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Em relação à isquemia mesentérica, é CORRETO afirmar:
A. a isquemia mesentérica aguda usualmente ocorre em pacientes jovens, sem comorbidades associadas
INCORRETO: A isquemia mesentérica aguda predomina em pacientes idosos com comorbidades como aterosclerose, fibrilação atrial ou doença cardiovascular, aumentando o risco embólico ou trombótico, contrastando com a raridade em jovens saudáveis, onde causas traumáticas ou vasculites são excepcionais.
B. a maioria dos pacientes que desenvolvem alterações isquêmicas do delgado e do cólon não têm lesão vascular
demonstrável (trata-se de doença vascular não oclusiva)
CORRETO : A maioria dos pacientes que desenvolvem alterações isquêmicas do delgado e do cólon não têm lesão vascular demonstrável (trata-se de doença vascular não oclusiva), pois a isquemia mesentérica não oclusiva (NOMI) representa uma proporção significativa dos casos, especialmente em contextos de hipoperfusão sistêmica como choque, insuficiência cardíaca ou uso de vasopressores, sem evidência angiográfica de oclusão arterial ou venosa, afetando predominantemente pacientes críticos e levando a necrose transmural em até 50-70% dos casos não tratados precocemente, com diagnóstico baseado em achados clínicos e de imagem indiretos.
C. os sintomas mais frequentes da oclusão mesentérica são: dor abdominal e sangramento retal, com sinais clássicos de peritonite ao exame físico, facilmente reconhecidos
INCORRETO : Os sintomas iniciais da oclusão mesentérica incluem dor abdominal intensa desproporcional aos achados físicos iniciais, com vômitos e diarreia, enquanto sangramento retal surge tardiamente em casos de necrose; sinais de peritonite emergem apenas na fase avançada, dificultando o reconhecimento precoce e contribuindo para atrasos diagnósticos em até 60% dos casos.
D. as investigações laboratoriais não têm utilidade: a contagem de leucócitos é normal, gasometria arterial com
discreta acidose e sem alteração da proteína C reativa
INCORRETO : As investigações laboratoriais são cruciais, revelando leucocitose marcante (acima de 15.000/mm³), acidose metabólica láctica grave, elevação de proteína C reativa e D-dímero, auxiliando na suspeita precoce e estratificação de risco, ao contrário da descrição de normalidade ou alterações mínimas.
E. exames radiológicos são muito úteis. A TC mostra sinais típicos da doença isquêmica (thumb-printing) e deve ser realizada em todos os pacientes com suspeita de perfuração intestinal
INCORRETO : Exames radiológicos como a tomografia computadorizada (TC) com contraste sejam úteis para identificar espessamento parietal, pneumatose intestinal ou ausência de realce vascular, o sinal de thumb-printing (impressão digital) é mais clássico em radiografias simples ou enema baritado para isquemia colônica; ademais, a TC é indicada primariamente na suspeita de isquemia mesentérica, não restrita a perfuração intestinal, que representa uma complicação tardia.
Gabarito: B
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a) Síndrome nefrítica:
b) Síndrome nefrótica:
Em discussão resumida, na síndrome nefrítica o edema é primariamente hidrostático por sobrecarga volêmica, respondendo bem à furosemida isolada, enquanto na nefrótica predomina o oncótico com componente hidrostático secundário, demandando abordagem multifatorial para diurese eficaz, conforme evidências recentes de manejo otimizado.
FONTE:
Criança F de 2 anos, 11 meses e 3 dias, Peso: 14 kg da entrada no PA com dores intensas de tipo colicativo, a cada 20-30 minutos de intervalo de início na madrugada. Os episódios de dor são fortes e a criança grita de dor durante as cólicas e adota posição antalgica, com as coxas fletidas no abdomen, no intervalo chegando a ficar sonolenta. Outros sistemas sem modificações no exame clínico. Mãe relata que na véspera a criança comeu pipoca, negando outros alimentos indigestos ou supra-alimentação. Para aliviar os sintomas durante a madrugada a mãe administrou 14 gotas de Buscopan, com resposta temporária e incompleta da dor, mas como as colicas continuavam, decidiu levar a criança no atendimento. Nega qualquer episodio de vômito, nega qualquer episodio de febre.
Na admissão, criança em bom estado geral, cuidados basicos excelentes, higiene excelente. Apalpação abdominal com leve desconforto difuso, sem formações tumorais palpáveis, sem sinais de abdomen agudo, descompressão negativa, Markle negativo. Não apresentou colica durante o exame no consultorio.
Suspeitando-se da classica dor abdominal causada pela constipação, muitas vézes encontrada no nosso serviço, solicita-se Rx de abdomen simples. Laudo do especialista: Estruturas ósseas íntegras. Distribuição habitual de fezes e gases em alças intestinais. Ausência de imagens cálcicas sugestivas de cálculos renais ou biliares radiopacos (basicamente, Rx normal).

