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Em relação à Doença Inflamatória Intestinal Inespecífica (DII), é CORRETO afirmar que:
A. o sangramento retal é uma condição essencial para o diagnóstico da colite ulcerativa, sendo menos frequente na colite de Crohn
CORRETO: o sangramento retal é um sintoma cardinal e frequentemente essencial no contexto clínico para o diagnóstico de colite ulcerativa (também conhecida como retocolite ulcerativa ou RCU), representando um dos critérios diagnósticos chave em diretrizes como as da American College of Gastroenterology (ACG) e da European Crohn´s and Colitis Organisation (ECCO). Na RCU, a inflamação é limitada à mucosa colônica, iniciando sempre no reto e progredindo de forma contínua proximalmente, o que resulta em sangramento retal visível (hematochezia) em mais de 90% dos casos, associado a diarreia mucossanguinolenta, urgência evacuatória e tenesmo. Esse sintoma é considerado 'essencial' porque sua ausência torna o diagnóstico de RCU improvável, exigindo investigação para outras etiologias. Em contraste, na colite de Crohn (forma colônica da doença de Crohn ou DC), o sangramento retal é menos frequente (ocorrendo em cerca de 50% dos casos), pois a inflamação transmural pode poupar o reto, apresentar lesões segmentares e priorizar sintomas como dor abdominal, perda de peso e diarreia não sanguinolenta. Essa distinção é crucial para o diagnóstico diferencial na DII, guiando a escolha de exames complementares como colonoscopia e biópsia, e impactando o prognóstico, uma vez que o sangramento persistente na RCU alerta para atividade moderada a grave.
B. a doença anorretal como, fissuras, abscessos e fístulas é mais comum na retocolite ulcerativa
INCORRETO : As complicações anorretais, incluindo fissuras anais, abscessos perianais e fístulas (como fístulas enteroentéricas ou perianais), são marcadamente mais comuns na doença de Crohn (ocorrendo em até 30-50% dos pacientes com DC, especialmente na forma perianal), devido à natureza transmural da inflamação, que permite penetração profunda e formação de tratos fistulosos. Na retocolite ulcerativa, essas manifestações são raras (menos de 5%), já que a inflamação é superficial e limitada à mucosa, raramente levando a perfurações ou fístulas; quando presentes, sugerem diagnóstico diferencial ou sobreposição com DC. Essa inversão confunde o fenótipo clássico da DII, podendo levar a erros no manejo, como uso inadequado de imunossupressores ou cirurgia.
C. a presença de carcinoma está mais associada à doença de Crohn do que à retocolite ulcerativa
INCORRETO : O risco de carcinoma colorretal (CCR) é significativamente maior na retocolite ulcerativa, especialmente em pacientes com pancolite extensa e duração da doença superior a 10 anos (risco cumulativo de 2-8% aos 10 anos, aumentando para 18% aos 30 anos), devido à inflamação crônica mucosa persistente que promove displasia. Na doença de Crohn, o risco de CCR é menor (cerca de 2-3 vezes o da população geral, versus 5-10 vezes na RCU), e mais associado a envolvimento colônico estrito, com menor ênfase em vigilância endoscópica anual. Diretrizes como as da ECCO recomendam screening mais intensivo na RCU, e essa associação invertida poderia subestimar o risco oncológico na RCU, atrasando intervenções preventivas como colectomia..
D. as características endoscópicas mais evidentes na retocolite ulcerativa são o envolvimento descontínuo da mucosa, erosões e ulcerações lineares
INCORRETO : As características endoscópicas clássicas da retocolite ulcerativa incluem envolvimento contínuo e difuso da mucosa a partir do reto (sem áreas poupadas), com eritema, perda de padrão vascular, friabilidade, erosões superficiais e ulcerações pseudopolipoides ou em mapa geográfico — não descontínuo ou lineares. O envolvimento descontínuo (lesões em 'salto' ou skip lesions), erosões aftoides e ulcerações lineares profundas (com aspecto de 'pedra de calçamento' ou cobblestoning) são, na verdade, patognomônicas da doença de Crohn, refletindo a inflamação transmural e segmentar. Essa confusão poderia levar a um diagnóstico equivocado, alterando o plano terapêutico (ex.: maior uso de biológicos na DC).
