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Paciente de 45 anos, sexo masculino, proveniente de zona endêmica para doença de Chagas, com história de obstipação intestinal crônica com piora progressiva dos sintomas, ficando até 15 dias sem evacuar. A suspeita clínica é de megacólon chagásico. Sobre a doença de Chagas, pode-se afirmar:
A. o volvo da sigmoide, complicação do megacólon chagásico, deve ser tratado cirurgicamente, sendo a colectomia total a cirurgia mais comumente utilizada
INCORRETO: Embora o volvo de sigmoide represente complicação aguda frequente do megacólon chagásico e exija abordagem cirúrgica (com desvolvulação, ressecção e eventual estomia em casos emergenciais), a colectomia total não é o procedimento mais utilizado. As técnicas eletivas mais empregadas são a retossigmoidectomia anterior (cerca de 53% dos casos), seguida de hemicolectomia esquerda e operação de Duhamel-Haddad; a colectomia total responde por menos de 6% das intervenções e reserva-se para casos muito extensos ou recorrentes.
B. a ausência de dilatação do cólon no enema opaco afasta a possibilidade de colopatia chagásica
CORRETO : A colopatia chagásica, manifestação digestiva crônica da infecção por T. cruzi, caracteriza-se por denervação autonômica que leva a alterações motoras, alongamento e, sobretudo, dilatação segmentar dos cólons (principalmente sigmoide e reto). O enema opaco constitui o exame padrão-ouro para confirmação diagnóstica nos pacientes com sorologia positiva e sintomas de constipação crônica, pois demonstra objetivamente a ectasia colônica ou dolicomegacólon. A ausência completa de dilatação afasta o diagnóstico de colopatia chagásica, pois exclui a lesão anatômica característica; sintomas isolados ou sorologia positiva sem imagem radiológica compatível indicam apenas constipação funcional ou outra etiologia, sem configurar a forma digestiva específica.
C. a presença de acalasia do esfíncter externo do ânus confirma a suspeita clínica de colopatia chagásica em pacientes com sorologia positiva para doença de Chagas e sintomas de obstipação intestinal crônica, com ou sem dilatação dos cólons
INCORRETO : A acalasia (falha de relaxamento) na colopatia chagásica afeta o esfíncter anal interno (músculo liso, inervado autonomicamente e sujeito à destruição dos plexos mientéricos pelo T. cruzi), com abolição ou alteração do reflexo inibitório retoanal à manometria. O esfíncter externo, músculo estriado de inervação somática (nervo pudendo), não sofre denervação chagásica; sua acalasia não faz parte do quadro e não confirma a colopatia, podendo indicar outras condições como distúrbios do assoalho pélvico ou lesões neurológicas periféricas.
D. cerca de 30% dos pacientes infectados pelo T. cruzi apresentam a forma indeterminada ou subclínica da Doença de Chagas
INCORRETO : A forma indeterminada (assintomática, com sorologia positiva mas sem alterações clínicas, eletrocardiográficas ou radiológicas) acomete a maioria dos infectados, estimada em 60-70% ao longo da vida. Apenas 20-30% evoluem para as formas crônicas sintomáticas (cardíaca, digestiva ou mista), geralmente após décadas.
E. a forma crônica sintomática da doença de Chagas, incluindo o comprometimento digestivo como o megacólon, ocorre em cerca de 70% dos pacientes infectados pelo T. cruzi
INCORRETO : A evolução para a forma crônica sintomática (cardiopatia, colopatia ou associada) ocorre em apenas 20-30% dos infectados pelo T. cruzi; a grande maioria permanece na forma indeterminada, com bom prognóstico e baixa progressão anual (2-5% ao ano). A estimativa de 70% para formas sintomáticas inverte os dados epidemiológicos consolidados.
Gabarito: B
RATING: 2.97 ![]()
FONTE:
Paciente masculino, branco, 70 anos, tabagista crônico (50 maços-ano), com exposição ocupacional prévia em indústria de tintas, procura atendimento por hematúria indolor macroscópica recorrente há 3 meses, associada a sintomas irritativos vesicais (urgência e frequência). Exame físico sem massa pélvica palpável. Ultrassonografia mostra lesão papilar na bexiga. Citologia urinária positiva para células de alto grau. Não há hidronefrose.
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