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VALIDAÇÃO DE TESTES DIAGNOSTICOS (ÁREA DE SAUDE PUBLICA)

Os médicos dedicam grande parte de seu tempo diagnosticando a partir de queixas ou anormalidades de seus pacientes, chegando aos diagnósticos, depois de aplicar vários testes. No entanto, poucos desses médicos recebem um treinamento formal para a interpretação dos testes diagnósticos. A maioria dos bons clínicos usa juízo crítico, conhecimento amplo da literatura e uma abordagem rápida e informal de como organizar os dados.

Entretanto, também existem alguns princípios básicos com os quais se precisa estar familiarizado ao interpretar os testes diagnósticos.

Um "teste diagnóstico" geralmente é concebido como um exame realizado em laboratório. Mas os princípios também se aplicam à informação clínica obtida da história, exame físico ou Raio X.

Podem ser aplicados também onde um conjunto de achados serve como teste diagnóstico. Assim, pode-se falar do valor da artrite, cardite e coréia no diagnóstico da febre reumática, ou da hemoptise e da perda de peso em um fumante, como indicadores de câncer do pulmão.

É praxe geral em toda pesquisa que o investigador inicie o seu trabalho, desde a idéia inicial quando por ocasião da preparação do projeto, realização do estudo e por fim suas conclusões finais, que a precisão alcançada nos resultados seja sempre a melhor possível.

Quando um profissional de saúde deseja realizar um diagnóstico e precisa apresentar seu resultado considerando sentenças do tipo"normal-anormal", "positivo-negativo" , "reator-não reator", "imune-não imune", deve ter em mente que a partir daí deverá se conscientizar de que existirão as mais variadas formas de sentenciar sobre isto, porém deve considerar que o seu objetivo principal terá que ser a precisão dessas sentenças, ou seja, o nível de acerto deve ser o mais elevado, registrando positivo quando positivo e negativo quando negativo. Portanto um diagnóstico do tipo "positivo-negativo", quanto a classificação dos indivíduos, deve primar por apresentar uma precisão bastante acentuada.


OBJETIVA: (1396526 votos)..........95.16% das questões objetivas receberam votos.
A causa mais comum de hipoglicemia severa e persistente no período neonatal é a hipoglicemia hiperinsulinêmica, que pode ser fortemente suspeitada em caso de:
A. recém nascidos de mãe diabética
B. glicemia menor que 45 mg/dL após 24 horas usando infusão de glicose endovenosa
C. presença de sinais de Síndrome de Beckwith‐Wiedemann
D. gemelar discordante: peso 10% inferior ao do gêmeo maior
E. não houver aumento da glicemia durante 20 minutos depois de administrar 0,03 mg/kg (iv ou im)

  RATING: 3.06

A causa mais comum de hipoglicemia severa e persistente no período neonatal é a hipoglicemia hiperinsulinêmica, que pode ser fortemente suspeitada em caso de:

A. recém nascidos de mãe diabética
INCORRETO: veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
B. glicemia menor que 45 mg/dL após 24 horas usando infusão de glicose endovenosa
CORRETO : Quando não for possível manter a glicemia maior que 45mg/dL após 24 horas usando infusão de glicose endovenosa considere a possibilidade do diagnóstico de Hipoglicemia Hiperinsulinêmica, a qual é a causa mais comum de hipoglicemia severa e persistente no período neonatal.
C. presença de sinais de Síndrome de Beckwith‐Wiedemann
INCORRETO : veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
D. gemelar discordante: peso 10% inferior ao do gêmeo maior
INCORRETO : veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
E. não houver aumento da glicemia durante 20 minutos depois de administrar 0,03 mg/kg (iv ou im)
INCORRETO : A realização do teste de estímulo do glucagon logo após a coleta da amostra crítica é importante para o diagnóstico da hipoglicemia hiperinsulinêmica. Quando a glicemia estiver inferior a 40 mg/dL, administrar 0,03 mg de glucagon por quilo de peso, por via intravenosa (IV) ou intramuscular (IM) e monitorar a glicemia a cada 10 minutos durante 40 minutos. Caso haja um aumento superior a 30 mg/dL em relação ao nível basal, o resultado será sugestivo de hiperinsulinismo. Se não houver aumento da glicemia durante 20 minutos, encerra-se o teste e a infusão de soro glicosado 10% é mandatoria.

Gabarito:  B

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.06)

DISCURSIVA: (195575 votos) ..........100% das questões discursivas receberam votos.
Enumeram as diferenças fundamentais das vias aéreas da criança em relação com as vias aéreas do adulto (0,5 pontos)


RATING: 3.21

Enumeram as diferenças fundamentais das vias aéreas da criança em relação com as vias aéreas do adulto (0,5 pontos)

As diferenças fundamentais das vias aéreas da criança:
  1. Cavidade oral pequena (0,0625 p)
  2. Lingua grande em relação ao orofaringe (0,0625 p)
  3. A angulação da mandibula é maior (0,0625 p) (140° no lactente e 120° no adulto) (0,0625 p)
  4. A epiglote é deformada em 'U' muito mais que no adulto (0,0625 p)
  5. A laringe está em posição mais cefálica (glote em C3 em lactentes e C5 e C6 em adultos) (0,0625 p)
  6. O anel cricóide é a parte mais estreita das vias aéreas em crianças abaixo de 10 anos (0,0625 p)
  7. A traquéia é mais curta (em recém-nascidos, 4 a 5 cm e aos 18 meses, 7 a 8 cm) (0,0625 p)

FONTE:

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3.21)

CASO CLINICO: (227734 votos)..........100% dos casos clinicos receberam votos.

