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Um homem de 97 anos foi internado no hospital para fraqueza e sangramento retal nas 24 horas anteriores. A anamnese revela uma diminuição no calibre das fezes nos últimos meses. O exame revela uma massa não sensível no quadrante inferior esquerdo. O heme das fezes é positivo. A hemoglobina sérica é de 8,8 g/dL. Exames complementares revelam câncer de cólon, estágio de Dukes D. O cônjuge do paciente e o filho único não são mais vivos. A neta do paciente de 50 anos implora ao médico para não informar o avô sobre seu diagnóstico, afirmando que ele é um homem ansioso e que ela quer aproveitar seu tempo restante. Qual dos a seguir é a conduta apropriada?
A. Concordar em não revelar o diagnóstico ao paciente
INCORRETO: Seria antiético concordar com o pedido da família. Se a divulgação for negada pela solicitação do paciente também, então o o médico poderá honrá-lo.
B. Peça para a neta entrar em contato com irmão dela para obter opiniões dos outros membros da família e tentar chegar a um consenso.
INCORRETO : Mesmo que toda a família queira manter o diagnóstico do paciente, se o próprio paciente quiser ser informado, o médico é obrigado a informar o paciente sobre o diagnóstico.
C. Perguntar ao paciente quantas informações ele quer saber
CORRETO : Com raras exceções, os pacientes têm o direito de saber seu diagnóstico e prognóstico, mesmo que sejam idosos, sua
condição é provavelmente terminal, e têm personalidades ansiosas e/ou diagnóstico psiquiátrico. Exceções são a obrigação do médico para discutir o diagnóstico com o paciente inclua a solicitação prévia do paciente para não ser informado ou a crença do médico que a divulgação prejudicaria gravemente o paciente.
D. Solicitar uma consulta da equipe de ética do hospital
INCORRETO : Raramente a consulta será uma resposta correta em um exame USMLE. O médico que tem a informação precisa agir e deveria fazê-lo.
E. Solicitar avaliação psiquiátrica do paciente
INCORRETO : Avaliação psiquiátrica não serve neste momento. Todos os médicos podem julgar a capacidade de tomada de decisão, e se o paciente tem a capacidade de decidir se ele ou ela quer ser informada do diagnóstico, então existe a obrigação de cumprir esse desejo.
Gabarito: C
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FONTE:
1) Qual é a principal suspeita diagnóstica? A maior suspeita é de acidente escorpiônico............0,3 p;

Os acidentes por Tityus serrulatus são mais graves que os produzidos por outras espécies de Tityus no Brasil.
A dor local, uma constante no escorpionismo, pode ser acompanhada por parestesias. Nos acidentes moderados e graves, observados principalmente em crianças, após intervalo de minutos até poucas horas (duas, três horas), podem surgir manifestações sistêmicas. As principais são:
- Gerais: hipo ou hipertermia e sudorese profusa.
- Digestivas: náuseas, vômitos, sialorréia e, mais raramente, dor abdominal e diarréia
- Cardiovasculares: arritmias cardíacas, hipertensão ou hipotensão arterial, insuficiência cardíaca congestiva e choque
- Respiratórias: taquipnéia, dispnéia e edema pulmonar agudo.
- Neurológicas: agitação, sonolência, confusão mental, hipertonia e tremores.
O eletrocardiograma é de grande utilidade no acompanhamento dos pacientes.
Pode mostrar taquicardia ou bradicardia sinusal, extra-sístoles ventriculares, distúrbios da repolarização ventricular como inversão da onda T em várias derivações, presença de ondas U proeminentes, alterações semelhantes às observadas no infarto agudo do miocárdio (presença de ondas Q e supra ou infradesnivelamento do segmento ST) e bloqueio da condução atrioventricular ou intraventricular do estímulo.
Estas alterações desaparecem em três dias na grande maioria dos casos, mas podem persistir por sete ou mais dias.