E. os granulomas não caseosos são achados histopatológicos patognomônicos na retocolite ulcerativa, diferentemente da doença de Crohn, onde são raros
INCORRETO : Os granulomas não caseosos (agregados de células epitelioides sem necrose central) são achados clássicos e patognomônicos da doença de Crohn (presentes em 30-70% das biópsias, confirmando inflamação transmural crônica), auxiliando no diagnóstico diferencial. Na retocolite ulcerativa, granulomas são ausentes ou extremamente raros (tipicamente associados a infecções ou artefatos), com histologia mostrando infiltrado inflamatório neutrofílico na mucosa, criptite e abscessos crípticos. Inverter esse padrão confunde a patogênese, podendo levar a erros em biópsias inconclusivas e atraso no tratamento específico
Gabarito: A
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FONTE:
Lactente de quatro meses saudável, nascido de parto eutócico, de termo, sem complicações perinatais, com bom desenvolvimento psicomotor e desenvolvimento estaturo-ponderal no percentil 50. Fez aleitamento materno na primeira semana de vida.
Foi internado por quadro de bronquiolite com quatro dias de evolução, com agravamento progressivo apesar de estar medicado com broncodilatador inalado e corticóide oral. Esteve sempre apirético.
Na observação salientava-se cansaço, sinais de dificuldade respiratória moderada, hipoxemia ligeira e tosse emetizante, havendo na auscultação pulmonar, um tempo expiratório prolongado e fervores crepitantes em ambos os campos pulmonares. Não se evidenciavam outras alterações significativas no exame físico.
Ao quarto dia de internamento surgiu febre (38,5ºC de temperatura axilar) acompanhada de calafrio, gemido, prostração, recusa alimentar.
Foi detectado sopro cardíaco sistólico inconstante (grau dois em seis) no bordo esquerdo do esterno, descrito como sopro contínuo no segundo espaço intercostal esquerdo. Efectuou ecocardiograma bidimensional e com Doppler a cores observando-se PCA moderada com paredes espessadas que assim permitiu o diagnostico.
Sobre o caso acíma considera as seguintes questões:
1) Considerando as caracteristicas do sopro, a idade da criança e o aspecto ecocardiografico, qual é a suspeita diagnostica principal neste caso? (0,3 pontos)
2) Qual é o agente infeccioso causal mais frequente nesta faixa etária? (0,2 pontos)
1) Considerando as caracteristicas do sopro, a idade da criança e o aspecto ecocardiografico, qual é a suspeita diagnostica principal neste caso?
R: PCA moderada com endarterite infecciosa - 0,3 p
DISCUSSÃO: Uma complicação temida da persistência de canal arterial é a endarterite infecciosa:
- pode ser observada em qualquer idade
- ocorrer êmbolos pulmonares ou sistêmicos
É uma doença rara, potencialmente grave, com incidência crescente. Apesar dos avanços tecnológicos mantém-se difícil de diagnosticar e de tratar, particularmente abaixo dos dois anos. Na criança, as cardiopatias congénitas são o principal factor de risco para endarterite infecciosa, sendo a persistência do canal arterial clinicamente silencioso uma causa muito rara.
Os sintomas mais frequentes na EI são:
- febre persistente de origem desconhecida
- manifestações inespecíficas
- mal-estar geral
- anorexia
- perda ponderal
- presença de sopro cardíaco
- fenómenos embólicos sistémicos
2) Qual é o agente infeccioso causal mais frequente nesta faixa etária?
R: Acima dos dois meses de idade, os principais agentes são Streptococci spp (0,1 p) e Staphylococcus aureus (0,1 p).
Os bacilos Gram negativos, como a Klebsiella pneumoniae são pouco comuns.
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