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DOENÇA DE CHAGAS (ÁREA DE CLINICA MEDICA)

A doença de Chagas, também denominada tripanossomíase ou tripanossomose americana, é uma infecção generalizada, de caráter eminentemente crónico, causada por protozoário flagelado digenético da família Trypanosomatidae, género e espécie Trypanosoma cruzirespectivamente, transmitidos ao ser humano por hemípteros reduvídeos hematófagos do género Triatoma.

OBJETIVA: (1193671 votos)..........99.12% das questões objetivas receberam votos.
Em relação às arritmias cardíacas, assinale a afirmativa que NÃO pode ser considerada CORRETA:
A. O bloqueio atrioventricular é classificado em primeiro, segundo e terceiro graus
B. Extra-sístoles ventriculares ocorrem até mesmo em pessoas jovens
C. A frequência de extra-sístoles ventriculares não aumenta com a idade
D. O bloqueio atrioventricular de primeiro grau não exige tratamento
E. A torsade de points é uma taquicardia ventricular polimórfica relacionada ao prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma

  RATING: 3.15

Em relação às arritmias cardíacas, assinale a afirmativa que NÃO pode ser considerada CORRETA:

A. O bloqueio atrioventricular é classificado em primeiro, segundo e terceiro graus
CORRETO: O bloqueio atrioventricular pode ser parcial ou completo. Bloqueios de primeiro e segundo grau são parciais. Bloqueios de terceiro grau são completos.
B. Extra-sístoles ventriculares ocorrem até mesmo em pessoas jovens
CORRETO : As extra-sístoles são por definição batimentos precoces, podendo ter origem em qualquer região do coração onde haja células com automatismo. Na maioria das vezes são assintomáticas, podendo estar associadas a sintomas de palpitação, desconforto torácico, e raramente síncope. Em indivíduos sem cardiopatia, não apresentam valor prognóstico, ao contrário dos cardiopatas. No período pós-infarto e em pacientes com miocardiopatia dilatada, as extra-sístoles ventriculares estão associadas a um maior risco de morte súbita.
C. A frequência de extra-sístoles ventriculares não aumenta com a idade
INCORRETO : Apresentam elevada prevalência na população geral, sendo diretamente proporcional à idade.
D. O bloqueio atrioventricular de primeiro grau não exige tratamento
CORRETO : O BAV de primeiro grau pode ser fisiológico em pacientes mais jovens com tônus vagal exacerbado e em atletas bem treinados. O bloqueio AV de primeiro grau raramente é sintomático e nenhum tratamento é necessário. Pode-se indicar investigação adicional quando o BAV de primeiro grau acompanha outra cardiopatia ou parece ser causado por fármacos.
E. A torsade de points é uma taquicardia ventricular polimórfica relacionada ao prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma
CORRETO : A torsade de pointes é um tipo específico de taquicardia ventricular polimórfica associada ao aumento do intervalo QT no eletrocardiograma de base. O prolongamento do QT pode estar associado a síndromes congênitas ou a distúrbios adquiridos, principalmente relacionado a certos medicamentos. Nos casos adquiridos, quando há o desenvolvimento de torsade de points, devem-se corrigir os distúrbios eletrolíticos associados, e iniciar infusão de sulfato de magnésio, mesmo na ausência de hipomagnesemia (2g/2 minutos, repetindo-se, se necessário, 15 minutos após). A cardioversão elétrica deve ser implementada sempre que houver instabilidade hemodinâmica. Após reversão da arritmia, a manutenção de uma frequência cardíaca basal mais alta (>80bpm) ajuda a prevenir novos episódios, por encurtar o QT. Isto pode ser alcançado através da inserção de um marca-passo provisório, ou infusão de isoproterenol como segunda escolha.

Gabarito:  C

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.15)

DISCURSIVA: (185710 votos) ..........98.84% das questões discursivas receberam votos.

Discorra de forma teórica e fundamentada sobre os incidentalomas adrenais, respondendo objetivamente aos itens a seguir:

  1. Defina incidentaloma adrenal e indique sua prevalência aproximada em exames de imagem de abdome. (0,10 pontos)
  2. Classifique os incidentalomas adrenais segundo a atividade secretora hormonal. (0,10 pontos)
  3. Enumere os principais critérios de imagem na tomografia computadorizada que sugerem natureza benigna da lesão. (0,10 pontos)
  4. Liste os exames laboratoriais recomendados na avaliação inicial de um incidentaloma adrenal. (0,10 pontos)
  5. Cite as principais indicações de adrenalectomia em incidentalomas adrenais. (0,10 pontos)




RATING: 2.88

Discorra de forma teórica e fundamentada sobre os incidentalomas adrenais, respondendo objetivamente aos itens a seguir:

  1. Defina incidentaloma adrenal e indique sua prevalência aproximada em exames de imagem de abdome. (0,10 pontos)
  2. Classifique os incidentalomas adrenais segundo a atividade secretora hormonal. (0,10 pontos)
  3. Enumere os principais critérios de imagem na tomografia computadorizada que sugerem natureza benigna da lesão. (0,10 pontos)
  4. Liste os exames laboratoriais recomendados na avaliação inicial de um incidentaloma adrenal. (0,10 pontos)
  5. Cite as principais indicações de adrenalectomia em incidentalomas adrenais. (0,10 pontos)


1. Incidentaloma adrenal é definido como massa adrenal com diâmetro ≥ 1 cm descoberta de forma incidental em exame de imagem realizado por indicação não relacionada à glândula adrenal (0,05 p). Sua prevalência aproximada em tomografias computadorizadas de abdome situa-se em torno de 4 % (0,05 p).


