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Um homem de 48 anos é examinado devido à ocorrência de hipoxia de etiologia desconhecida. Recentemente, percebeu a presença de dispneia, que se agrava ao fazer esforço e na posição ereta. É aliviada ao deitar. Ao exame físico, o paciente está visivelmente dispneico ao esforço minimo. Apresenta saturação de oxigênio em repouso de 89% no ar ambiente. Quando deita, a saturação de oxigênio aumenta para 93%. O exame pulmonar não revela sibilos nem estertores. O exame cardíaco é normal, sem sopros. A radiografia de tórax revela um possível nódulo pulmonar de 1 cm no lobo inferior direito. Com oxigênio a 100% e na posição ortostática, o paciente apresenta uma saturação de oxigênio de 90%. Qual é a causa mais provável da hipoxia desse paciente?
A. Hipoxia circulatória
INCORRETO: A hipoxia circulatória refere-se à hipoxia tecidual que ocorre devido a uma diminuição do débito cardíaco, resultando em maior extração tecidual de oxigênio. Em consequência, a pressão parcial venosa de oxigênio encontra-se reduzida e ocorre aumento no gradiente de oxigênio arterial-venoso misto.
B. Hipoventilação
INCORRETO : A hipoxia causada por hipoventilação também pode ser corrigida com oxigênio, porém com frequência apresenta um gradiente normal de oxigênio arterial-alveolar.
C. Derivação intracardíaca direita para a esquerda
INCORRETO : A derivação intracardíaca da direita para a esquerda é causada por malformações cardíacas congênitas e síndrome de Eisenmenger. Se houvesse uma causa intracardíaca de derivação o exame cardíaco deveria demonstrar um sopro e/ ou evidências de hipertensão pulmonar.
D. Derivação intrapulmonar direita para a esquerda
CORRETO : Quando um paciente procura assistência devido a hipoxia, é importante considerar o mecanismo subjacente da hipoxia para determinar a sua etiologia. As principais causas de hipoxia estão relacionadas com doença respiratória e incluem desequilíbrio de ventilação-perfusão (V/Q), hipoventilação e derivação intrapulmonar direita para esquerda. As causas de hipoxia fora do sistema respiratório incluem derivação intracardíaca da direita para a esquerda, hipoxia das grandes altitudes, hipoxia anêmica, hipoxia circulatória e envenenamento por monóxido de carbono. Neste paciente, o mecanismo da hipoxia pode ser redundo a duas possibilidades — derivação intracardíaca versus intrapulmonar da direita para a esquerda — com bastante facilidade visto que a hipoxia não foi corrigida com oxigênio a 100%. A história de platipneia e ortodeoxia sugere que a provável causa seja uma derivação intrapulmonar, mais do que intracardíaca. O achado de um possível nódulo pulmonar na radiografia de tórax nos campos pulmonares inferiores também sustenta uma causa pulmonar de derivação por meio de malformação arteriovenosa, que pode aparecer como nódulo pulmonar na radiografia de tórax.
E. Desequilíbrio ventilação-perfusão
INCORRETO : O desequilíbrio V/Q constitui a causa mais comum de hipoxia e resulta da perfusão de áreas do pulmão que recebem ventilação limitada. Exemplos de desequilíbrio V/Q incluem a asma, a doença pulmonar obstrutiva crônica e a embolia pulmonar. A hipoxia causada por desequilíbrio V/Q pode ser corrigida com oxigênio suplementar. A hipoventilação pode ser devida a múltiplas causas, incluindo depressão respiratória aguda ou insuficiência respiratória crônica com elevações da PaCO2.
Gabarito: D
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FONTE:
Menina de cinco anos, raça negra, é levada ao pronto-socorro depois de sofrer de uma forte dor de cabeça e episódios de vômito em jato nas últimas quatro horas. A mãe relata que não houve qualquer trauma, infecção recente ou vacinação, e observa que a criança não apresentou febre ou calafrios. Ela também nega a presença de diarreia ou dor abdominal acompanhando os vômitos.
A mãe está preocupada porque a filha quase não está usando o braço esquerdo e parece ter começado a mancar, colocando a maior parte do peso na perna direita. A criança nasceu de parto vaginal, no tempo certo, sem complicações durante a gravidez e o período pós-parto. Desde o nascimento, ela é acompanhada por um pediatra e apresenta um padrão de crescimento normal, atingindo todos os marcos de desenvolvimento no tempo esperado. Suas vacinas estão em dia.
Segundo a mãe, a menina é pálida desde que nasceu. Ela foi diagnosticada com anemia aos três anos e faz uso regular de suplementos de ferro e vitaminas. A paciente também apresentou crises de dor recorrentes, tratadas em casa com analgésicos, e teve um episódio de inchaço e dor nas mãos aos 18 meses.
Ao falar sobre a história familiar, a mãe menciona que ela e o pai não são parentes próximos. O casal perdeu um filho, irmão da paciente, devido à síndrome da morte súbita infantil aos seis meses de idade. Além disso, um primo materno tem uma forma de anemia que requer transfusões sanguíneas regulares. A paciente apresenta palidez e icterícia. Ela alterna entre períodos de estupor e irritabilidade.
Sua frequência cardíaca é de 136 batimentos por minuto, a pressão arterial é de 103/62 mmHg, a temperatura está em 36,7 °C e a frequência respiratória é de 16 incursões por minuto. Durante a ausculta cardíaca, observou-se um ritmo regular em dois tempos, com sons cardíacos normais e um sopro pansistólico de intensidade 2+/6+. O abdome está flácido e não apresenta dor à palpação, com peristalse presente. O baço é palpável a três centímetros abaixo do rebordo costal. Os pares cranianos da paciente estão íntegros. Ela possui força e sensibilidade normais no lado direito do corpo, enquanto apresenta fraqueza e redução de sensibilidade no lado esquerdo.
Hemoglobina: 6,5 g/dL, Leucometria: 24.000 células/mm³, Plaquetas: 500.000 células/mm³ Tempo de protrombina/tempo de tromboplastina parcial: normal, Bioquímica: normal

(I) Qual é o diagnóstico mais provável? (0,09 pontos)
(II) Qual é a causa desta lesão? Argumenta. (0,315 pontos)
(III) Qual é a conduta terapêutica nesta fase e como vai ser conduzido o caso para prevenir novos incidentes deste tipo? (0,095 p)
(I) Qual é o diagnóstico mais provável?
Acidente vascular cerebral (0,045 p) no hemisfério direito (0,045 p).
(II) Qual é a causa desta lesão? Argumenta.
Anemia falciforme (0,045 p). O diagóstico é apoiado pelo esfregaço sanguineo que mostra hemácias 'em foice' (0,045 p), os antecedentes familiares (0,045 p) (morte súbita do irmão, tio materno com antecedentes de tratamento transfusional), raça negra (0,045 p), diagnosticada com anemia aos três anos (0,045 p), crises de dor recorrentes (crises de falcização) tratadas em casa com analgésicos (0,045 p), e episódio de inchaço e dor nas mãos aos 18 meses (provavelmente sindrome mão-pé, crise vaso-oclusiva localizada (0,045 p)
(III) Qual é a conduta terapêutica nesta fase e como vai ser conduzido o caso para prevenir novos incidentes deste tipo?
Os infartos cerebrais em pacientes com anemia falciforme devem ser tratados com exsanguinotransfusão no momento do diagnóstico (0,0475 p) e, depois, com um esquema de hemotransfusão regular por toda a vida. (0,0475 p)
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