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Um lactente de 9 meses recebeu, pela 1ª vez, ovo na papa de legumes. Alguns minutos depois, apresentou dispneia e edema de lábios. Foi levado imediatamente ao serviço de emergência, aonde chegou hipotenso, com sibilância, estridor laríngeo e lesões urticariformes pelo corpo. Com relação a esse caso, podemos afirmar que:
A. as dosagens de triptase sérica e histamina plasmática e urinária são necessárias para a confirmação do diagnóstico
INCORRETO: O diagnóstico de anafilaxia é primariamente clínico, baseado em critérios como os da NIAID/FAAN (envolvimento agudo de ≥ 2 sistemas ou hipotensão isolada após exposição a alérgeno conhecido), sem necessidade de marcadores laboratoriais para confirmação inicial ou manejo emergencial. Embora níveis elevados de triptase sérica (pico em 1-2 h pós-evento) e histamina (plasmática ou urinária) possam apoiar retrospectivamente o diagnóstico (ex.: triptase >11,4 ng/mL sugere mastocitose ou anafilaxia), eles não são obrigatórios, podem ser falsos negativos em anafilaxia alimentar ou bifásica, e não alteram o tratamento imediato. Diretrizes da AAP e KDIGO enfatizam que atrasar terapia por testes laboratoriais é contraproducente, especialmente em lactentes.
B. os beta-2-adrenérgicos, por via inalatória, não têm nenhuma utilidade
INCORRETO : Beta-2 agonistas inalatórios (ex.: albuterol/salbutamol, dose 2,5-5 mg nebulizado em pediatria) têm utilidade como adjuvantes para broncoespasmo persistente ou sibilância refratária à epinefrina inicial, aliviando sintomas respiratórios por broncodilatação. Embora não sejam de primeira linha (epinefrina é prioritária), eles são recomendados em protocolos como os da Children´s Hospital of Philadelphia e Johns Hopkins para casos com componente asmático ou obstrução de vias aéreas inferiores, melhorando a oxigenação enquanto se aborda a causa subjacente. Afirmar ”nenhuma utilidade” ignora evidências de suporte em anafilaxia com wheezing.
C. a medicação de 1ª linha é a adrenalina por via subcutânea na face anterolateral da coxa
INCORRETO : Embora a adrenalina (epinefrina) seja de fato a medicação de primeira linha (dose pediátrica: 0,01 mg/kg IM, max 0,3 mg em < 30 kg), a via preferida é intramuscular (IM), não subcutânea (SC), na face anterolateral da coxa (vasto lateral) para absorção mais rápida (pico plasmático em 8 min vs. 34 min na SC). Diretrizes unânimes da AAP, WAO, EAACI e sociedades pediátricas (ex.: Johns Hopkins, CHOP) contraindicam SC devido à lentidão, que pode piorar desfechos em anafilaxia grave; autoinjetores como EpiPen Jr. são projetados para IM. Essa via errada poderia atrasar a reversão dos sintomas.
D. os anti-histaminicos H2 não têm nenhuma indicação
INCORRETO : Anti-H2 (ex.: famotidina ou ranitidina IV) têm indicação como adjuvantes em anafilaxia, especialmente para sintomas gastrointestinais (náuseas, cólicas) ou cutâneos persistentes, complementando anti-H1 (ex.: difenidramina ou cetirizina). Embora não sejam de primeira linha (não revertem choque ou via aérea), guidelines da AAFP e Johns Hopkins os recomendam em combinação com H1 para bloqueio completo da histamina, melhorando o controle sintomático sem alterar o curso vital. Afirmar ”nenhuma indicação” subestima seu papel de suporte.
E. se o paciente fizer uso de betabloqueador e evoluir com hipotensão refratária a adrenalina. o glucagon poderá ser necessário
CORRETO : Esse lactente de 9 meses apresenta um quadro clássico de anafilaxia IgE-mediada (provavelmente desencadeada pela introdução do ovo como alérgeno alimentar novo), com sintomas multissistêmicos agudos: dispneia (respiratório), edema de lábios (mucoso), hipotensão (cardiovascular), sibilância e estridor (via aérea), e urticária (cutânea). Em casos de anafilaxia refratária, especialmente em pacientes usando betabloqueadores (embora raro em lactentes, a afirmativa é hipotética e válida como princípio geral), esses medicamentos antagonizam os efeitos beta-adrenérgicos da adrenalina (epinefrina), reduzindo sua capacidade de aumentar o AMPc intracelular e reverter a hipotensão. Nesses cenários, o glucagon IV (dose típica em pediatria: 0,02 - 0,03 mg/kg, max 1 mg/dose) é recomendado como adjuvante porque atua independentemente dos receptores beta, elevando o AMPc via receptores glucagon e promovendo inotropismo positivo, vasodilatação pulmonar e reversão da hipotensão. Diretrizes pediátricas, como as da Johns Hopkins Medicine e da Resuscitation Council UK, endossam o glucagon para anafilaxia refratária em usuários de betabloqueadores, com proteção das vias aéreas devido ao risco de vômitos.
Gabarito: E
RATING: 2.99 ![]()
FONTE:
1) A suspeita diagnóstica é de abdômen agudo e a conduta inicial consta em: suporte hidroeletrolítico, analgesia e observação. 0,1 p
2) No abdômen deveriamos pesquisar: a) Dor no ponto de McBurney: na união do terço lateral com o terço médio da linha que une a cicatriz umbilical à espinha ilíaca ântero-superior, a dor é mais intensa, e tende a diminuir à medida que o dedo do examinador se afasta deste ponto, para cima e para baixo, nos apêndices látero-cecais. 0,05 pTodos os direitos reservados. 2026.
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