimação ou interrompê-la deve ser individualizada. (0,025 p)

FONTE:

Manual de Reanimação Neonatal da Academia Americana de Pediatria - 7ª edição

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.03)

CASO CLINICO: (213439 votos)..........100% dos casos clinicos receberam votos.

Identificação: Sra. L.M., 31 anos, sexo feminino, branca, médica residente.

Queixa principal: Crises de pressão alta com dor de cabeça latejante, coração disparado, suor que molha a roupa e sensação de pavor iminente há 7 meses.

História da Doença Atual: Episódios súbitos e recorrentes, duração 15–50 minutos, frequência 3–5 vezes/semana, sem fator desencadeante claro (pioram com estresse). Durante crise: PA 250/160 mmHg e FC 165 bpm. Entre crises: HAS lábil (média 140–155 × 90–100 mmHg) apesar de losartana 100 mg + anlodipino 10 mg + carvedilol 25 mg. Associa perda ponderal involuntária de 9 kg em 5 meses, poliúria/polidipsia e diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 há 4 meses (início rápido).

Antecedentes pessoais e familiares: Carcinoma medular de tireoide tratado com tireoidectomia total + esvaziamento cervical há 2 anos e meio. Mãe operada de feocromocitoma e portadora de hiperparatireoidismo primário.

Exame físico (entre crises): Emagrecida, ansiosa. PA 155/98 mmHg, FC 105 bpm. Palidez cutânea e pele úmida durante relato de crise. Abdômen plano, sem massas palpáveis.

Exames complementares:

  • Glicemia jejum 162 mg/dL; HbA1c 7,2 %.
  • Metanefrinas plasmáticas: Metanefrina 1.380 pg/mL (VR < 57); Normetanefrina 920 pg/mL (VR < 148) — francamente elevadas.
  • TC abdômen (protocolo adrenal): massas heterogêneas adrenais bilaterais (direita 5,2 × 4,8 cm; esquerda 3,1 × 2,9 cm) com realce intenso e washout característico.
  • RM abdômen: lesões com alta intensidade de sinal em T2 (“sinal da lâmpada acesa” / light bulb sign) bilateral.

QUESTÕES:

I. Qual a principal suspeita diagnóstica? - 0,12 pontos
II. Qual a possível causa etiopatogênica da doença diagnosticada? - 0,11 pontos
III. Qual a melhor modalidade de confirmar o diagnóstico? - 0,1 pontos
IV. Qual o tratamento de escolha e os passos fundamentais do preparo pré-operatório? - 0,17 pontos





RATING: 3.04

(I) Correlacionando o quadro clínico com os dados:
  • O quadro de episódios paroxísticos de hipertensão arterial sistêmica com cefaleia, palpitações, sudorese profusa e palidez cutânea é a manifestação mais característica do feocromocitoma, presente em cerca de 90 % dos casos. (0,02 p)
  • Até 90 % dos pacientes apresentam pelo menos dois sintomas da tríade clássica (cefaleia + palpitações + sudorese). (0,02 p)
  • A associação com carcinoma medular de tireoide prévio e história familiar de feocromocitoma + hiperparatireoidismo aponta fortemente para Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2A (NEM-2A). (0,03 p)
  • Em indivíduos jovens há maior risco de bilateralidade (10–35 %) e de associação genética (10–25 %). (0,02 p)
  • Perda ponderal e diabetes mellitus de início recente são compatíveis com hipersecreção de catecolaminas (intolerância à glicose em 50 %; DM em 10–20 % dos casos). (0,02 p)
  • O diagnóstico precoce seguido da ressecção cirúrgica do tumor permite a cura na grande maioria dos pacientes. (0,01 p)


(II) A etiopatogenia deve ser compreendida dentro do espectro das síndromes genéticas.
  • Cerca de 10 % a 25 % dos feocromocitomas têm origem genética. (0,02 p)
  • O feocromocitoma é componente importante da NEM tipo 2A, associado a carcinoma medular de tireoide (95 %), feocromocitoma (30–50 %) e hiperparatireoidismo (20–30 %). (0,03 p)
  • A mutação ocorre no proto-oncogene RET localizado no cromossomo 10q11.2, nos códons 609, 611, 618 e 634. (0,04 p)
  • As formas genéticas como a NEM-2A frequentemente cursam com feocromocitoma bilateral e apresentação em idades mais precoces. (0,02 p)


(III) O diagnóstico segue duas etapas rigorosas — primeiro a confirmação bioquímica, depois a localização.
  • A dosagem de metanefrinas plasmáticas livres (normetanefrina e metanefrina) é o teste inicial de maior sensibilidade (99 %). (0,03 p)
  • Valores normais praticamente excluem o diagnóstico (exceto tumores muito pequenos < 1 cm). (0,02 p)
  • Níveis elevados acima de quatro vezes o limite superior confirmam o tumor com probabilidade próxima de 100 %. (0,03 p)
  • As metanefrinas plasmáticas livres apresentam sensibilidade de 99 %; as urinárias fracionadas de 24 horas, 97 %. (0,02 p)

(IV) O tratamento é sempre cirúrgico, mas o sucesso depende fundamentalmente do preparo farmacológico.
  • O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica completa do tumor, com taxas de sobrevivência cirúrgica de 98–100 % quando realizada por equipe experiente (endocrinologista + cirurgião + anestesista). (0,02 p)
  • A preparação farmacológica pré-operatória cuidadosa é o fator mais importante para o sucesso da cirurgia e para a prevenção de crises hipertensivas intraoperatórias. (0,02 p)
  • A estratégia consiste no bloqueio combinado alfa- e beta-adrenérgico, nesta ordem (alfa primeiro). (0,02 p)
  • O bloqueio alfa deve preceder o beta porque as catecolaminas em excesso causam vasoconstrição intensa e contração do volume intravascular; o bloqueio alfa relaxa os vasos permitindo expansão volêmica, enquanto iniciar o betabloqueador primeiro deixa a estimulação alfa sem oposição, podendo piorar drasticamente a hipertensão. (0,04 p)
  • O agente de escolha para o bloqueio alfa é a fenoxibenzamina (bloqueador alfa não-seletivo, irreversível e de longa duração); deve ser iniciada 7 a 10 dias antes da cirurgia, dose inicial 10 mg uma ou duas vezes ao dia, titulada gradualmente até 20–100 mg por dia em doses divididas. (0,03 p)
  • Em casos de doença bilateral associada a síndromes genéticas, recomenda-se a adrenalectomia subtotal laparoscópica com preservação do córtex adrenal para evitar insuficiência adrenal crônica. (0,02 p)
  • A abordagem laparoscópica é o procedimento de escolha para tumores suprarrenais com menos de 8 cm, oferecendo menor tempo de internação e recuperação mais rápida. (0,02 p)

AVALIE ESSE CASO CLINICO: (3.04)




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