Homem de 67 anos, procedente do interior, refere “papo” há mais de 20 anos, de crescimento lento. Há 10 meses passou a ter dispneia progressiva, pior ao deitar (ortopneia), tosse seca e engasgos com sólidos. Relata plenitude facial e “aperto no pescoço” ao erguer os braços para pentear o cabelo. Nega palpitação, emagrecimento febril ou rouquidão fixa. Nega cirurgia cervical prévia.

Exame. Tireoide multinodular, endurecida, com o polo inferior direito não palpável (parece “mergulhar” atrás da fúrcula). Desvio traqueal à esquerda. Ao elevar ambos os membros superiores por 30–60 s: pletora facial, turgência jugular e piora da dispneia (sinal de Pemberton positivo). Sem linfonodos cervicais dominantes. Ausculta pulmonar com estridor discreto em decúbito. Ginecomastia bilateral.

Exames iniciais. TSH 1,8 mUI/L; T4 livre normal. Ultrassonografia cervical: bócio multinodular; o lobo direito não é delimitado inferiormente — o transdutor “perde” o polo no estreito torácico superior. Radiografia de tórax: alargamento do mediastino superior e desvio/estreitamento traqueal.



Sinal de Pemberton (congestão ao elevar os braços) positivo e radiografia com massa mediastinal superior + desvio traqueal.

I. Qual a principal suspeita diagnóstica? (0,10 pontos)
II. Qual a possível causa da doença diagnosticada? (0,10 pontos)
III. Qual a melhor modalidade para confirmar o diagnóstico (e planejar a via)? (0,10 pontos)
IV. Qual o principal diagnóstico diferencial? (0,10 pontos)
V. Qual o tratamento da moléstia? (0,10 pontos)



RATING: 3.16

(I) Suspeita diagnóstica:

Bócio substernal / retrosternal / mergulhante (extensão de tecido tireoidiano abaixo do estreito torácico superior; definição operacional frequente: >50% da glândula no tórax ou descida >3 cm abaixo da fúrcula / além de T4). (0,04 p)

Apoiam a hipótese:

  • polo inferior não palpável e US que não delimita o limiar mediastinal — continuidade cervicotorácica. (0,02 p)
  • sinal de Pemberton: o gesto de elevar os braços reduz o estreito torácico e desmascara compressão venosa/traqueal. (0,02 p)
  • síndrome compressiva (ortopneia, disfagia, desvio traqueal no RX). (0,02 p)

Lembrete de prova: a maioria é eutireóidea; função normal não exclui o diagnóstico.

(II) Possível causa da doença diagnosticada

Na vasta maioria trata-se de bócio secundário (mergulhante): crescimento caudal de um bócio multinodular crônico cervical, e não de um tumor mediastinal “nascido” no tórax. (0,04 p)

Mecanismo anatômico clássico: a glândula encontra teto ósseo-muscular (esterno, músculos pré-tireoidianos, fáscia) e é “puxada” para o mediastino pela gravidade e pela pressão negativa intratorácica. (0,03 p)

Contexto epidemiológico: mulher idosa, bócio de décadas; historicamente associado a deficiência de iodo (bócio colóide multinodular). (0,02 p)

O bócio primário mediastinal (tecido tireoidiano ectópico com vascularização própria, independente das artérias tireóideas inferiores) é raro (~1%). (0,01 p)


(III) Melhor modalidade para confirmar o diagnóstico

Tomografia computadorizada de pescoço e tórax (com contraste, se a função e o plano cirúrgico permitirem): é o exame que confirma a origem tireoidiana da massa, mede quanto da glândula está abaixo da fúrcula e mapeia traqueia, esôfago e grandes vasos. (0,05 p)

A TC também define a via operatória (cervicotomia isolada vs. necessidade de esternotomia) — extensão além do arco aórtico, componente posterior, vascularização anômala ou perda de plano com estruturas vitais. (0,03 p)

TSH e T4 livre avaliam o estado funcional (tóxico vs. atóxico), mas não comprovam a topografia substernal. US e cintilografia são adjuvantes; o US não substitui a TC no mediastino. (0,02 p)


(IV) Principal diagnóstico diferencial:

Diante de massa do mediastino anterior, o diferencial clássico de banca é o timoma (um dos “4 T’s”). (0,05 p)

Os demais T’s e vizinhos: teratoma / tumor de células germinativas, “terrible lymphoma”, além de linfonodomegalia e aneurisma/ectasia da aorta. (0,03 p)

O que pende para bócio (e afasta timoma “puro”): continuidade direta com a tireoide cervical, densidade/nódulos semelhantes aos lobos cervicais e vascularização a partir das artérias tireóideas inferiores. (0,02 p)


(V) Tratamento da moléstia:

O tratamento definitivo é cirúrgico: tireoidectomia (em geral total ou quase-total no bócio multinodular bilateral), porque o bócio mergulhante tende a crescer, comprime via aérea e pode ocultar neoplasia (risco de malignidade da ordem de 3–21% nas séries). (0,04 p)

Na grande maioria a peça sai por cervicotomia (incisão de Kocher), inclusive com componente mediastinal volumoso, desde que haja pedículo cervical. (0,03 p)

Esternotomia (ou toracotomia) fica para a minoria (~2–10%): bócio primário, extensão abaixo do arco aórtico, recidiva, invasão por câncer ou vascularização mediastinal independente. (0,02 p)

Iodo radioativo (e drogas antitireoidianas) não descomprimem de forma confiável um mergulhante volumoso; reservam-se ao paciente inoperável ou ao componente tóxico associado. (0,01 p)


AVALIE ESSE CASO CLINICO: (3.16)




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