Solicita-se instilação de 2 tubos de Minilax com avaliação da evacuação insatisfatoria. Vinte minutos depois a criança começa com uma nova série de colicas, doloridas, é alojada na sala de tratamentos e infundem-se 0,4 ml Buscopan em bolus e. v. com resposta positiva imediata, solicitando-se uma hemograma e uma coleta urinaria por sonda. Mantida na sala de observação. Resultados: hemograma absolutamente normal, urina negativa para ITU. No entanto, as colicas voltam, e como já tinham passado 2 horas da ultima administração, repita-se a dose de buscopan e. v.. Depois de passar o ultimo episodio álgico, solicita-se uma nova lavagem intestinal, desta vez com Fleet Enema. Com essa segunda lavagem a criança evacua uma amostra de fezes pastosas, com muito muco e de cor discretamente avermelhada, que parece 'geleia de morango'. Passado um intervalo de tempo depois da segunda lavagem, as dores voltam, criança recebe a terceira dose de buscopan e é solicitado US de abdomen. Laudo: ' - Ausência de liquido livre na cavidade abdominal. Bexiga com capacidade normal, paredes finas e regulares e conteúdo homogêneo. Estudo ultrassonográfico dirigido para região abdominal, evidencia-se no presente momento formação em aspecto de 'lesão em alvo', na topografia do hipogástrio, medindo 2,5 x 3.5 cm, com camada externa de 0,8 cm de espessura, sem caracterização de causa secundária pelo método ecográfico.'

Pergunta-se:
(I) Qual é a principal suspeita diagnóstica? (0,05 pontos)
(II) Como explicar a negatividade do exame de Rx de abdomen, neste caso? (0,1 pontos)
(III) Qual(is) é/são o(s) segmento(s) digestivo(s) mais envolvido(s)? (0,1 pontos)
(IV) Quais são as complicações mais temidas dessa molèstia? (0,25 pontos)
(I) Qual é a principal suspeita diagnóstica?
Intussucepção intestinal. (0,05 pontos)
DISCUSSÃO: A intussuscepção é a causa mais frequente de obstrução intestinal em lactentes e préescolares. É uma emergência, ocorre com maior freqüência em crianças com idade abaixo dos dois anos. Depois da apendicite, é a segunda mais comum emergência abdominal na criança. A dor abdominal é súbita e cessa de modo tão repentino quanto seu início. A criança pode parecer confortável, mas eventualmente pode ser tornar letárgica. A dor abdominal é caracterizada pelo choro da criança e pela flexão das pernas em direção ao abdome. Os paroxismos de dor costumam acompanhar-se de esforços para defecar e as fezes em 'geléia-de-framboesa', de modo geral, aparecem nas primeiras 24 horas, mas em raras ocasiões surgem até dois dias após o início do quadro. Ao exame físico, o sinal mais consistente é a presença de massa palpável, de aspecto tubular, no quadrante superior direito do abdome, podendo ser subcostal. Esta pode ser mal definida e de consistência amolecida.
(II) Como explicar a negatividade do exame de Rx de abdomen, neste caso?
Radiografias abdominais simples, em decúbito dorsal e em pé permitem a formular a SUSPEITA de intussuscepção (0,05 pontos), mas não em todos os casos (estima-se uma acuracia de 50%).(0,05 pontos)
DISCUSSÃO: Esclarecemos desde o início que as radiografias têm valor limitado, como ferramenta de triagem, quando achados sugestivos são encontrados. NÃO utilizar na CONFIRMAÇÃO do diagnóstico e NÃO utilizar como um ÚNICO TESTE para o diagnóstico. A ULTRASSONOGRAFIA é a ferramenta de triagem para a grande maioria das instituições.
(III) Qual(is) é/são o(s) segmento(s) digestivo(s) mais envolvido(s)?
Mais comumente, o ceco (0,05 pontos) e o íleo terminal (0,05 pontos) estão envolvidos.
(IV) Quais são as complicações mais temidas dessa molèstia?
1. Perfuração (0,05 pontos): se a intussuscepção não for tratada precocemente, pode ocorrer perfuração da parede intestinal, resultando em peritonite (0,05 pontos), uma infecção grave na cavidade abdominal.
2. Necrose intestinal (0,05 pontos): a obstrução do fluxo sanguíneo para a parte do intestino afetada pela intussuscepção pode resultar em necrose (morte) do tecido intestinal.
3. Sepsis (0,05 pontos): a infecção do intestino perfurado ou necrótico pode se espalhar para o sangue, causando sepse, uma infecção generalizada grave.
4. Obstrução intestinal crônica (0,05 pontos): em alguns casos, a intussuscepção pode levar a danos permanentes no intestino, resultando em obstrução intestinal crônica, que pode exigir cirurgia adicional.
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