O encontro de sinais e sintomas mencionados impõe a suspeita diagnóstica de escorpionismo, mesmo na ausência de história de picada e independente do encontro do escorpião. A gravidade depende de fatores, como a espécie e tamanho do escorpião, a quantidade de veneno inoculado, a massa corporal do acidentado e a sensibilidade do paciente ao veneno. Influem na evolução o diagnóstico precoce, o tempo decorrido entre a picada e a administração do soro e a manutenção das funções vitais. Com base nas manifestações clínicas, os acidentes podem ser inicialmente classificados como:
2) Quais são as medidas imediatas, sendo que a suspeita foi confirmada depois, achando-se a provável causa justamente no domicilio da criança?
- Leves: apresentam apenas dor no local da picada e, às vezes, parestesias.
- Moderados: caracterizam-se por dor intensa no local da picada e manifestações sistêmicas do tipo sudorese discreta, náuseas, vômitos ocasionais, taquicardia, taquipneia e hipertensão leve.
- Graves: além dos sinais e sintomas já mencionados, apresentam uma ou mais manifestações como sudorese profusa, vômitos incoercíveis, salivação excessiva, alternância de agitação com prostração, bradicardia, insuficiência cardíaca, edema pulmonar, choque, convulsões e coma. Os óbitos estão relacionados a complicações como edema pulmonar agudo e choque.
Tratamento Sintomatico
Consiste no alívio da dor por infiltração de lidocaína a 2% sem vasoconstritor (1 ml a 2 ml para crianças; 3 ml a 4 ml para adultos) no local da picada ou uso de dipirona na dose de 10 mg/kg de peso a cada seis horas. (0,025 p)
Os distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos devem ser tratados de acordo com as medidas apropriadas a cada caso.(0,025 p)
Tratamento especÌfico
Consiste na administração de soro antiescorpiônico (SAEEs) ou antiaracnídico (SAAr) aos pacientes com formas moderadas e graves de escorpionismo, que são mais freqüentes nas crianças picadas pelo Tityus serrulatus (8% a 10 % dos casos). Deve ser realizada, o mais precocemente possível, por via intravenosa e em dose adequada, de acordo com a gravidade estimada do acidente. O objetivo da soroterapia específica é neutralizar o veneno circulante. (0,025 p)
OBSERVAÇÃO:A dor local e os vômitos melhoram rapidamente após a administração da soroterapia específica.
A sintomatologia cardiovascular não regride prontamente após a administração do antiveneno específico.
Entretanto, teoricamente, a administração do antiveneno específico pode impedir o agravamento das manifestações clínicas pela presença de títulos elevados de anticorpos circulantes capazes de neutralizar a toxina que está sendo absorvida a partir do local da picada. A administração do SAEEs é segura, sendo pequena a freqüência e a gravidade das reações de hipersensibilidade precoce. A liberação de adrenalina pelo veneno escorpiônico parece proteger os pacientes com manifestações adrenérgicas contra o aparecimento destas reações.
Manutenção
Os pacientes com manifestações sistêmicas, especialmente crianças (casos moderados e graves), devem ser mantidos em regime de observação continuada das funções vitais, objetivando o diagnóstico e tratamento precoces das complicações.(0,025 p)
A bradicardia sinusal associada a baixo débito cardíaco e o bloqueio AV total devem ser tratados com injeção venosa de atropina na dose de 0,01 a 0,02 mg/kg de peso. (0,025 p)
A hipertensão arterial mantida associada ou não a edema pulmonar agudo é tratada com o emprego de nifedipina sublingual, na dose de 0,5 mg/kg de peso. (0,025 p)
Nos pacientes com edema pulmonar agudo, além das medidas convencionais de tratamento, deve ser considerada a necessidade de ventilação artificial mecânica, dependendo da evolução clínica. (0,025 p)
O tratamento da insuficiência cardíaca e do choque é complexo e geralmente necessita do emprego de infusão venosa contínua de dopamina e/ou dobutamina (2,5 a 20 mg/kg de peso/ min), além das rotinas usuais para estas complicações.(0,025 p)
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