2. Os incidentalomas adrenais classificam-se em:

  • não secretantes (não funcionantes) (0,04 p);
  • produtores de cortisol (hipercortisolismo subclínico) (0,02 p);
  • produtores de aldosterona (hiperaldosteronismo primário) (0,02 p);
  • feocromocitoma (0,02 p).

3. Critérios de imagem (TC) sugestivos de benignidade:

  • densidade nativa < 10 Unidades Hounsfield (0,03 p);
  • washout absoluto > 60 % e washout relativo > 40 % (0,03 p);
  • diâmetro < 4 cm (0,02 p);
  • contornos regulares e bem definidos (0,02 p).

4. Avaliação laboratorial inicial recomendada:

  • teste de supressão com dexametasona 1 mg ou cortisol livre urinário de 24 h (0,04 p);
  • metanefrinas plasmáticas livres ou metanefrinas urinárias fracionadas (0,03 p);
  • relação aldosterona/renina plasmática (em hipertensos ou hipocalêmicos) (0,03 p).

5. Principais indicações de adrenalectomia:

  • lesão funcionante (qualquer hipersecreção hormonal confirmada) (0,04 p);
  • diâmetro > 4 cm (0,03 p);
  • características de imagem suspeitas de malignidade ou crescimento significativo no seguimento (0,03 p).

FONTE:

MISODOR - INCIDENTALOMAS ADRENAIS

AVALIE ESSA QUESTÃO: (2.88)

CASO CLINICO: (217667 votos)..........99.02% dos casos clinicos receberam votos.

Paciente do sexo feminino, 68 anos, natural e procedente de região de baixa iodação do interior de São Paulo, hipertensa controlada, sem história de tireoidopatia prévia. Há cerca de 12 anos notou aumento progressivo e assimétrico do volume cervical anterior, inicialmente indoloro. Nos últimos 18 meses evoluiu com disfagia intermitente a sólidos, dispneia aos esforços e sensação de “aperto” cervical, especialmente em decúbito dorsal. Nega tremores, palpitações, intolerância ao calor, perda ponderal ou diarreia. Ao exame físico: tireoide difusamente aumentada, irregular, multinodular, de consistência fibroelástica, móvel à deglutição, sem frêmito ou sopro, sem linfonodomegalias cervicais. Exame oftalmológico sem sinais de oftalmopatia. TSH 1,8 mUI/L (VR 0,4–4,0), T4 livre 1,1 ng/dL (VR 0,8–1,8), anticorpos anti-TPO e anti-Tg negativos. Ultrassonografia cervical: glândula de volume 78 mL, múltiplos nódulos isoeocoicos e hipoecoicos bilaterais, o maior de 3,2 cm no lobo direito, com calcificações grosseiras e vascularização periférica.


I. Qual a principal suspeita diagnóstica? (0,12 pontos)
II. Qual a possível causa da doença diagnosticada? (0,09 pontos)
III. Qual a melhor modalidade para confirmar o diagnóstico? (0,09 pontos)
IV. Qual o principal diagnóstico diferencial? (0,08 pontos)
V. Qual o tratamento da moléstia? (0,12 pontos)





RATING: 3.8

I – Suspeita diagnóstica


A hipótese principal é
bócio multinodular atóxico (bócio coloide multinodular eutireoideo). (0,05 p)
A apresentação clínica clássica de aumento tireoidiano irregular, crônico e assintomático do ponto de vista funcional, associada a TSH e T4 livre normais, exclui tireotoxicose e aponta para a forma atóxica. (0,04 p)
A ausência de autoanticorpos e de sinais de oftalmopatia reforça a natureza não autoimune do processo. (0,03 p)


II – Possível causa


A etiologia predominante é a
deficiência crônica de iodo associada a fatores de crescimento tireoidiano locais (TSH, IGF-1, EGF). (0,03 p)
Em áreas de baixa iodação, a hiperestimulação prolongada do tecido tireoidiano gera hiperplasia e hipertrofia folicular, com posterior formação de nódulos coloides. (0,03 p)
Fatores genéticos e a idade avançada contribuem para a multicentricidade e a transformação nodular. (0,03 p)


III – Melhor modalidade de confirmação diagnóstica


A
ultrassonografia cervical de alta resolução é o método de escolha para confirmar a natureza multinodular e avaliar características de risco. (0,05 p)
Ela permite mensurar o volume glandular, caracterizar os nódulos (ecogenicidade, margens, calcificações, vascularização) e orientar eventual punção aspirativa. (0,02 p)
A cintilografia com radioiodo ou tecnécio não é necessária na ausência de disfunção tireoidiana. (0,02 p)


IV – Principal diagnóstico diferencial

O principal diagnóstico diferencial é o bócio difuso simples (bócio endêmico difuso) em fase inicial de nodularização. (0,05 p)

Outros diferenciais relevantes incluem tireoidite de Hashimoto em fase atrófica/nodular e carcinoma tireoidiano multicêntrico, porém a eutiroidia, a negatividade de anticorpos e o aspecto ultrassonográfico de nódulos coloides favorecem o bócio multinodular atóxico. (0,03 p)


V – Tratamento da moléstia


O tratamento de escolha nos casos com sintomas compressivos ou volume significativo é a
tireoidectomia total ou quase-total. (0,05 p)
A cirurgia alivia a compressão traqueal/esofágica e previne crescimento progressivo. (0,03 p)
Supressão com levotiroxina após a cirurgia mantém o TSH em valores baixos-normais, reduzindo o risco de recidiva. (0,02 p)
Observação clínica e ultrassonográfica seriada pode ser adotada em pacientes assintomáticos e de baixo risco. (0,02 p)


AVALIE ESSE CASO CLINICO: (3.8)




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